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Festival de cinema faz homenagem a Zita Carvalhosa e destaca mudanças climáticas, conflitos no oriente médio, colonialismo e povos originários, ativismo feminista, saúde mental e educação

Com um total de 104 filmes, representando 27 países, a 15ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema destaca temas relacionados às mudanças climáticas, conflitos no Oriente Médio, ameaças aos territórios dos povos originários, lutas feministas e questões de gênero, saúde mental, entre outros. Na programação está uma homenagem à produtora paulista Zita Carvalhosa, falecida em 2025; uma retrospectiva histórica dedicada à trajetória do Seminário Flaherty, espaço privilegiado de reflexão sobre o cinema documentário e independente, com destaque para o papel central de sua fundadora, Frances Hubbard Flaherty; uma mostra contemporânea com os destaques do cinema socioambiental internacional; duas competições exclusivas para filmes brasileiros de longa e curta-metragem; e vários outros programas. São dirigidas ou codirigidas por cineastas mulheres 59 – ou 56,7% – das obras.

Considerado o mais importante evento audiovisual da América do Sul focado em questões socioambientais, o festival acontece de 28 de maio a 10 de junho na cidade de São Paulo, ocupando o Reserva Cultural, Centro Cultural São Paulo e mais 28 espaços culturais do Circuito Spcine, sempre com entrada gratuita. Além das exibições de filmes, estão agendados debates, encontros, bate-papos com realizadores e críticos de cinema, oficinas e uma masterclass com o convidado internacional Sami van Ingen. Seleções de filmes ficam disponibilizadas também em duas plataformas de streaming parceiras, ambas com acesso gratuito: Itaú Cultural Play e Spcine Play. Mais detalhes sobre a programação podem ser acessados através dos endereços https://ecofalante.org.br/ e https://www.instagram.com/mostraecofalante/

A grande homenageada desta edição da Mostra Ecofalante de Cinema é a produtora Zita Carvalhosa (1960-2025). Importante nome da área audiovisual brasileira, ela assina a produção executiva de 59 séries, longas e curtas-metragens. Também comandou o Kinoforum – Festival Internacional de Curtas de São Paulo e as Oficinas Kinoforum de Realização Audiovisual. A seleção de sua produção com temáticas socioambientais exibida na Mostra inclui os longas “O Cineasta da Selva”, de Aurélio Michiles, “Carvão”, de Carolina Markowicz, e “Fé”, de Ricardo Dias, ao lado dos curtas “Distraída para a Morte”, (Jeferson De), “A Alma do Negócio” (José Roberto Torero) e “Onde São Paulo Acaba” (Andrea Seligmann).

A atração de abertura do evento, em 27/05, exclusiva para convidados, é “O Urso Inconveniente”, uma coprodução entre os EUA e o Reino Unido ainda inédita no Brasil.  O longa causou forte impacto no Festival de Sundance deste ano, quando venceu o grande prêmio do júri para documentários. Dirigido por Gabriela Osio Vanden e Jack Weisman, o filme acompanha o caminho tradicional de migração de um urso polar, que se aproxima de áreas povoadas, gerando conflitos entre os interesses humanos e a natureza selvagem.

Entre os destaques da programação estão filmes que têm entre seus produtores executivos o ator Leonardo DiCaprio e o diretor Ang Lee. DiCaprio está na equipe de “O Grande Lago Salgado”, longa dirigido por Abby Ellis inédito do Brasil que foi premiado no Festival de Sundance. A obra descreve o secamento do Grande Lago Salgado (Great Salt Lake), em Utah (EUA), liberando componentes depositados em seu fundo sob a forma de poeira tóxica e contaminando o ar da região. Já Ang Lee é um dos responsáveis por “À Deriva: 76 Dias Perdido no Mar”, uma abordagem da epopéia do velejador Steven Callahan, que sobreviveu 76 dias sozinho em um bote salva-vidas cruzando o Atlântico.

Uma série de debates discutem questões urgentes ligadas às questões socioambientais e dialogam com filmes da programação. O encontro “Emergência Climática & Crise Ambiental”, agendado para 28/05, reúne o físico Paulo Artaxo (USP), a advogada pública e pesquisadora Erika Pires Ramos, da Rede Sul-Americana para as Migrações Ambientais (RESAMA), e o cientista José Antonio Marengo Orsini, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais – Cemaden/MCTI, com mediação da jornalista Daniela Chiaretti. O filme exibido antes do debate é o espanhol “Bangladesh Submersa”, de Lucía Benito. Vencedora do prêmio de melhor filme socioambiental no Festival de Guadalajara e inédita no Brasil, a obra acompanha uma família de Bangladeshse preparando para escapar do clima extremo que assola a região em que vivem.

No dia 29/05, o tema do debate é “Colonialismo, Território e Povos Originários: Histórias de saques e violências”, sendo que o filme exibido é “Nossa Terra”, primeiro documentário dirigido pela aclamada cineasta argentina Lucrecia Martel (de “O Pântano” e “A Menina Santa”). Ainda inédito em São Paulo, o longa foi lançado no Festival de Veneza, venceu o BFI London Film Festival e foi premiado no Festival de Locarno. A revista The Hollywood Reporter definiu o filme como uma “crônica contundente” e um “documentário visualmente esplêndido”, destacando a forma meticulosa e expressiva com que o cinema de Martel retrata o roubo histórico das terras da comunidade indígena Chuschagasta e a sua resistência. A programação reserva ainda espaço para outras três obras relacionadas a esse debate. Vencedor do prêmio de patrimônio cultural imaterial no festival Cinéma du Réel (França), “Suriname, a Lei do Rio e a do Dinheiro”, de Lonnie van Brummelen, Siebren de Haan e Tolin Alexander, acompanha um barqueiro quilombola na floresta tropical do Suriname que navega entre as tradições ancestrais e o capitalismo moderno. É inédito no Brasil, assim como o peruano “Runa Simi”, no qual Augusto Zegarra foi eleito como o melhor diretor de documentário estreante no Festival de Tribeca. No filme, um dublador peruano tenta convencer a The Walt Disney Company a dublar o filme “O Rei Leão” (1994) para o quíchua, na esperança de salvar sua língua nativa. Já a coprodução de Uganda e Suécia elogiada por seu tratamento visual “O Sal de Katwe”, de Nima Shirali, focaliza as duras condições de trabalho e vida de extrativistas   de sal na região de Katwe, em Uganda. Em outros tempos, seu lago salgado foi massivamente explorado por colonizadores alemães, mas hoje o local e seus habitantes encontram-se abandonados à própria sorte.

Os conflitos na região do Oriente Médio também são temas de dois dos debates programados em 2026. “Oriente Médio: Conflitos, Guerra e Memória” e “Palestina: Apagamentos e Resistências”. O primeiro, programado para 1/06, tem a participação da professora Safa Jubran (USP) e de Mariana Duccini, pesquisadora da área de cinema e arquivo com doutorado pela ECA-USP. Na data, está programada a exibição do longa “Você Me Ama”, no qual a cineasta Lana Daher partiu de mais de 20 mil horas de material de arquivo para contar uma história recente do Líbano através de imagens que ajudaram a formar o imaginário e a identidade de seus habitantes. Lançado no Festival de Veneza e premiado nos festivais Doc Point (Finlândia) e Hamburgo, trata-se de uma viagem íntima por 70 anos de memórias audiovisuais do Líbano, reunindo desde filmes a vídeos caseiros, passando por programas de tv e fotos. Dois outros títulos em exibição, ambos inéditos no Brasil, dialogam com o tema. “Os Leões do Rio Tigre”, uma coprodução Noruega/Países Baixos dirigida por Zaradasht Ahmed, mostra uma cidade devastada durante a batalha pela libertação do Estado Islâmico, e sua luta para curar e preservar sua identidade, cultura e arte, tendo sido selecionado para os importantes festivais de documentários CPH:DOX (Copenhague), DOC NYC (Nova York) e no alemão DOK Leipzig. Finalmente, “Jerusalém, a Lei da Pedra”, de Danae Elon, promove uma análise aprofundada e instigante da arquitetura israelense e do tipo de pedra que moldou a Jerusalém moderna e foi usada para controlar a cidade, tendo sido recebido com elogios nos festivais de documentários IDFA – Amsterdã e DocAviv (Israel).

