Obra do artista italiano Edoardo Ettorre, intitulada ‘Acolhida’, de 26m x 8m, integra as comemorações dos 30 anos da instituição
Localizado na Mooca (zona Leste de São Paulo), o maior centro de acolhida da capital paulista, atende diariamente 1.200 homens em situação de vulnerabilidade social e é também um centro de voluntariado e cultura
São Paulo, abril de 2026 – Para celebrar três décadas de atuação dedicada ao acolhimento, à dignidade humana e à solidariedade, o Arsenal da Esperança, em parceria com o Instituto Italiano de Cultura de São Paulo, inaugura no feriado do dia 21 de abril, o mural artístico ‘Acolhida’, do artista italiano Edoardo Ettorre, radicado em Giulianova, na região de Abruzzo, que está no Brasil especialmente para a realização do projeto.
A obra retrata um homem em situação de rua que, sentado no chão, é ajudado a se levantar por outra pessoa que lhe estende a mão. O gesto, simples e direto, sintetiza o conceito de acolhimento e simboliza o trabalho cotidiano do Arsenal da Esperança: apoiar, erguer e reconstruir vidas.
Com dimensões de 26m de largura por 8m de altura, o mural será instalado na área externa do Arsenal da Esperança, e poderá ser visto por cerca de 400 mil passageiros/dia que utilizam a Linha 10-Turquesa da CPTM, no trecho entre as estações Brás e Juventus-Mooca, segundo dados do Estadão Mobilidade (2025).
A cerimônia de inauguração acontece na terça, 21, a partir das 15h, no Salão Vida Fraterna do Arsenal da Esperança (Rua Dr. Almeida Lima, 900, Mooca). Estão previstas as presenças do diretor do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo, Lillo Guarnieri; da produtora e curadora Giulia Lavinia Lupo (She Wolf by Giulia); além do artista Edoardo Ettorre; e do padre Simone Bernardi, diretor do Arsenal. Após a cerimônia, os convidados seguirão até a plataforma (com acesso pelo Museu da Imigração).
Maior centro de acolhida da cidade de São Paulo, que atende diariamente 1.200 homens em situação de vulnerabilidade social, o Arsenal da Esperança realiza uma série de ações educativas, culturais e de capacitação profissional voltadas à geração de renda e à construção de novas perspectivas de vida para restaurar a autoestima, promover dignidade e criar oportunidades reais de transformação. A instituição soma dezenas de prêmios por sua atuação social, inclusive o Salva de Prata (4/12/2024), maior honraria da Câmara Municipal de São Paulo.
Uma imagem sobre acolher e recomeçar – A proposta da obra é funcionar como uma metáfora visual do cuidado, da proteção e da humanidade compartilhada. “Acolher significa reconhecer o outro, criar espaço e oferecer dignidade”, conceito que dialoga diretamente com os valores que orientam o trabalho do Arsenal, transformando o muro em um reflexo da essência da instituição.
“O papel da arte urbana também é transmitir mensagens fortes, especialmente de esperança. Em um contexto como este, isso se torna ainda mais significativo”, afirma o artista Edoardo Ettorre, que já produziu cerca de 60 murais.
Para desenvolver o trabalho, o artista visitou o Arsenal da Esperança e teve contato direto com os acolhidos. “Envolver as pessoas do local onde vou pintar é sempre enriquecedor, especialmente em um contexto tão singular. É uma oportunidade de troca que dificilmente aconteceria em outras circunstâncias”, destaca.
Segundo a curadora Giulia Lavinia Lupo a visita foi marcante: “Conhecer o espaço e as pessoas, trouxe uma dimensão muito mais profunda. O próprio Edoardo comentou que ficou surpreso com a atmosfera do local, uma energia tranquila e acolhedora que contrasta com a imagem mais acelerada de São Paulo”, conta.
O primeiro esboço da obra foi desenvolvido à distância, mas ganhou novos contornos após a interação com os acolhidos, que participaram da construção da cena que será reproduzida.
Arte que dialoga com a cidade – Com proposta de democratizar o acesso à arte, o mural foi concebido para dialogar com o público que circula pela região. “Queríamos criar uma obra capaz de se comunicar com um público que, mesmo passando todos os dias ao lado do Arsenal, ainda não conhece a instituição e o que dentro dela se realiza”, explica o padre Simone Bernardi. A localização estratégica — próxima aos trilhos historicamente ligados à migração entre Santos e São Paulo e hoje utilizados pela CPTM — amplia o alcance e o impacto da obra.
Para a curadora, a arte urbana tem o poder de ocupar o espaço público de forma acessível e inclusiva. “Mais do que estar presente, a obra ajuda a construir novos olhares sobre o território e sobre as histórias que ele carrega”, afirma Giulia.
O tema “Acolhida” também dialoga com a Campanha da Fraternidade 2026 (Youtube), dedicada à questão da moradia. “Moradia não é apenas estrutura física — é direito, dignidade e pertencimento. Que esta obra inspire cada pessoa a refletir sobre essa necessidade fundamental. Porque acolher é reconhecer que ninguém deve caminhar sozinho”, conclui padre Simone Bernardi.
