A sensação dos últimos dias é a de um retorno às grandes crises energéticas do passado. A elevação do preço do petróleo reacende no mundo o temor de inflação, aumento dos custos de produção, encarecimento do transporte e pressão sobre o custo de vida. Mais do que a imagem de um conflito militar de grandes proporções, o que se desenha com mais nitidez é uma guerra econômica, capaz de abalar mercados, afetar cadeias de abastecimento e impor perdas severas a países dependentes de energia e de comércio exterior. O barril do Brent voltou à faixa dos US$ 100, em meio à piora das tensões e à instabilidade envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do planeta para o petróleo.
O problema central, portanto, não está apenas no embate político entre potências, mas nos seus efeitos concretos sobre a economia mundial. Sempre que se amplia a incerteza em torno do fluxo de petróleo, os reflexos aparecem quase imediatamente: sobem os combustíveis, encarece o frete, pressionam-se os alimentos e cresce o risco de nova onda inflacionária. No caso de Ormuz, o impacto é ainda maior, porque a região responde por uma fatia muito relevante do abastecimento global de petróleo. Não é exagero, portanto, tratar o momento como uma crise internacional de natureza econômica, com potencial para comprometer o crescimento e a estabilidade de diversos países.
No Brasil, preocupa a possibilidade de repasses imediatos ao consumidor e de abusos ao longo da cadeia de distribuição. É correto que o governo se prepare para conter excessos e acompanhar o comportamento do mercado, sem ignorar a realidade internacional, mas também sem permitir distorções injustificadas. Em momentos como este, é essencial garantir fiscalização eficiente, previsibilidade e equilíbrio, para que oscilações externas não se transformem automaticamente em penalização desmedida para a população brasileira.
Diante desse cenário, o Brasil deve agir com serenidade e responsabilidade. Nossa tradição diplomática, amparada pela Constituição, orienta o país pela não intervenção, defesa da paz e solução pacífica dos conflitos. Esse é o caminho mais sensato: acompanhar com atenção os desdobramentos internacionais, defender os interesses nacionais, preservar canais de diálogo e evitar qualquer envolvimento direto em disputas alheias. Ao Brasil cabe a prudência, a firmeza institucional e o compromisso com a estabilidade.
Mais do que escolher lados em confrontos externos, o país precisa proteger sua economia, sua soberania e o bem-estar de sua população. Em tempos de tensão internacional, maturidade política significa justamente isto: manter a paz, evitar aventuras e trabalhar para que o Brasil continue sendo uma nação de diálogo, equilíbrio e cooperação. Tudo pela paz, nada pelo envolvimento.
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).
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