Já o debate “Palestina: Apagamentos e Resistências”, em 3/06, tem inspiração no filme “Partition”, de Diana Allan, que mescla imagens de arquivo da Palestina sob ocupação britânica com áudios de refugiados palestinos no Líbano. Selecionado para o prestigioso Festival de Roterdã e inédito no Brasil, o longa revela os fios invisíveis que conectam o passado e o presente da região utilizando uma montagem dialética e uma banda de som assíncrono. Também focado na Palestina, “Os Gêmeos de Gaza”, é dirigido por diretor por Mohammed Sawwaf, uma das vozes decisivas para que muitas das histórias de apartheid, guerra e genocídio em Gaza chegassem ao Ocidente. Também inédito no Brasil, o filme acompanha uma mãe que enfrenta obstáculos angustiantes e barreiras militares enquanto luta para se reunir com seus gêmeos recém-nascidos. No sueco “Yalla Parkour”, exibido no Festival de Berlim, a cineasta palestina-jordaniana-americana Areeb Zuaiter cruza o caminho de um atleta de parkour em Gaza, dando início a uma jornada onde aspirações conflitantes se cruzam.

O tema do encontro em 4/06 é “Feminismos, Corpo e Lutas de Gênero”, com quatro filmes da programação a ele relacionados. Em “Escrevendo a Vida – Annie Ernaux pelos Olhos dos Estudantes”, a realizadora francesa Claire Simon aborda os diferentes olhares marcados por um forte viés de gênero de  jovens estudantes sobre a obra de  Annie Ernaux, autora vencedora do Prêmio Nobel de Literatura. Selecionado para o Festival de Tribeca, “Artista dos Rejeitos”, de Toby Perl Freilich, focaliza o trabalho e o percurso da artista visual Mierle Laderman Ukeles, que combina arte e engajamento para falar do importante tema da gestão de resíduos urbanos e toda sua cadeia de trabalho invisível. Já “Rompendo Rochas”, dirigido por Sara Khaki e Mohammadreza Eyni, foi indicado ao Oscar de melhor documentário e venceu o grande prêmio do júri para documentário internacional no Festival de Sundance. Sua protagonista é a primeira mulher eleita para o conselho local de seu conservador povoado no noroeste do Irã, gerando reações adversas e acusações sobre suas motivações. Por sua vez, no longa “Sem Dó Nem Piedade”, a realizadora Isa Willinger questiona se o cinema feminino se caracteriza por uma dureza particular. O filme, que investiga poder, violência e representação, mesclando história, crítica e manifesto, conta com participação das cineastas Céline Sciamma, Virginie Despentes, Nina Menkes, Catherine Breillat, Apolline Traoré e Joey Soloway.

Educação, tema discutido em “Escrevendo a Vida – Annie Ernaux pelos Olhos dos Estudantes”, está no centro de outro título assinado por Claire Simon, “Aprender”. Inédito no Brasil, o longa tem como protagonistas professores e seus desafios diários. Reconhecido mundialmente como um dos mais importantes pensadores da pedagogia, o brasileiro Paulo Freire (1921-1997) criou uma pedagogia crítica e libertadora, que transforma a educação em ferramenta de conscientização e transformação social, rompendo com o modelo tradicional de ensino. Ele tem seu projeto de alfabetização de adultos recuperado em “Lendo o Mundo”, obra dirigida por Catherine Murphy e Iris de Oliveira eleita como o melhor documentário no Festival de Gramado e vencedor do Prêmio Corazón Feliz no Festival de Havana. Já “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, foi a atração de abertura da mostra Generation do Festival de Berlim 2026. Nele, meninas no sertão do Piauí equilibram a infância lúdica com a transição para a adolescência, incluindo seus sonhos e as diferenças de gênero. Educação também está presente nos curtas-metragens brasileiros “Da Aldeia à Universidade”, “Mestrinhos”, “Nioladi”, “Saber Brincar”, “Ser Cria” e “Um Pé de Caju”.

Saúde mental é discutido em 5/06 no debate “Sociedade do Cansaço: Solidão, Trabalho e a Reconstrução do Comum”, que conta com a presença da professora e pesquisadora Ludmila Costhek Abílio. O encontro está ancorado na exibição de “Querido Amanhã”, obra dirigida por Kaspar Astrup Schröder que focaliza três indivíduos isolados no Japão que encontram consolo por meio de um serviço de bate-papo patrocinado pelo governo. Também conectado com o tema do encontro, o filme francês “A Vida Real”. Nele, os diretores Ekiem Barbier e Guilhem Causse propõem a um jovem ator habitar um avatar virtual e explorar uma simulação de vida online. Ambas as produções são inéditas no Brasil.

Debate organizado em parceria com a Anistia Internacional, “Democracia, Ética e Justiça” acontece em 2/06 e está ancorado no longa “O Silêncio da Terra”, produção da Espanha juntamente com a França e a Bélgica dirigida por Frank Gutiérrez que trata dos assassinatos de quatro defensores do meio ambiente latino-americanos: Berta Cáceres (Honduras), Paulo Paulino Guajajara (Brasil) e Ildefonso e Aldo Zamora (México). Inédito no Brasil, o filme é apresentado “como um testemunho direto da luta de comunidades e famílias que continuam a enfrentar ameaças, criminalização e impunidade”. Duas produções alemãs, inéditas em telas brasileiras, também dialogam com o tema do encontro. “Desmascarando Elon Musk”, de Andreas Pichler, utiliza informações vazadas de 100 GB de documentos internos da Tesla para denunciar como a empresa tem repetidamente reduzido a segurança em favor de experimentos e tecnologias inovadoras, e traça a ascensão meteórica de Musk e sua guinada em direção a Donald Trump. Já “Soldados da Luz” explora o crescente cenário de influenciadores, coaches e curandeiros autoproclamados que espalham narrativas conspiratórias e mantêm laços estreitos com movimentos antidemocráticos. Dirigida por Julian Vogel e Johannes Büttner, a obra foi selecionada para os festivais de documentários Visions du Réel (Suíça) e DOK.fest (Alemanha).

