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Campanha do Sindicato dos Delegados escancara sucateamento da Polícia Civil e promessas não cumpridas de Tarcísio

Movimento teve início nessa terça-feira (24/2), em diversas cidades do interior paulista; com direito a outdoors espalhados nas principais vias do estado e ofensiva digital, Sindpesp fala em baixos salários, falta de estrutura e sonegação de direitos

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) deu início, nessa terça-feira (24/2), a uma campanha de esclarecimento à população acerca da realidade enfrentada, não de hoje, pela Polícia Civil e em desconstrução à propaganda oficial de Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos). Em outdoors e ofensiva digital, a entidade joga luzes à desvalorização salarial, à sonegação de direitos e ao impacto negativo deste sucateamento na Segurança Pública. Promessas eleitorais do governador, feitas na campanha de 2022 na corrida ao Palácio dos Bandeirantes, também estão sendo lembradas e cobradas na ação.

A campanha do Sindpesp acontece, numa primeira fase, em cidades do interior do estado, do Vale do Paraíba e do litoral, incluindo Araçatuba, Bauru, Campinas, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Santos e Sorocaba – só para citar algumas localidades.

Redes sociais e demais canais digitais estão sendo igualmente utilizados pelo Sindicato dos Delegados, de forma integrada, a fim de contrapor a propaganda governista – totalmente divorciada da realidade da Polícia Civil -, e potencializar a divulgação do que, de fato, acontece no dia a dia da instituição, que segue trabalhando de maneira precarizada e com baixos salários:

“A população que vive distante da capital precisa saber, de fato, como os policiais civis são tratados por este governo, que, na propaganda e no discurso, se coloca como exemplo em Segurança para todo o País, mas, na prática, sacrifica seus profissionais. A verdade precisa ser dita: trata-se de uma gestão que não entrega salários dignos para àqueles que enfrentam facções criminosas, que colocam suas vidas em risco e que têm carga de trabalho extenuante, além de insegurança financeira para o sustento de suas famílias”, complementa a presidente do Sindpesp, delegada Jacqueline Valadares.

Segundo a representante do Sindicato, o discurso populista de Tarcísio nas redes sociais gera ‘curtidas’. Contudo, “policiais não vivem de likes”:

“A realidade nas Delegacias é dura. E quando o Estado falha com os policiais, quem paga o preço é o povo. É a segurança do dia a dia da sociedade que, na ponta, está em jogo. Nos municípios do interior, a violência, decorrência da falta de investimentos por parte do Governo do Estado, também é preocupante”, alerta a líder sindical.

A ausência de uma política de valorização salarial leva à alta evasão de profissionais, de acordo com Jacqueline. Delegados, por exemplo, recebem o 4º pior salário do País – entre os 27 estados da federação. E, a falta de investimentos na Segurança Pública é geral. Para se ter ideia, São Paulo, estado mais rico do Brasil, ocupa a penúltima posição no ranking de investimento per capita nessa área, conforme aponta o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025.

Déficit de 14.377 policiais
De acordo com o Sindpesp, hoje, há um déficit de 14.377 policiais, entre delegados, escrivães, investigadores, agentes, peritos e médicos-legistas – só para citar alguns cargos. Na gestão de Tarcísio, de 2023 até janeiro de 2026, foram 5.760 as admissões. No mesmo período, porém, ocorreram 3.691 baixas, por aposentadorias, exonerações e outros motivos. Somente em janeiro deste ano, foram 113 os desligamentos da Polícia Civil bandeirante.

Sem previsão de novos concursos, a tendência, como alerta Jacqueline, é de agravamento do desprovimento da Polícia Civil já em 2026:

“Além de baixos salários e sem direitos básicos, como hora extra, adicional por trabalho noturno e auxílio-saúde, a carreira na Polícia Civil não é atrativa. Dos 3,1 mil delegados da instituição, por exemplo, somente 139 devem chegar à classe especial, ou seja, ao topo. Isso é desmotivador. Não existem sequer critérios técnicos e objetivos para a promoção em São Paulo”, lamenta.

Só promessa
Tarcísio conhece os problemas exaustivamente elencados pelo Sindpesp. Na campanha eleitoral de 2022, o republicano, então candidato a governador, prometeu que a Polícia Civil, caso fosse eleito, seria uma das mais bem pagas e equipadas do País. O político venceu nas urnas, mas não cumpriu o que prometeu. Agora, em 2026, ano em que poderá tentar a reeleição, a tendência, adverte Jacqueline, é a de que o tema Segurança Pública volte ao palanque:

“Se o governador (Tarcísio Gomes de Freitas) pretende falar em Segurança Pública, deve começar cumprindo o que deve à Polícia Civil de São Paulo: remuneração digna, política de valorização real, plano de carreira justo e condições concretas para enfrentar o crime organizado”, conclui.