Por mais estranho e contraditório que possa parecer, tudo isso está interligado e misturado.
Nasci com esquizofreniforme, um grau leve de esquizofrenia.
Uma de suas principais causas, especialmente na adolescência, é a dificuldade de interpretar o subjetivo — por exemplo, numa paquera.
Isso se materializou em 1993, quando uma famosa vizinha minha de rua, muito conhecida em toda a redondeza da Praça Antônio Carlos Fernandes — a “Pracinha”, como chamávamos — literalmente oferecia, de forma velada e repetida, a sua “maçã” a mim. E eu, ingenuamente, ficava incrédulo. A mesma Pracinha sonhava em ter algo com essa famosa moradora.
Eu era tão ingênuo que, se ela — um ano e meio mais velha — me pedisse para fazer sexo, eu provavelmente responderia:
— Se você me explicar literalmente o que é fazer sexo com uma mulher, eu faço quantas vezes você quiser…
Portanto, eu, Rodrigo, fui o Adão que não comeu a maçã de Eva.
Já vivia o universo da paquera no Coteba, mas sem conseguir interpretar o subjetivo amoroso — reflexo da esquizofreniforme. Por outro lado, por obra de Deus, tornei-me amigo de inúmeras mulheres naquela época, principalmente dessa famosa “Eva”, minha vizinha de rua.
Pode-se dizer que vivíamos quase uma amizade colorida: confidências mútuas, visitas às casas um do outro, ela indo à minha casa em trajes, digamos, pecaminosos (rs). Da mesma forma, em sua casa, ficava totalmente à vontade na minha frente.
Afirmo sem medo de errar: de todas, absolutamente todas as mulheres que já vi de todas as maneiras possíveis, essa “Eva” famosa vizinha minha é o Real Madrid das mulheres.
Tal qual a camisa oficial madridista 2025–2026, fardamento 2, que visto enquanto digito este texto.
Hoje tenho certeza de que, se eu tivesse comido a maçã dessa Eva, nossas vidas seriam completamente diferentes. Poderíamos estar casados há três décadas, pais de filhos já formados. Mas Deus não quis.
Em fevereiro de 2026, afirmo com convicção: não tenho 0,1% de arrependimento pensando em “e se…”. Venci na vida — e não ter comido aquela maçã em 1993 foi fundamental para essa vitória.
Paradoxalmente, apesar de ser completamente apaixonado por essa Eva, sem conseguir me expressar, fiquei profundamente incomodado ao vê-la com outro homem nos recreios do Coteba em 1993. Para não me sentir ainda mais humilhado em 1994, isso foi o estopim para eu me matricular no Colégio Santa Mônica, em Mogi das Cruzes, no 1º colegial.
Minha mente se abriu como um paraquedas. Repeti de ano, voltei ao Coteba em 1995, e Eva já havia passado no vestibular da UMC. Esse retorno foi transformador: em 1994 tive a convicção de que queria ser jornalista. Entre 1995 e 1998 fiz uma autopreparação intensa para isso.
Ignorei matérias exatas, repeti de ano novamente em 1996 e precisei de recuperação final até perto do Natal nos anos seguintes. Eu era o mais velho da sala, e em 1997 já tinha um Gol branco 0 km. Ia à casa de algumas garotas — mas a esquizofreniforme era meu “freio de mão”.
Em 1999, ao entrar na UMC para cursar Jornalismo, percebi desde os primeiros dias que chamava a atenção das mulheres, pois cumprimentava todas efusivamente. Hoje vejo que minha condição se exacerbou, especialmente com uma colega que hoje é locutora da Alpha FM. Sempre que a ouço, mentalmente peço perdão e fico feliz por sua vitória na vida.
Minha primeira experiência sexual ocorreu em 22/11/2001, numa república feminina próxima à UMC, como presente de aniversário atrasado. Saí de lá comemorando como jogador que marca um golaço — e perdi meu caderno do 3º ano. Só percebi em janeiro de 2003. Até hoje rio disso.
Em 1º de julho de 2003, decidi ir a um prostíbulo. Entre 2003 e 2013, contabilizei cerca de 30 mil reais gastos nesses locais, sempre em dinheiro vivo. Em dezembro de 2010 mudei-me para São Paulo, e tudo começou a mudar.
Em outubro de 2012 fui diagnosticado com esquizofreniforme e passei a tomar risperidona, que me causou impotência sexual. Só em 2014, ao trocar de psiquiatra, comecei a reverter os efeitos. Em 2016, ao voltar para Poá, iniciei de fato a cura da depressão.
Sou eternamente grato a Carlos Alberto Mandasano e seu filho Rodrigo Aparecido Mandasano por terem facilitado meu retorno a Poá. Desde 2018 moro em casa própria na Vila Júlia. Hoje, fevereiro de 2026, estou livre para expor quem sou.
Não me envergonho do meu passado.
Desde 2024, tenho diagnóstico de Transtorno Bipolar — e não mais esquizofreniforme. Uso risperidona em dose mínima como prevenção e Depakote (Divalcon), que mudou minha vida.
Assim como o Real Madrid é o maior clube do planeta, minha vida — aos 47 anos — é uma verdadeira Netflix. Por isso, desisti de séries e filmes: basta me lembrar do que já vivi.
Rodrigo Barbosa Veríssimo
Jornalista graduado com pós-graduação em Marketing Digital pela Universidade de Mogi das Cruzes, com extensão em Jornalismo pela ECA/USP. Atuou como repórter em jornais de Poá e na Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Poá (2005–2008). Foi espírita por mais de 34 anos e tornou-se católico em 07/01/2026. Leu cerca de 330 livros sobre humanidades e espiritualidade. Não possui redes sociais desde 10/09/2025. Mora na Vila Júlia, Poá.


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