Um total de 51 títulos brasileiros recentes foram selecionados para as duas mostras competitivas do evento. São produções representando o Distrito Federal e mais 19 estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, São Paulo, Sergipe e Tocantins. Para a competição Territórios e Memórias, voltada a curtas e longas-metragens que discutam temas sociais e ambientais no Brasil, estão selecionados 12 longas e 19 curtas-metragens. Um dos destaques é “Arquivo Vivo”, dirigido por Vincent Carelli (de “Corumbiara” e “Martírio”) que é exibido em première mundial. A obra recapitula os 40 anos de atuação junto a comunidades indígenas pelo projeto Vídeo nas Aldeias, reunindo um acervo histórico e devolvendo essas imagens às novas gerações das primeiras populações visitadas. Os demais longas da competição são “A Fabulosa Máquina do Tempo” (de Eliza Capai), “Amazônia Oktoberfesta” (Sérgio Oliveira e Felipe Drehmer), “Até Onde a Vista Alcança” (Alice Villela e Hidalgo Romero), “Futuro Futuro” (Davi Pretto), “Minha Terra Estrangeira” (Coletivo Lakapoy, Louise Botkay e João Moreira Salles), “Movimento Perpétuo” (Leandro Alves), “Na Passagem do Trópico” (Francisco Miguez), “Nimuendajú” (Tania Anaya) e o inédito no Brasil “Mounir”, de Juliana Borges, além de outras duas estreias mundiais: “Benvindos” (Luana Cabral) e “O Jardim de Maria” (Jade Rainho). Por sua vez, o Concurso Curta Ecofalante é uma competição exclusiva para curtas-metragens realizados por estudantes (ensino superior, técnico, livre ou médio) e teve 20 obras selecionadas.

Em 2026, a Mostra Ecofalante de Cinema dedica seu Panorama Histórico ao legado do Flaherty Film Seminar, iniciativa sediada em Nova York que presta homenagem a Robert J. Flaherty (1884-1951), pioneiro realizador que definiu o cinema documental em “Nanook, o Esquimó” (1922). Criado em 1955 por Frances Hubbard Flaherty, esposa e colaboradora de longa data do cineasta, o seminário tornou-se referência entre cineastas, artistas, curadores e críticos. Intitulada “The Flaherty Way e os Contra-cinemas”, a programação reúne cinco títulos icônicos que passaram pelo seminário, abrangendo diferentes décadas. O grande destaque é “Harlan County: Tragédia Americana” (1976), obra da diretora Barbara Kopple, que venceu o Oscar de documentários e registra, de forma comovente da luta de treze meses entre uma comunidade que luta para sobreviver e uma corporação dedicada aos resultados financeiros. Estão programados ainda o clássico “Nanook, o Esquimó”; o vanguardista “Para Sempre Condenadas” (1987), de Su Friedrich, sobre desejos reprimidos, a culpa católica e a sexualidade lésbica; “Remontagem” (1983), no qual a diretora Trinh T. Minh-há desafia os métodos documentais etnográficos convencionais para desconstruir a representação colonial; o iraniano vencedor do prêmio Câmera de Ouro e o prêmio da crítica internacional no Festival de Cannes “Tempo de Embebedar Cavalos” (2000), de Bahman Ghobadi, “Sombras Reveladas” (2025), longa que, a partir de material de arquivo inédito, examina a trajetória de Frances Hubbard Flaherty e seu papel fundamental na construção da obra e do legado do cineasta Robert J. Flaherty. Frances foi uma colaboradora decisiva em diversos filmes do diretor, atuando na produção, na escrita, na edição e, posteriormente, na preservação e difusão de sua obra. Seu diretor, Sami van Ingen, bisneto de Robert J. Flaherty e de Francis Hubbard Flaherty, tem presença confirmada em São Paulo, onde ministra masterclass sobre o processo de pesquisa do filme “Sombras Reveladas”.

Cinco filmes integram os Programas Especiais em 2025. Além de “Aprender”, de Claire Simon, e “Lendo o Mundo”, de Catherine Murphy e Iris de Oliveira, estão incluídas mais três outras produções. As belezas e os problemas críticos do mais importante rio paulista estão em foco em “Tietê: Águas Verdadeiras”, longa inédito em festivais dirigido por Rodrigo Campos. Projeto idealizado por Guilherme Brammer e dirigido por Sylvio Rocha, “A Economia da Esperança” é um road movie inédito que tenta descobrir, no Brasil e na Coréia do Sul, se é possível construir negócios que regenerem o planeta e ainda sejam viáveis. Completa a seção a produção francesa “Longe dos Holofotes”, de Jérémie Battaglia, que focaliza aqueles que trabalham para a marca VEJA no Brasil. A marca francesa de tênis sustentáveis é reconhecida pelo uso de materiais ecológicos, como borracha da Amazônia e algodão orgânico, e focada no comércio justo.

Finalmente, uma seção é dedicada ao programa Ecofalante Educação, promovido pela mesma organização social responsável pela Mostra Ecofalante de Cinema. A iniciativa promove de forma permanente a integração entre cinema, educação e cidadania, levando o audiovisual a escolas e universidades de todo o Brasil por meio de um catálogo de filmes, curadorias temáticas, debates e atividades formativas. Conta ainda com a plataforma gratuita Ecofalante Play, que oferece a educadoras e educadores acesso a mais de 300 filmes, materiais de apoio e acompanhamento da equipe Ecofalante para a realização de exibições em instituições de ensino. Nesta edição do festival estão programadas 12 produções, cinco delas resultado de parceria com o evento francês FIFE – Festival International du Film d’Éducation: “Aqui” (de Aurélia Hollart, (França), “Kuap” (Nils Hediger, Suíça), “Matilda” (Vito Palmieri, Itália), “Meu Amigo Nietzsche” (Fáuston da Silva, Brasil) e “Meu Avô Estranho” (Dina Velikovskaya, Rússia). Voltado ao público infantil, o longa brasileiro “Sete Cores da Amazônia”, de Ana Lígia Pimentel, acompanha uma menina que vive em uma palafita da periferia de Manaus e embarca em uma jornada de descoberta de suas raízes indígenas. Completa a programação para espaços da Secretária Municipal de Educação de São Paulo a série de filmes com o título de “Narrativas do Clima: Os Caminhos para o Lixo Zero”. Nela estão reunidos o curta-metragem norueguês “Um Sonho de Havaí” (de Thomas Smoor Isaksen) e os brasileiros “A Incrível Aventura das Sonhadoras Crianças contra Lixeira Furada e Capitão Sujeira” Beatriz Ohana), “Cata” (Lucas Sá), “Os Pequenos Mundos, uma Aventura com Caixas” (Sandra Coelho) e “Tsuru” (Pedro Anias).

sobre os programas

Homenagem Zita Carvalhosa

A homenageada desta edição da Mostra Ecofalante de Cinema é a produtora Zita Carvalhosa, precocemente falecida em 2025. Importante nome da área audiovisual brasileira, ela criou e comandou iniciativas pioneiras que ser tornaram referências, coo o Kinoforum – Festival Internacional de Curtas de São Paulo e as Oficinas Kinoforum de Realização Audiovisual. Foi também produtora executiva de 59 obras, entre séries, longas e curtas-metragens. Uma pequena mostra dessa produção está representada na programação da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema, reunindo seis títulos realizados no período de 1994 a 2022 e que conta com apoio da Cinemateca Brasileiro.

“O Cineasta da Selva” (1997), dirigido por Aurélio Michiles, é um documentário vencedor de quatro prêmios no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro que narra a vida e obra de Silvino Santos (1886-1970), um cineasta português pioneiro que registrou a Amazônia. O filme aborda sua trajetória desde a chegada ao Brasil, seu envolvimento com o cinema e sua dedicação em filmar a região amazônica, tendo se tornado um mito da selva e um dos pioneiros do nosso cinema.

Longa de estreia da diretora Carolina Markowicz, o perturbador “Carvão” (2022) acompanha uma família no interior que decide hospedar um traficante argentino para ganhar dinheiro. Estrelado por Maeve Jinkings, Romulo Braga, Camila Márdila e César Bordón, a obra foi vencedora dos prêmios de melhor roteiro, direção de arte e atriz coadjuvante no Festival do Rio e do prêmio da crítica e Prix Lycéen de la Fiction no Cinélatino – Festival de Latino-americano em Toulouse (França), entre outras láureas internacionais.

