O presidente Lula disse que o seu colega Donald Trump, dos Estados Unidos, empossado há um mês (em 20 de janeiro), comporta-se como alguém supostamente eleito para ser “imperador do mundo”, não governante do seu país, e que isso poderá trazer problemas tanto aos norteamericanos quanto aos seus parceiros. Adiantou, inclusive, que o Brasil já está preparado para exercer a política de reciprocidade. Se os yankees realmente taxarem (em 25% ou algo parecido) o aço e o alumínio que fornecemos à sua indústria, o Brasil adotará o mesmo procedimento em relação aos produtos que os EUA exportam para nosso mercado . Falou, ainda, que isso deverá ser comportamento-padrão de todos os países que se sentirem prejudicados pelas políticas comercial do novo governo de Washington.
Embora justas e um direito do presidente brasileiro, não vemos utilidade em sua advertência. Trump, em nossa opinião, não deveria sair pelo mundo pregando e forçando uma política tributária unilateral para suas relações comerciais, mas o Brasil e outros países, embora também possam fazê-lo, deveriam evitar o confronto entre governos, principalmente levando em consideração que todos possuem estruturas diplomáticas onde os temas mais delicados podem ser tratados sem causar rupturas ou constrangimentos. Os EUA foram o primeiro país a reconhecer a Independência do Brasil, em 1824, e conosco tem mantido boas relações ao longo dos dois séculos que se passaram a partir de então. O Itamarati e a diplomacia dos EUA têm sido os responsáveis por esse longo período de boas relações, estabilidade e entendimento. Coisa que, dependendo do humor e até dos objetivos imediatos dos dois governos, poderá se perder sem qualquer expectativa de lucro.
Lula e Trump, dois gênios fortes, têm muitos motivos para se desentenderem de forma improdutiva para ambos os lados. Lula critica a mão-de-ferro que Trump usa com os imigrantes ilegais e agora – com justificada razão – adverte para a possibilidade de retaliação à política econômico-fiscal que Trump decidiu implantar para cuidar prioritariamente dos interesses de seu país. O melhor seria os governos ficarem distantes da fogueira e deixassem as divergências para a mediação do comércio e da indústria, diretos interessados em produzir e vender suas mercadorias.
Por conta dos rompantes de Trump e do discurso nem sempre adequado a Lula, há o risco da desinteligência entre ambos e seus governos. Um desperdício que só poderá trazer prejuízos num momento em que todos deveriam buscar o entendimento e a similaridade. Nada contra as propostas de Trump, de retirar os Estados Unidos da OEA (Organização dos Estados Americanos), do Clube de Paris e até da ONU (Organização das Nações Unidas) se os EUA continuarem sendo obrigados a contribuir mais do que os demais países para a manutenção dessas estruturas de representação internacional. Mas fazer o confronto direto com os países amigos ou parceiros, é algo temerário que pode não acabar bem. Todos os países que investiram para participar da ciranda econômica têm necessidade e expectativas de produção, sem o que a economia entra em crise. Tudo o que os governos puderem fazer para evitar desentendimentos é benvindo. É do entendimento que vem o progresso e o bem estar das nações. Seus governantes precisam estar conscientes disso e respeitar os interesses de mercado pois, assim como o dinheiro, o meio econômico não suporta desaforos e cobra muito caro quando eles acontecem.
Trump precisa lembrar que não é imperador e seus interlocutores (entre eles o Brasil) serem conscientes de que uma “briga” nessa área dificilmente terá vencedores; todos tendem a perder…
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).
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