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Crise empresarial expõe a cultura do improviso, alerta Dr. Daniel Rocha Rodrigues

Por que a inadimplência recorde exige uma nova cultura de decisão no Brasil de 2026

A inadimplência empresarial atinge patamares recordes e revela uma ferida que vai além dos números: a falta de uma cultura sólida de risco e de proteção financeira. Em um ambiente de juros elevados e câmbio instável, a forma como o empresário decide tornou-se tão decisiva quanto os índices econômicos.

Muitas empresas ainda tratam a dívida como “acidente” ou fatalidade, quando, na prática, ela costuma ser o resultado previsível de decisões tomadas no escuro. Sob a ótica do advogado Dr. Daniel Rocha Rodrigues, OAB/MG nº 128.137, a crise raramente nasce de um único evento; ela é construída em silêncios diários: contratos assinados sem leitura minuciosa, parceiros escolhidos por impulso e crédito assumido sem projeção realista de fluxo futuro. “O risco é necessário, ele traz uma recompensa maior e está na veia do empreendedor raiz. Não é por ter assumido risco, se endividado, que o negócio é ruim. Há dívida boa.” afirma Dr. Daniel.

Nesse contexto, o próprio ordenamento jurídico brasileiro oferece instrumentos tanto de disciplina quanto de reorganização empresarial. A Lei nº 11.101/2005, que regula recuperação judicial, extrajudicial e falência, não foi criada apenas para lidar com o encerramento de empresas, mas também para permitir o surgimento de negócios viáveis que atravessam crises financeiras. Ao mesmo tempo, o sistema financeiro opera sob regras rígidas de avaliação de risco, o que torna o crédito mais seletivo quando há sinais de deterioração financeira.

Para o advogado Daniel Rocha Rodrigues, especializado em reestruturação de passivo bancário, compreender a origem da dívida é tão importante quanto buscar soluções para ela. “É um erro achar que a dívida ocorreu apenas por falta de capacidade. Isso pode até contribuir, mas nunca é o único fator. Na maioria das vezes existe um conjunto de decisões tomadas sem método, sem leitura estratégica dos contratos e sem planejamento realista do fluxo financeiro”, afirma. Segundo ele, enfrentar a crise exige também um exercício de lucidez por parte do empresário. “A análise é mais profunda. Muitas vezes exige olhar para dentro e entender quais padrões de decisão levaram o negócio até aquele ponto. Empreender também exige consciência sobre a forma como se decide.”

Por trás da inadimplência crescente, há um padrão recorrente: negócios que confundem coragem com imprudência e confiança com ausência de critérios. Muitos empresários assumem riscos sem construir um mapa mínimo: não verificam histórico de fornecedores, deixam de analisar a saúde financeira de parceiros estratégicos e aceitam operações bancárias complexas sem assessoria especializada. A dívida surge como resposta emergencial a problemas antigos, uma solução provisória que posterga conflitos, compra tempo e mascara falhas de gestão. Na visão do Dr. Daniel Rocha Rodrigues não podemos ter achismo; “Acharem que têm todo tempo do mundo para tomar uma providência ou que o ideal é aguardar o banco processar para que procurem um profissional. Esperar demais neste cenário é incrementar o risco sem vantagem correspondente.” alerta Dr. Daniel Rocha Rodrigues.

A inadimplência recorde é, em grande medida, o retrato de uma cultura que normalizou o improviso. Em vez de política formal de risco, prevalece o “vamos ver no que dá”. Em vez de comitês, critérios e métricas, decisões relevantes são tomadas em conversas rápidas, muitas vezes sob pressão emocional ou medo de “perder a oportunidade”. A abordagem defendida pelo Dr. Daniel é incômoda e libertadora: o passivo não é um raio em céu azul, mas o efeito acumulado de padrões de decisão não confrontados. “Se você mantém a postura adequada, propositiva, com clareza do que se quer, um modelo de negócios saudável e com compromisso de fazer até o cenário melhorar, você consegue. Não é só resiliência.” ressalta ele.

Nesse cenário, compliance financeiro deixa de ser jargão técnico para se tornar linha de defesa essencial. Ele não pode aparecer apenas em auditorias ou fiscalizações pontuais; precisa estar na origem das decisões: na contratação de crédito, na análise de contratos de fornecimento e na definição de alçadas e limites internos. Compliance não significa engessar o negócio, mas criar critérios objetivos que protejam o empresário da pressa, do otimismo sem dados e das crenças herdadas do “sempre fiz assim e deu certo”. Quando o controle é frágil, a empresa se torna refém de prazos, juros e humores do mercado. “Improvisar não é necessariamente ruim, pode ser grande habilidade quando algo inesperado ocorre e você precisa propor algo diferente e rápido, ao invés de reclamar ou justificar. O problema é quando o improviso vira cultura, ou seja, quando não se tem um plano, quando o acaso guia seu negócio.” adverte o advogado.

A análise prévia de parceiros é outro ponto sensível nessa equação. Em um país em que relações pessoais ainda pesam mais que documentos, muitas alianças comerciais nascem de afinidades, não de due diligence estruturada. O resultado é que empresas financeiramente saudáveis se veem presas a parceiros frágeis, contratos mal desenhados e inadimplência em cadeia, em que a crise do outro passa a ser sua própria crise. Ignorar o risco, na visão de Dr. Daniel, é, em si, uma forma de decisão: quando o empresário não cria protocolos de análise nem busca assessoria qualificada antes de assumir compromissos de longo prazo, entrega o roteiro da própria história a terceiros. “Saiba que você é responsável, ainda que não seja o culpado. Olhe para o espelho e se pergunte como o cara que você quer se tornar agiria.” conclui Dr. Daniel.

Transformar inadimplência em reconstrução começa pelo espelho: mais do que perguntar “como sair dessa dívida?”, o empresário que enfrenta 2026 com coragem precisa decidir “como não voltar mais a esse lugar?”, adotando compliance, análise prévia de parceiros e gestão rigorosa de riscos como alicerces de uma nova fase e, o fundamental, um plano bem definido.