Dirigido por Ricardo Dias, o documentário “Fé” (1999) focaliza a religião e a fé no Brasil atual. Estão em destaque o poder da fé, as grandes festas religiosas, os rituais marcantes das diferentes religiões, seitas e cultos, os pastores e os fiéis. A obra foi premiada no Festival Biarritz Amerique Latine (França) e foi selecionada para o IDFA-Amsterdã e para o Festival de Havana, entre outros.

Exibido em festivais no Brasil, na Alemanha e em Burkina Fasso, o curta-metragem “Distraída para a Morte” (2001) aborda temas como racismo e exclusão social ao acompanhar três adolescentes negros que perambulam pela cidade de São Paulo. O diretor Jeferson De (de “Bróder” e “Doutor Gama”) é reconhecido por sua luta por representatividade e pela criação de narrativas protagonizadas por pessoas negras. Segundo ele, “Distraída para a Morte” é um filme sobre “a força que provém da fragilidade”.

Assinado por José Roberto Torero – também escritor, com 69 livros publicados –, “A Alma do Negócio” (1996) é frequentemente citado como um clássico do curta-metragem brasileiro dos anos 1990. Premiado em eventos no Brasil, nos EUA e na Grécia, o filme é uma sátira do universo publicitário que acompanha um “casal propaganda” perfeito e sua vida idealizada.

Por sua vez, o curta-metragem “Onde São Paulo Acaba” (1994), dirigido por Andrea Seligmann, acompanha um dia na vida de dois amigos moradores do bairro de Grajaú, na periferia sul da cidade de São Paulo. Entre os temas abordados estão o rap, futebol, violência e drogas. Vencedora do prêmio da crítica no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, a obra foi exibida nos festivais de Roterdã, Havana, Barcelona e outros 11 eventos internacionais.

Panorama Internacional Contemporâneo

Seção que reúne os grandes destaques recentes do circuito mundial, o Panorama Internacional Contemporâneo exibe em 2026 um total de 24 filmes, representando 21 países. Entre as principais temáticas presentes na seleção estão emergência climática, conflitos no Oriente Médio, povos originários, gênero, colonialismo, educação e Inteligência Artificial, entre outros.    

“Nossa Terra” é o primeiro documentário assinado pela consagrada cineasta argentina Lucrecia Martel, diretora de “O Pântano” (2001), “A Menina Santa” (2004), “A Mulher Sem Cabeça” (2007) e “Zama” (2018). Exibido no Festival de Veneza e premiado no Festival de Locarno, o filme é uma crônica contundente que retrata a trajetória de uma liderança indígena e legado colonialista do roubo de terras e propriedades em toda a América Latina.

Na produção alemã “Desmascarando Elon Musk” o diretor Andreas Pichler revela, a partir de dados vazados da Tesla, o padrão desse magnata da tecnologia: anunciar grandes planos, impulsionar a execução independentemente da precisão ou do impacto humano. O longa-metragem já foi descrito como um olhar sobre “o que acontece quando um homem poderoso começa a ver o mundo inteiro como seu parque de diversões”.

“À Deriva: 76 Dias Perdido no Mar” tem entre os produtores executivos o cineasta Ang Lee, por duas vezes vencedor do Oscar de melhor diretor, por “O Segredo de Brokeback Mountain” e “As Aventuras de Pi”. Neste filme dirigido pelo norte-americano Joe Wein é abordada a epopeia do velejador Steven Callahan que, após uma baleia atingir seu barco, sobreviveu 76 dias sozinho em um bote salva-vidas cruzando o Atlântico.  

Um perturbador mergulho no mundo digital é proporcionado pelo longa francês “A Vida Real”. Seus diretores, Ekiem Barbier e Guilhem Causse, propuseram ao ator Victor Assié explorar uma simulação on-line da vida cotidiana como um avatar e conhecer seus usuários, interpretando a si mesmo. Através de suas peregrinações complicadas, mas hilárias, ele descobre um mundo novo, porém familiar.  

Arte combinada com gerenciamento de resíduos é foco da carreira da inovadora artista Mierle Laderman Ukeles, focalizada em “Artista dos Rejeitos”, do diretor Toby Perl Freilich. Ukeles é pioneira no ecofeminismo e na arte de prática social e trouxe o trabalho invisível da limpeza, do cuidado e da maternidade para o espaço público, tornando-o o foco de sua prática artística.

Produção espanhola dirigida por Lucía Benito, “Bangladesh Submersa” alerta: até 2050, quase 20% do litoral sul desse país asiático estará inabitável e 30 milhões de pessoas serão deslocadas. O filme acompanha uma família que se prepara para escapar do clima extremo e fugir para Dhaka – a cidade que cresce mais rapidamente no mundo – e foi vencedor do prêmio de melhor filme socioambiental no Festival de Guadalajara. Na ocasião da premiação, o júri do evento reconheceu a obra “pelo seu profundo impacto emocional ao abordar uma questão que afeta famílias, comunidades e cidades inteiras, com uma clara ressonância global”.

“Escrevendo a Vida – Annie Ernaux pelos Olhos dos Estudantes” é um dos títulos dirigidos por Claire Simon presentes na 15ª Mostra Ecofalante de Cinema deste ano, ao lado de “Aprender”, incluído nos Programas Especiais. Figura central do feminismo contemporâneo e vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, Annie Ernaux personifica a emancipação individual e coletiva, entre o íntimo e o universal. O filme indaga o que os jovens veem nas obras dessa autora. O longa, uma produção francesa que esteve selecionada para o Festival de Veneza, acompanha discussões em sala de aula sobre feminismo, contexto social e suas próprias vidas. “A ideia era contar essa história sem Annie Ernaux, usando apenas seus livros”, explicou Simon à Variety.

No rigoroso inverno da Mongólia, dois amigos embarcam em uma missão assustadora para proteger 2.000 cavalos. A jornada deles, um teste de resistência e uma luta para manter vivos os costumes antigos em meio a uma paisagem em mudança, é retratada no australiano “Inverno Implacável”, de Kasimir Burgess. Uma obra imersiva e intimista”, o longa propõe uma análise aprofundada e instigante da arquitetura israelense e do tipo de pedra que moldou a Jerusalém moderna e foi usada para controlar a cidade.

Leonardo DiCaprio é um dos produtores executivos de “O Grande Lago Salgado”, longa dirigido por Abby Ellis que foi vencedor de prêmio especial do júri no Festival de Sundance. O filme descreve o secamento do Great Salt Lake (Utha, EUA) como uma “bomba atômica ambiental”: se o lago secar completamente, seu leito exposto liberará poeira tóxica –contendo altos níveis de arsênico, chumbo e mercúrio – que se tornará aérea, contaminando o ar da região metropolitana em torno.

Grande vencedor do grande prêmio do júri para documentários no Festival de Sundance, “O Urso Inconveniente” acompanha o caminho tradicional de migração de um urso polar. O animal chega a áreas povoadas, gerando conflitos entre os interesses humanos e a natureza selvagem enquanto. Ao mesmo tempo, ele luta para sobreviver em um mundo em mudança. Em um retrato impactante, os diretores Gabriela Osio Vanden e Jack Weisman mostram que quando um predador sagrado passa a ser rotulado como um incômodo, torna-se incerto quem realmente pertence a essa paisagem compartilhada.