Sobre o Arsenal da Esperança – Instalado no prédio da antiga Hospedaria de Imigrantes, na Mooca (Rua Dr. Almeida Lima, 900) — que no passado acolhia famílias europeias e asiáticas, imigrantes e refugiadas —, o Arsenal abriga homens brasileiros e estrangeiros em situação de vulnerabilidade. A obra é conduzida pela Associação Assindes Sermig — Servizio Missionario Giovani e foi iniciada em 1996 por Ernesto Olivero e Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida. O Arsenal da Esperança é o primeiro projeto fora de Turim (Itália) ligado ao Arsenal da Paz, criado em 1983. A instituição oferece cursos de capacitação profissional, promovendo inclusão e oportunidades a todos. Oferece, ainda, biblioteca, quadra de futebol, sala de jogos, grupos de apoio (NA e AA – Narcóticos e Alcóolicos Anônimos), entre outros serviços. Entre os principais parceiros estão: Prefeitura de São Paulo – Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS); Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI); Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). Facebook / Instagram / YouTube
Sobre o Instituto Italiano de Cultura de São Paulo – Órgão oficial do Governo Italiano fundado em 1950. Se dedica a promover a cultura e a língua italiana, além de enriquecer o panorama cultural em sua área de ação com iniciativas voltadas à cooperação ítalo-brasileira neste setor. Localizado em um histórico casarão no bairro de Higienópolis, o Instituto promove concertos, exposições, sessões de cinema, palestras e encontros, e possui uma biblioteca com mais de 23 mil títulos, a maioria em língua italiana, disponíveis para o público. Além de ser também fonte de informações sobre o país, cursos de língua italiana ministrados na Itália e bolsas de estudo outorgadas pelo Governo Italiano. Facebook | Instagram | YouTube
Minibios
Edoardo Ettorre – Nascido em 1994, natural de Giulianova (Abruzzo), é uma das vozes mais refinadas do muralismo italiano contemporâneo. Sua arte funde realismo pictórico, delicadas sugestões oníricas e um uso magistral da cor e da luz. Ao experimentar diferentes campos das artes visuais, desenvolve uma linguagem profunda, introspectiva e poética, capaz de transformar superfícies urbanas em narrativas carregadas de emoção e silêncio. Seus temas, muitas vezes figuras femininas, crianças ou rostos suspensos no tempo, parecem pertencer a uma dimensão íntima e universal. As expressões delicadas, os gestos mínimos e os detalhes quase imperceptíveis tornam-se instrumentos para falar de memória, fragilidade, sonho, crescimento e transformação. Já deixou sua marca em diversas cidades italianas e internacionais, em projetos de regeneração urbana que unem arte, território e comunidade. Sua pesquisa se move entre a estética e a narrativa, devolvendo dignidade e beleza a muros esquecidos. Sua arte não grita, mas sussurra com elegância. Observá-la é como entrar em uma fotografia pintada que fala ao coração. Website / Instagram
Giulia Lavinia Lupo – É italiana e atua como empreendedora cultural, curadora de arte urbana e produtora de projetos artísticos internacionais. No Brasil, fundou em 2019 a SHE WOLF BY GIULIA, empresa cultural por meio da qual desenvolve projetos de arte urbana e iniciativas culturais em parceria com instituições, empresas e artistas internacionais entre Brasil e Itália. Em 2025 foi premiada no Prêmio Mulher de Negócios Sebrae SP, na categoria Negócios Internacionais. InstagramGiulia / InstagramSheWolf / Website / Linkedin
Padre Simone Bernardi – Padre italiano, dirige o Arsenal da Esperança. Missionário da Fraternidade da Esperança do SERMIG, ingressou em Turim (Itália) em 2001 e veio ao Brasil em 2005 como missionário da Fraternidade. É graduado em Serviço Social (Università degli Studi di Torino, Itália/2001), Filosofia (Unifai, 2011) e Teologia (Faculdade de São Bento, 2013), ordenado sacerdote em 2015. Em 2017, publicou “O Bom Samaritano e a Hospedaria” (Editora Loyola), narrando experiências reais de acolhidos e a aplicação da parábola do Bom Samaritano na rotina do Arsenal. Sua obra é ao mesmo tempo teológica e testemunhal, destacando a centralidade de Jesus e o valor do “Sim” como regra de convivência.
Serviço
Inauguração do Mural Artístico “Acolhida”
Quando: Terça-feira, 21 de abril, a partir das 15h
Local: Arsenal da Esperança
Curadoria de Giulia Lavinia Lupo
Realização em parceria com: Instituto Italiano de Cultura de São Paulo
Imprensa interessada, deve fazer o credenciamento enviando nome, veículo, cargo, email e celular para mercia.suzuki11@gmail.com e deborahferreira@gmail.com
Como ajudar
PIX: CNPJ 62.459.409/0001-28 // Razão Social: Associação Assindes Sermig
Banco Santander: Ag. 0144 – Conta 13-003147-6 – Também é possível doar via Nota Fiscal Paulista ou tornar-se voluntário.
📍 Rua Dr. Almeida Lima, 900 – Mooca – São Paulo
📧 arsenaldobrasil@gmail.com // 📱 (11) 94235-3233
🌐 arsenaldaesperanca.org.br // IG: @arsenal_da_esperanca
YT: @arsenaldobrasil // FB: facebook.com
O artista Edoardo Ettore. Crédito Lacopo Munno
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