O Movimento Desconecta, iniciativa criada por mães de São Paulo, tem como objetivo estabelecer um acordo coletivo entre famílias para adiar a entrega de celulares próprios às crianças e limitar o acesso de adolescentes às redes sociais. A proposta central é evitar que crianças tenham celular próprio antes dos 14 anos e que adolescentes ingressem nas redes sociais antes dos 16. Iniciado por meio de conversas entre mães pelo WhatsApp, o movimento rapidamente ganhou força, reunindo milhares de participantes em escolas de diversos Estados.
A preocupação é legítima. Crianças e adolescentes estão cada vez mais expostos a conteúdos impróprios, como pornografia, violência, incentivo ao crime, discursos de ódio, vícios digitais e padrões de comportamento que podem afetar sua formação emocional e social. No entanto, é preciso reconhecer que a solução não pode ser simplesmente afastar os jovens da internet. A tecnologia já faz parte da vida contemporânea e é também ferramenta de estudo, informação, comunicação, criatividade e inclusão social.
O desafio, portanto, não está em impedir totalmente o acesso, mas em regulamentá-lo de forma responsável. Assim como ocorreu com o rádio e a televisão, que no passado também despertaram receios e passaram por processos de adaptação social, o celular e as redes sociais precisam encontrar um ponto de equilíbrio. O avanço tecnológico não deve ser tratado como inimigo, mas também não pode ser deixado sem limites.
Nesse sentido, cabe às famílias orientar, acompanhar e dialogar com seus filhos, mas a responsabilidade não pode recair apenas sobre os pais. Empresas de tecnologia, plataformas digitais, operadoras, órgãos reguladores, governos e parlamentares também devem assumir seu papel. É necessário criar sistemas mais eficientes de controle de faixa etária, verificação de idade, filtros de conteúdo e responsabilização das plataformas quando permitirem o acesso de menores a materiais incompatíveis com sua idade.
As redes sociais não podem se transformar em um território sem regras, onde crianças e adolescentes sejam expostos a qualquer tipo de conteúdo. Ao mesmo tempo, os jovens não devem ser privados do acesso à internet, pois isso significaria afastá-los de uma ferramenta indispensável para o mundo atual. O caminho mais adequado é construir uma regulamentação séria, moderna e equilibrada, que preserve o direito ao acesso digital, mas proteja a infância e a juventude dos riscos evidentes do ambiente virtual.
Todo invento colocado à disposição da sociedade deve servir ao progresso, ao conhecimento e ao bem-estar coletivo. Quando a tecnologia passa a causar danos, especialmente à formação moral, emocional e intelectual das novas gerações, ela precisa ser ajustada, fiscalizada e responsabilizada. A internet deve continuar sendo espaço de liberdade e desenvolvimento, mas com limites claros para que não se transforme em instrumento de prejuízo à juventude.
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).
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