Em “O Sal de Katwe”, de Nima Shirali, uma fábrica de sal abandonada projeta a sombra de uma promessa não cumprida devido a inundações sazonais, preços em queda e trabalho tóxico, enquanto os políticos prometem libertar a comunidade da pobreza. De andamento espirituoso e impactante visualmente, o filme é uma coprodução entre a Suécia e Uganda que reúne um mosaico de personagens, revelando as dificuldades históricas dos trabalhadores do sal.

Uma coprodução Espanha/França/Bélgica, “O Silêncio da Terra” focaliza o assassinato de quatro defensores ambientais latino-americanos: o brasileiro Paulo Paulino Guajajara (1993-2019), Berta Cáceres (1971-2016), de Honduras, e os mexicanos Ildefonso (1961-2020) e Aldo Zamora (1985-2007). Esses ativistas ambientais foram brutalmente assassinados na América Latina por se opor a grandes corporações multinacionais e seus interesses. O diretor Frank Gutiérrez define o documentário como “um ato de reparação” que busca “não apenas denunciar, mas também proteger”. “O que é tornado visível é mais difícil de apagar”, afirma ele.

O cineasta Mohammed Sawwaf, tornou-se uma das vozes decisivas para que muitas das histórias de apartheid, guerra e genocídio em Gaza chegassem ao Ocidente. Seu mais recente filme, “Os Gêmeos de Gaza”, é uma das atrações da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema. O documentário conta a emocionante história de uma mãe que, no caos da Gaza em tempos de guerra, é separada de seus gêmeos recém-nascidos. O diretor acompanhou a família durante longos meses, registrando o crescimento dos bebés entre explosões, tendas improvisadas e fugas sucessivas. Em paralelo, o filme registra a espera interminável da mãe, presa no norte da região, exausta, faminta, sem notícias, consciente de que o tempo trabalha contra ela. 

No longa-metragem “Os Leões do Rio Tigre”, uma coprodução Noruega/Países Baixos, o diretor Zaradasht Ahmed narra uma história de esperança em uma cidade devastada pela guerra. A obra focaliza a bela e antiga cidade iraquiana de Mosul, que foi conquistada pelo Estado Islâmico e se tornou um dos lugares mais odiados do mundo. Na guerra de libertação, a Cidade Velha ficou em ruínas. Agora, a população da cidade tenta se reerguer.

Selecionado para o prestigioso Festival de Roterdã e vencedor do grande prêmio da competição nacional no Festival de Documentários de Montreal, no Canadá, “Partition” mescla imagens de arquivo da Palestina sob ocupação britânica com áudios de refugiados palestinos no Líbano. A diretora Diana Allan utiliza imagens de arquivo dos períodos colonial e sob Mandato Britânico da Palestina (1917-1948), além de gravações de áudio de refugiados palestinos no Líbano, trazendo à tona histórias que há muito tempo permanecem à margem da sociedade. O resultado é ousado, utilizando montagem dialética e som assíncrono.

Na coprodução Dinamarca/Suécia/Japão “Querido Amanhã”, o diretor Kaspar Astrup Schröder volta suas câmeras para três indivíduos isolados no Japão que encontram consolo por meio de um serviço de bate-papo patrocinado pelo governo, levando-os a explorar conexões significativas no mundo real. Com o apoio do serviço e o foco do governo japonês no combate à solidão, eles finalmente encontram um lugar para onde recorrer. Conscientes de sua necessidade de conexão humana, embarcam em uma jornada rumo à cura e à renovação. O longa-metragem tem circulado em vitrines importantes, como o Festival SXSW (EUA), entre outros eventos.

“Rompendo Rochas” acumula carreira de grande prestígio: a obra foi indicado ao Oscar de melhor documentário, venceu o prêmio de melhor documentário no Festival de Sundance e conquistou o prêmio do público no IDFA-Amsterdã e no Visions du Réel (Suíça), dois dos mais renomados festivais dedicados à produção documental. No centro do enredo está uma ex-parteira, divorciada e motociclista que se tornou a primeira mulher eleita para o conselho local de seu conservador povoado no noroeste do Irã. Corajosa e direta, ela pressiona por reformas ousadas e desafia abertamente as normas patriarcais, recebendo reações adversas e acusações sobre suas motivações. Os diretores do filme, Sara Khaki e Mohammadreza Eyni, são os mesmos de “Convergence”, produção original da Netflix que recebeu uma indicação ao Emmy 2022.

Por sua vez, a produção peruana “Runa Simi”, de Augusto Zegarra, venceu o Prêmio Albert Maysles para melhor novo diretor de documentário no importante Festival de Tribeca (EUA), além de acumular o prêmio do público nos festivais de Miami, Lima PUCP e no Biarritz Amerique Latine (França). No filme, um dublador peruano embarca em uma missão audaciosa para convencer a The Walt Disney Company a dublar o filme “O Rei Leão” (1994) para o quíchua, na esperança de salvar sua língua nativa – mas descobre, ao lado de seu filho de oito anos, que essa jornada se tornará uma odisseia profundamente pessoal sobre paternidade e ativismo.

Na produção alemã “Sem Dó Nem Piedade”, sua realizadora, a cineasta Isa Willinger, encontra diversas diretoras renomadas e pessoas não-binárias, de Alice Diop a Virginie Despentes e Céline Sciamma, para discutir cinema e examinar o que é chamado de “olhar feminino”. Uma investigação sobre poder, violência e representação, mesclando história, crítica e manifesto, o filme se constitui em um radical manifesto cinematográfico.

O crescente cenário de influenciadores, coaches e curandeiros autoproclamados que espalham narrativas conspiratórias está em foco no longa alemão “Soldados da Luz”, de Julian Vogel e Johannes Büttner. São dois os protagonistas principais da obra: um está ligado com movimentos de extrema direita; outro, que trabalha para esse influenciador vegano crudívoro, tenta curar seus delírios psicóticos com suplementos alimentares e jejum. O filme causou impacto por adotar estilo observacional, dispensando em grande parte comentários ou análises psicológicas.

Vencedor do prêmio de patrimônio cultural imaterial no importante festival de documentários Cinéma du Réel, na França, “Suriname, a Lei do Rio e a do Dinheiro” acompanha um barqueiro quilombola na floresta tropical na fronteira entre o Suriname e a Guiana Francesa. Ele navega entre as tradições ancestrais e o capitalismo moderno enquanto entrega suprimentos para comunidades remotas, à medida que as mudanças ambientais e a mineração de ouro ameaçam seu modo de vida. Os diretores Lonnie van Brummelen, Siebren de Haan e Tolin Alexander mostram no filme que as mudanças climáticas e a mineração de ouro corroem constantemente as fontes de vida da população local: a terra, a floresta e o rio.

No longa selecionado para o Festival de Veneza “Você Me Ama” a diretora Lana Daher promove uma viagem íntima por 70 anos de memórias audiovisuais do Líbano, tendo utilizado mais de 20 mil horas de imagens de arquivo, como filmes, vídeos caseiros e fotos. Entre alegrias e perdas, artistas e cidadãos reconstroem a história fragmentada de Beirute e celebram a expressão criativa. Essa jornada pessoal da cineasta e artista multidisciplinar radicada em Beirute reconstrói uma história fragmentada e celebra a expressão criativa como resistência, renovação e uma forma de preservar a memória.

Na produção sueca “Yalla Parkour”, a cineasta palestina-jordaniana-americana Areeb Zuaiter registra seu encontro em Gaza com um atleta de parkour, dando início a uma jornada onde aspirações conflitantes se cruzam. Exibido no Festival de Berlim e vencedor do grande prêmio do júri no DOC NYC (EUA), o filme foi aclamado por encontrar beleza e liberdade nas façanhas, por vezes angustiantes, de seu personagem, sem se deixar sucumbir aos horrores da ocupação israelense.

