É crucial que o governo tome providências quanto à nossa onerosa carga tributária para evitar que nossas empresas sejam ainda mais prejudicadas, especialmente em um cenário de profundas transformações no comércio e na economia. Operadores e lojistas de shopping centers em diferentes regiões do país já estudam reduzir o horário de funcionamento de seus estabelecimentos, com propostas que incluem fechar mais cedo (às 20h ou 21h, em vez das 22h) e limitar as atividades aos domingos. Essas medidas visam conter custos operacionais diante da queda no número de clientes.
Dados do setor evidenciam a gravidade da situação: em 2025, as vendas em shoppings encolheram cerca de 25% em relação a 2019, enquanto as despesas aumentaram significativamente. Entre os principais fatores estão o crescimento de 15% do e-commerce, a redução de 36% no público dos cinemas em comparação ao período pré-pandemia e a expansão do trabalho híbrido e do home office, que diminuíram a circulação de consumidores nesses espaços.
Diante desse cenário, o governo deve, com máxima urgência, sentar-se com os empresários, considerando que as mudanças proporcionadas pela sempre inovadora tecnologia tendem a agravar ainda mais os desafios da economia. Medidas na área tributária são imprescindíveis, assim como cautela em relação a propostas como a alteração da jornada 6×1. É necessário preservar empregos com responsabilidade, evitando decisões midiáticas ou eleitoreiras.
Especialistas também apontam a ampliação do comércio internacional via internet como um fator determinante. Produtos importados, vendidos online e entregues por serviços logísticos, passaram a competir diretamente com o varejo físico, exigindo redução de custos para manutenção da rentabilidade.
Esse movimento não se restringe aos shoppings. Supermercados, embora comercializem itens essenciais, também buscam reduzir despesas operacionais. Alguns estados já discutem leis para mantê-los fechados aos domingos e, possivelmente, em feriados — um retorno parcial às práticas do passado, antes da expansão dos horários de funcionamento.
O fenômeno que impacta o comércio está diretamente ligado às transformações estruturais da economia global. A globalização ampliou o acesso a produtos importados e contribuiu, ao longo das últimas décadas, para a transferência de empregos para países com menor carga tributária e menos encargos trabalhistas. Atualmente, vivemos uma nova fase de reacomodação econômica, que não se limita à indústria, mas também afeta o comércio e os serviços.
Diante disso, é fundamental que o Brasil se prepare. Precisamos agir com seriedade e planejamento para preservar nossa competitividade e evitar perdas ainda maiores no mercado de trabalho, antes que seja tarde demais.
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).
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