A possibilidade dos presidentes Donald Trump e Lula da Silva reunirem-se na próxima semana (ou numa data não muito distante) é uma esperança para 575 milhões de indivíduos (360 milhões de norte-americanos e 215 milhões de brasileiros. Tanto os EUA quanto o Brasil e até seus vizinhos próximos das Américas do Norte e Latina, serão beneficiados pelos acordos que os dois países vierem a celebrar. Após as rusgas entre os dois governantes e o aparente pouco interesse do brasileiro pelo encontro, havia dúvidas quanto à possibilidade de sua realização. Hoje torce-se para que ambos abandonem a vaidade e os rompantes e com isso possam discutir e acordar os interesses dos dois povos.
Com o tarifaços onde Trump impôs taxa de 50% aos produtos brasileiros importados pelo seu país, nossas mercadorias perdem a competitividade e os importadores que mesmo assim as adquirirem, pagam mais caro. Isso diminui o fluxo, baixa a renda e, invariavelmente, causará o desemprego nas regiões produtoras. As diferenças políticas que motivaram o castigo fiscal também devem ser discutidas racionalmente e sem a nefasta disputa direita-esquerda. São negócios em que a ideologia são pode e nem deve prejudicar.
Desde que Trump e Lula tenham boa vontade e não batam o pé por absurdos, dá para crer que ainda poderão salvar as boas relações que as duas nações praticam há dois séculos. Até porque, o pior acordo que possam celebrar ainda será melhor para ambos do que a ruptura ideologicamente incentivada. Que as equipes dos dois presidentes operacionalizem o encontro sem demora e o Brasil possa fazer a negociação que dezenas de países tarifados já concretizaram com os EUA. E o bom mesmo é que seja uma reunião pessoal, não o telefonema ou a videoconferência que o chanceler Mauro Vieira disse serem prováveis diante das dificuldades de agenda. Os dois presidentes – o da maior economia do mundo e o da maior potência sulamericana, têm o dever de encontrar tempo para discutirem seus problemas e interesses.
Além dos problemas com Washington, Lula ainda tem os acontecimentos de Brasilia como complicadores. Câmara dos Deputados e Senado divergem sobre a PEC das Blindagem e a urgência ao projeto da anistia aos envolvidos em 8 de janeiro de 2023, já aprovados pelos deputados. Há a proposta do relator, Paulinho da Força, para desclassificar a anistia para dosimetria das penas já e o risco dos temas encravarem nos escaninhos do Congresso Nacional.
A anistia é o perdão proporcionado pelo Estado aos cidadãos que cometeram crimes ou irregularidades. É um recurso que nosso País já empregou 48 vezes em favor da pacificação nacional. Pensamos que, igual às vezes anteriores, é a única forma capaz de pacificar. E que todos os envolvidos, assim como as autoridades, precisam ter boa vontade para que o empreendimento se concretize. Tem de ser um passar de régua em todos os problemas e o reinício da vida política nacional, zerada de seus problemas. Sem o perdão estatal e o “esquecimento” geral dos pecados dos adversários, o objetivo dificilmente será alcançado e, se o for, o resultado será frágil e, até, provisório.
Todos os brasileiros de responsabilidade – inclusive os Poderes Institucionais – precisam praticar o perdão e o esquecimento, sem o que, nosso país não irá a lugar algum e a população continuará sofrendo e sem perspectivas. Chegou a hora de eliminar todos os erros, rompantes e intransigências gerados e desenvolvidos após a redemocratização de 1985 e polarizadores havidos durante as últimas décadas em paralelo aos protestos, impeachment e desinteligência entre os governantes e adversários. Sem perdoar e relaxar, anistia, dosimetria e qualquer outro alívio político ou institucional, não será possível…
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).
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