Territórios e Memória

Para a edição deste ano, a mostra competitiva Territórios e Memória selecionou 12 longas e 19 curtas-metragens brasileiros nos quais se discute temas sociais e ambientais do país.

Estão representados 15 estados brasileiros: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

As obras concorrem aos prêmios de melhor longa-metragem (no valor de R$ 20 mil), melhor curta-metragem (R$ 7 mil) e ao prêmio do público (troféu da edição de 2026). O júri que delibara a premiação é formado pela atriz e diretora Djin Sganzerla, o curador e cineasta Lorran Dias e Tide Borges, professora e técnica de som.

longas-metragens

Exibido em pré-estreia mundial no Festival de Berlim e vencedor do prêmio técnico-artístico no Festival de Guadalajara, “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, retrata meninas no sertão do Piauí (Guaribas) equilibrando a vida difícil de suas mães com sonhos de futuro, focando na transição para a adolescência. Com tom lúdico e doce, o filme aborda questões sociais, de gênero e a pobreza, celebrando a infância através da imaginação.

O documentário “Amazônia Oktoberfesta”, de Sérgio Oliveira e Felipe Drehmer, investiga o projeto de colonização da ditadura militar nos anos 1970, discutindo a transferência de milhares de famílias sulistas para a região Norte e focando nas consequências sociais e ambientais desse “desbravamento”.

Obra inédita em pré-estreia mundial na 15ª Mostra Ecofalante de Cinema, “Arquivo Vivo”, o mais recente longa-metragem dirigido por Vincent Carelli (de “Corumbiara”, “Martírio” e “Adeus, Capitão”), revisa a atuação junto a comunidades indígenas do projeto Vídeo nas Aldeias, do qual ele é um dos fundadores. O filme revela a devolução dos arquivos captados ao longo de 40 anos para as novas gerações das primeiras comunidades visitadas pelo projeto.

Dirigido por Alice Villela e Hidalgo Romero, “Até Onde a Vista Alcança”, focaliza três gerações de indígenas Kariri-Xocó em um road movie político e espiritual. Munidos de câmeras, drones, cachimbos, cocares e maracas, os personagens percorrem os marcos geográficos de seu território

Por sua vez, “Benvindos” focaliza os herdeiros do fundador do Quilombo do Retiro, localizado em Santa Leopoldina (ES). Trata-se de uma comunidade remanescente que preserva a cultura e a resistência quilombola e o filme destaca a sua luta em defesa do território e pela preservação da memória. O encontro com a diretora Luana Cabral, descendente distante de um antigo fazendeiro da região, revela situações de conflito

Grande premiado no último Festival de Brasília do Cinema Brasileiro; melhor fotografia e direção de arte no Festival Internacional de Cinema de Fronteira (Rio Grande do Sul (melhor filme, roteiro, montagem e menção honrosa), “Futuro Futuro”, de Davi Pretto, é uma distopia de ficção científica ambientada em um futuro próximo e brasileiro. Estão incorporadas à narrativa cenas filmadas durante a enchente de maio de 2024, o maior desastre natural da história do no Rio Grande do Sul e um dos maiores do Brasil.

Obra que acompanha a candidatura de Almir Suruí a deputado federal e a atuação de sua filha, Txai Suruí, unindo a vivência na floresta às articulações políticas, “Minha Terra Estrangeira” é assinado por João Moreira Salles (de “Santiago” e “No Intenso Agora”) em parceria com Louise Botkay e com o Coletivo Lakapoy, formado por cineastas indígenas. A trama retrata a floresta amazônica sob ataque e a luta dos líderes indígenas contra o desmatamento e o cenário político de 2022

Inédito no Brasil, “Mounir” é uma obra que acompanha a trajetória de dez anos de um refugiado centro-africano cujas narrativas embaralham as fronteiras entre realidade e ficção. As filmagens ocorrem em três continentes diferentes, incluindo momentos cruciais na cidade de São Paulo, onde o protagonista se estabelece e conhece a diretora do filme, Juliana Borges, e viagens à África.

O longa-metragem alagoano “Movimento Perpétuo” já foi definido por seu diretor, Leandro Alves, como sendo de “narrativa híbrida e etérea”. Seu Edvaldo, seu protagonista, se descobre necessitado da segunda cirurgia no coração e busca na natureza, na astrologia e no cinema as respostas para os mistérios da vida. 

“Na Passagem do Trópico”, de Francisco Miguez, parte de um personagem de ficção, um topógrafo encarregado de mapear as encostas de Ubatuba, no litoral de São Paulo, interpretado pelo ator Marat Descartes. Este interage com habitantes verdadeiros, que lhe falam a respeito dos problemas na região: os constantes deslizamentos de terra, as habitações em zona irregular, as ocupações e a mineração em área de proteção indígena. Segundo a crítica especializada, o roteiro do longa “toma atalhos lúdicos para proporcionar as conversas necessárias à exposição de seus temas de predileção”. 

Animação feita em coprodução com o Peru, “Nimuendajú”, de Tania Anaya, narra a história de Curt Unckel, alemão de nascimento, que se tornou um dos maiores cientistas sociais do Brasil. Ele chegou ao país aos 20 anos e viveu nele até sua morte, em 1945. Por 40 anos, Curt conviveu com diferentes povos indígenas, se dedicando a registrar línguas, mitos, rituais e sonoridades e acabou tomando posicionamento firme contra a violência de latifundiários, do governo e da opinião pública que ameaçavam os povos que estudava. O longa foi gravado ao longo de mais de 13 anos, incluindo filmagens em três aldeias, com participação ativa dos povos retratados. Essas gravações possibilitaram a aplicação da

“O Jardim de Maria”, longa de estreia da diretora Jade Rainho, acompanha a matriarca Guarani Mbya, Maria, na luta para replantar um território ancestral na periferia de São Paulo. O filme, que destaca a resistência indígena na Terra Indígena do Jaraguá, teve destaque no festival DOC NYC, de Nova York. A obra que mereceu elogios da crítica, que destacou o seu olhar sensível para registrar costumes, espiritualidade e modos de vida.

curtas-metragens

“A Cachoeira”, dirigido por Rayssa Coelho e Filipe Gama, foi filmado na cidade de Paulo Afonso (BA) e apresenta imagens de arquivo e entrevistas que exploram o imaginário em torno da Cachoeira de Paulo Afonso, um conjunto de quedas d’água formado pelo Rio São Francisco, que ao longo dos séculos foi transformado pela intervenção humana.

Documentário com elementos de ficção científica, “A Nave Que Nunca Pousa”, de Ellen Morais, debate exploração das usinas eólicas no sertão paraibano. Nele, uma nave paira sobre uma comunidade quilombola e os moradores locais precisam lidar com as consequências desse acontecimento.

Produção que representa o nascente cinema feito no estado de Roraima, “A Pele do Ouro” venceu os prêmios de melhor fotografia e roteiro no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Inspirado em memórias registradas em diários íntimos, o curta dirigido por de Marcela Ulhoa e Yare Perdomo aborda a exploração sexual em garimpos da Amazônia.

Na animação em stop motion “A Tragédia da Lobo-guará”, de Kimberly Palermo, uma loba-guará sentimental vaga pelo Brasil em busca de um novo lar. O filme tem percorrido o circuito de festivais com boa receptividade devido à charmosa técnica empregada.

