Aula inaugural apresentou, na prática, técnicas de como agir em casos de ataques urbanos e agressões domésticas; iniciativa social dos Institutos Pró-Vítima e “Paulo Kobayashi” também oferece acolhimento emocional, físico e jurídico
Como se livrar de um possível ataque na rua – como roubo, assalto e tentativa de estupro e de sequestro – e, também, de agressão doméstica foi o mote da aula inaugural do “Defenda-se”, iniciativa social dos Institutos Pró-Vítima e “Paulo Kobayashi”. Realizada na noite de segunda-feira (5/5), em São Paulo-SP, a atividade reuniu diversas lideranças femininas, alunas e autoridades. O curso acontece, de graça, às segundas e às quintas-feiras, no 2º andar do Centro Educacional “Dom Orione” (rua Treze de Maio, 478 – Bela Vista). Ainda é possível se inscrever para o projeto, que também oferece acolhimento psicológico, fisioterapia e apoio jurídico, gratuitamente.
Na cerimônia de abertura, a instrutora de defesa pessoal, mestre e multigraduada em Taekwondo Débora Lima ensinou técnicas e posturas de autodefesa, além de compartilhar conhecimento em artes marciais.
A aula inaugural também contou com a participação da multimedalhista em Jiu-Jítsu Jaqueline Almeida. Brasileira, a atleta mora e trabalha na Irlanda há nove anos. Na Europa, ela mantém projeto social semelhante ao “Defenda-se”, no intuito de ensinar mulheres a se autodefenderem em casa e na rua. A faixa preta ensinou, na oportunidade, práticas de linguagem corporal que podem ser utilizadas como método de proteção, no dia a dia.
A ideia do “Defenda-se” também é ampliar o conhecimento do público feminino quanto a direitos e o enfrentamento às diversas formas de violência. Neste sentido, será realizada a Oficina Virtual de Capacitação de Direitos das Mulheres, em 5/6, com emissão de certificado. Já nos dias 13/8 e 14/8, ocorrerá o Seminário Jurídico Direitos das Vítimas – O Estatuto da Vítima na Defesa dos Direitos das Mulheres. O evento será abrigado na Pontifícia Universidade Católica (PUC) São Paulo, das 9h às 13h. As inscrições para as atividades devem ser firmadas no link www.provitima.org/defenda-se.
De acordo com a coordenadora do “Defenda-se” e presidente do Pró-Vítima, a promotora de Justiça Celeste Leite dos Santos (MP-SP), a expectativa é que o movimento gere uma rede de apoio e fortalecimento coletivo na cidade de São Paulo em proteção e atenção às vítimas da violência urbana e doméstica:
“Mulheres de diferentes faixas etárias vieram em busca do auto-fortalecimento, de apoio e de ferramentas que lhes possibilitem a defesa pessoal. Percebemos que este público está muito disposto a aprender. Isso nos motiva, principalmente num município como São Paulo, que tem altas taxas de feminicídio e de outros tipos de ocorrências contra mulheres”, avalia a jurista.
O “Defenda-se” ainda tem vagas para as aulas de defesa pessoal e atendimento especializado. Para se inscrever, basta acessar o portal https://provitima.org/defenda-se/ e preencher o formulário. É preciso ter mais de 18 anos e morar em São Paulo. Não é exigido que a aluna tenha algum histórico de prática de atividade física.
O curso de autodefesa é ministrado às segundas-feiras, das 19h às 19h45, e às quintas-feiras, das 19h45 às 20h30. Às terças-feiras, são oferecidas aulas de alongamento, das 18h30 às 19h30, também no “Dom Orione”.
“Decisão acertiva”
Flávia Calaucha, uma das voluntárias do Pró-Vítima e, agora, aluna do “Defenda-se”, ressalta a importância social do projeto:
“Iniciar as aulas de defesa pessoal foi uma decisão assertiva para mim. Em pouco tempo, já tive mudança de postura, de atenção pelas ruas e na sensação de segurança. As aulas, de fato, preparam mulheres para situações reais; para o que pode nos acontecer em meio à criminalidade que, infelizmente, só cresce”, reforça.
Também presente no lançamento do “Defenda-se”, a cônsul de Taiwan em São Paulo, Angeles Chu, falou sobre a necessidade de se empoderar mulheres para o enfrentamento às diversas formas de violência, sejam físicas, emocionais ou patrimoniais:
“Aulas de artes marciais são fundamentais para a autodefesa e para a Cultura de uma sociedade. O ‘Defenda-se’ tem muito a contribuir com a cidade de São Paulo”, avaliou.


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