Feito em parceria com o Nois das Palafitas, um coletivo cultural e socioambiental de resistência, sediado na Vila dos Pescadores, em Cubatão (SP),“Baixada: Nas Águas de Cubatão”, esteve selecionado para o Festival de Havana. Na obra, o diretor Renato de Castro volta suas câmeras para uma pescadora que busca uma forma de se desconectar com a hostilidade que sua comunidade tem passado com a violência aplicada por diferentes órgãos da cidade.

Produção do Piauí vencedora do Prêmio do Júri Associações de melhor curta no Panorama Internacional Coisa de Cinema, “Caldeirão” aborda questões como memória, território e imaginação utilizando linguagem híbrida que transita entre o documentário e a fabulação. Dirigido por Oliveira Júnior, Milena Rocha e Weslley Oliveira, o filme se passa em um pequeno povoado, articulando narrativas orais, materiais históricos e elementos fantásticos. 

Cenas de impacto estão presentes em “Floresta Cicatriz”, de Lian Gaia, um registro da Aldeia Marakanã, um território indígena no Rio de Janeiro. Através dos sonhos e da trajetória de uma jovem indígena em busca de reconexão com sua identidade, o curta destaca a resistência, memória e ancestralidade dos povos indígenas no contexto urbano.

Em “Fronteriza, de Nay Mendl e Rosa Caldeira, um jovem homem trans da periferia de São Paulo viaja até a fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina em busca do pai que nunca conheceu. Ao chegar, ele conhece um rapaz paraguaio que o apresenta à região de uma forma que ele jamais imaginou. Obra que trafega entre a ficção e o documentário de ótimo astral, é uma produção da Maloka Filmes, uma produtora audiovisual com forte atuação no cinema comunitário e periférico de São Paulo e conhecida por criar narrativas decoloniais e valorizar saberes periféricos, negros e transviados.  

Produção gaúcha premiada na Mostra de Tiradentes, “Grão”, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa, acompanha a história de um jovem que ganha a vida informalmente recolhendo grãos de soja caídos no caminho para o Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. A obra causou impacto em diversos festivais por exibir apurado senso cinematográfico e por sua narrativa conduzida por planos sofisticados, muitos deles sem uso de diálogos.

Animação dirigida por Cassiano Maxakali e Charles Bicalho, o curta “Kakxop Pahok: As Crianças Cegas” foi realizada a partir de desenhos de moradores de uma aldeia indígena. O enredo aborda uma narrativa mitológica em que homens saem para caçar e não retornam, levando mulheres a trocarem seus filhos. Quando os homens voltam, cometem um ato de “amor bruto” (vingança) ao cegar os meninos.

“Lomba do Pinheiro”, de Iuri Minfroy, apresenta o cotidiano de integrantes da aldeia kaingang Fag Nhin, situada na zona leste de Porto Alegre, por meio de suas rotinas. O filme mostra o artesanato ali produzido e o treinamento de um time de futebol feminino, passando pela inserção da tecnologia na cultura indígena e pelo desejo de documentar a história da aldeia. Sua narrativa inventiva ganhou elogios da crítica especializada.

“Maira Porongyta – O Aviso do Céu” é uma obra de ficção que narra um aviso espiritual de Itaarió, criador do mundo Kaiabi, sobre o futuro do planeta e mudanças climáticas. Produzido pelo coletivo Ema’ē Jeree em Mato Grosso, o filme destaca o dinamismo espiritual e a visão ancestral de Kaiabi. Dirigido por Kujãesage Kaiabi, o curta venceu o Prêmio Cardume no Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Vencedor do prêmio da crítica no Festival de Gramado, “O Mapa em que Estão Meus Pés” apresenta uma narrativa inspirada na trajetória de um bisavô do diretor Luciano Pedro Jr. Rodado integralmente em película super-8mm, o filme revive a memória de um pescador e agricultor do litoral alagoano.

“O Ponto do Mel”, de Mirian Oliveira e Pedro Lessa, tem acumulado elogios pela forma cativante e singela com que apresenta o funcionamento de um engenho no sertão paraibano. O filme detalha o ciclo de vida e transformação da cana-de-açúcar, desde a colheita, processo de moagem e fervura, até a obtenção dos pontos de mel. Em destaca na obra está o caráter histórico e os modos de vida comunitária em um território rural.

Ambientado na região da Tríplice Fronteira Brasil-Argentina-Paraguai, “Ontem Lembrei de Minha Mãe”, de Leandro Afonso, mergulha nas memórias de um homem que perde a terra e, décadas depois, revisita sua própria infância como um gesto de resistência e destruição de si. Trata-se de um documentário de caráter ensaístico que denuncia de forma contundente os invasores de territórios da América Latina.

Exibido no Festival de Cannes, “Ponto Cego” foi produzida no âmbito da Directors’ Factory Ceará Brasil, que resultou em curtas-metragens de jovens realizadores do Norte/Nordeste em colaboração com cineastas internacionais, sob mentoria do premiado diretor Karim Aïnouz. Com direção da cearense Luciana Vieira junto ao cubano Marcel Beltrán, o filme acompanha uma engenheira responsável pelas câmeras de segurança do Porto do Mucuripe (CE). Em um local onde mulheres silenciadas convivem com o anonimato e o desprezo, a protagonista decide romper o silêncio presente no ambiente de trabalho.

Curta pernambucano dirigido por Rita Carelli e Laura Mansur, “Praia dos Milagres” é documentário observacional sobre uma curiosa “feira no mar”, que ocorreu quando alimentos foram recolhidos por populares após o naufrágio de uma embarcação. Também escritora premiada, a codiretora Rita Carelli venceu o prêmio de melhor curta-metragem documentário no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro com o filme “Yaõkwa, Imagem e Memória”, assinado com seu pai, o cineasta Vincent Carelli (de “Arquivo Vivo”).

Recém-premiado como melhor filme internacional no Hot Docs, o maior festival de documentários da América do Norte e um dos mais importantes do mundo, “Replikka”. Com o prêmio, a produção está qualificada para concorrer ao Oscar de melhor documentário de curta-metragem em 2027. Dirigido pelo cineasta indígena Piratá Waurá (do território do Xingu) e pela premiada diretora Heloisa Passos, o filme retrata a reconstrução de uma gruta sagrada vandalizada em 2018, sendo inteiramente falado na língua indígena aruak e realizada com apoio de jovens da aldeia.

Filme que já foi definido como uma bela metáfora da vida enquanto fluxo, a animação “Uma Menina, Um Rio”, de Renata Martins Alvarez, mostra, de forma singela, uma menina que inicia sua jornada de descobertas. A cada passo, o curso do rio reflete sua própria transformação: da infância à adolescência, da juventude à maturidade. Sempre ao seu lado, o rio flui por diversas paisagens, servindo como metáfora para os altos e baixos da vida.

Concurso Curta Ecofalante

Na mostra competitiva Concurso Curta Ecofalante concorrem curtas-metragens realizados por estudantes do ensino superior, técnico, livre ou médio. Em 2026 estão selecionados 20 títulos, produzidos no Distrito Federal e em nove estados brasileiros: Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

Os filmes discutem temas como questões étnico-raciais, educação, direitos LGBTQIA+, religiosidade, povos originários, trabalho, saúde mental e emergência climática, entre outros. Eles concorrem ao prêmio de melhor filme, no valor de R$ 7 mil, e ao prêmio do público. Compõem o júri dessa premiação o professor e cineasta Isaac Pipano, a roteirista e diretora Larissa Barbosa e Luciana Resende, analista ambiental e integrante da equipe do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.  

“Além do Marco: Direitos Indígenas em Jogo”, de Cássia Fernandes / FIAM-FAAM, acompanha a luta do povo Guarani pela defesa de seu território no Jaraguá, o menor pedaço de terra indígena demarcada no Brasil, localizado no município de São Paulo, enfrentando o impacto do marco temporal e a expansão urbana.

“Alucine Olinda”, de Igor Luiz Ribeiro / Uniaeso (PE), focaliza um cinema localizado em Olinda que hoje vive com sua estrutura decadente, refletindo diretamente o atual estado da cidade.

“Ambivalência”, de Natacha Maria Oliveira / EBAC (RJ) aborda a saúde mental das mulheres negras, um tema ainda atravessado por silenciamentos e invisibilizações.

“Av. São João, 588”, de Bruna Resende e Matheus Barbosa / Senac (SP) narra a luta das mulheres pelo direito a uma moradia digna em São Paulo, revelando os desafios, a força e a esperança de quem, com coragem e união, transforma concreto em lar e pertencimento.

“Chica Machado – Rainha de Goyaz”, de Renata Rosa Franco / UFG (GO) traz as memórias de personagem que chegou escravizada no estado por volta de 1750 e conseguiu lutar pela liberdade de seu povo, lembrada até hoje.

“Da Aldeia à Universidade”, de Leandro de Alcântara e Túlio de Melo / UFT (TO) explora o choque cultural, os conflitos e a resistência de estudantes indígenas que deixam o ambiente da aldeia para enfrentar o espaço acadêmico, muitas vezes vulnerável.

“Desfem”, de Manoella Fernandes e Polyana Santos / Oficinas Querô (SP) é protagonizado por mulheres lésbicas que rejeitam a feminilidade imposta socialmente, optando por estilos andrógenos, roupas largas, cabelos curtos e pouca ou nenhuma maquiagem.

“Diálogo Bulbul”, de Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos / Oficina Lanterna Mágica (RJ) evoca a potência criativa do povo preto utilizando para isso materiais de arquivo e uma vibrante trilha musical.

“Filme-Copacabana”, de Sofia Leão / UFRJ, promove uma ensaio visual bem-humorado sobre o bairro carioca de Copacabana

“Mares de Sabedoria”, dos alunos do Clube Mares de Sabedoria / UFPE, focaliza estudantes de Porto de Galinhas (PE) oriundos de famílias da pesca artesanal que participam de um processo de realização audiovisual no qual passam a narrar suas tradições familiares.

“Mestrinhos”, de Lwidge de Oliveira / UFS (SE), traz para centralidade Mestres da Cultura sergipana, celebrados por meio de iniciativas como o Encontro de Mestres e Amigos, promovendo o seu reconhecimento.

“Mukondo, da Vida Após a Morte, Maria de Silú”, de Fernanda Souza / UFBA, revela a importância dos rituais fúnebres no Candomblé e a forma como essa tradição compreende a morte como continuidade da vida.

“Nioladi: Como Resiste a Língua Kadiwéu?”, de Ana Beatriz Leal / UFMS, investiga os processos de resistência, ensino e transmissão da língua Kadiwéu na Reserva Indígena Kadiwéu, no Mato Grosso do Sul.

“O Que as Formigas me Contaram”, de Marcus Vinicius Diniz / UEG (GO), traça um paralelo visual entre a organização social das formigas e o cotidiano dos operários da construção civil, revelando a força coletiva e a invisibilidade de quem carrega o peso do mundo nas costas.

“Rio Mãe (面纱之河)”, de Cristina Neves / USP, focaliza um rio subterrâneo em Xinjiang, no Noroeste da China, que leva vida em meio ao deserto para o povo uigur.

“Saber Brincar”, de Leticia Diniz / UFC (CE), celebra o encanto de ser criança no coração da região do Cariri, no sul do Ceará, mergulhando nas cores, nos ritos e nas tradições,

“Ser Cria”, de Marco Aurélio Correa / UERJ, focaliza alunos de uma escola municipal de Manguinhos, no Rio de Janeiro. Elas “soltam o verbo, largam o riso e metem dancinha” para contar o que faz uma criança ser alguém nascido, criado e com vivência profunda em uma favela ou periferia.

“Trago Seu Amor de Volta”, de Raíssa Anjos / USP, acompanha uma personagem que encontra cartas de amor escritas por sua falecida mãe e parte em busca do destinatário desconhecido.

“Um Gosto Assim”, de Helena Versiani / UnB, focaliza uma personagem que, após a morte do pai, um homem reservado, colecionador de livros e cacarecos digitais,  se dedica a organizar as coisas por ele deixadas.

“Um Pé de Caju”, de Pablo Monteiro e Cadu Marques / UFMA, retrata a importância da educação em uma comunidade quilombola do município de maranhense de Alcântara para a garantia da preservação de seus valores históricos.

PANORAMA HISTÓRICO

THE FLAHERTY WAY: O SEMINÁRIO FLAHERTY E OS CAMINHOS DO CONTRA-CINEMA

Em 2026, a seção histórica da Mostra Ecofalante de Cinema dedica-se ao Seminário Flaherty, encontro criado em 1955 por Frances Hubbard Flahert (1883-1972) que se tornou uma referência internacional para o cinema independente, especialmente o documentário e o experimental.

O seminário faz referência a Robert J. Flaherty (1884-1951), que definiu o cinema etnográfico ao focar na vida cotidiana de um Inuit (indígenas que habitam as regiões árticas) e sua família. O filme equilibra registro documental com encenações dramáticas para criar uma narrativa envolvente, tendo influenciado o cinema realista e documentais modernos.

Ao recuperar essa trajetória, a mostra também propõe um olhar crítico sobre a invisibilidade das mulheres no cinema, destacando o papel central – e frequentemente subestimado – de Frances Hubbard Flaherty na formulação e difusão do chamado “Flaherty Way”, uma abordagem poética e anti-industrial de realização cinematográfica. Com seu formato imersivo, baseado na experiência coletiva de ver e discutir filmes, o seminário antecipou práticas e debates que hoje estruturam o circuito contemporâneo, afirmando-se como um espaço fundamental para a emergência e circulação de formas de contra-cinema (um conjunto de estratégias fílmicas criadas para se opor ativamente ao modo de produção, narração e estética do cinema dominante).

A programação reúne cinco filmes icônicos exibidos no Seminário Flaherty ao longo de diferentes décadas – incluindo a versão restaurada de “Nanook, o Esquimó”, de Robert J. Flaherty, considerado o primeiro grande documentário da história do cinema. Também na programação está o documentário “Sombras Reveladas”, de Sami van Ingen, bisneto de Robert e Frances Flaherty, que estará presente no festival para ministrar uma masterclass.

Vencedor do Oscar de melhor documentário, “Harlan County: Tragédia Americana” (1976) focaliza uma greve de mineiros de carvão da pequena cidade norte-americana de Brookside. A diretora Barbara Kopple e sua equipe registraram as lutas, por vezes violentas, dos trabalhadores contra fura-greves, a polícia local e os capangas da empresa mineradora.

Filme de linguagem vanguardista, “Para Sempre Condenadas” (1987), da diretora Su Friedrich, explora o desejo reprimido, a culpa católica e a sexualidade lésbica. A obra entrelaça narrativa, imagens impressionistas e depoimentos em áudio para criticar a inibição religiosa e celebrar o desejo sáfico.

Reconhecida por seu trabalho documental experimental e pós-colonial, a cineasta vietnamita radicada nos EUA Trinh T. Minh-há realizou em “Remontagem” (1983) uma obra influente, aclamada por reconfigurar o cinema etnográfico. Trata-se de um complexo estudo visual sobre as mulheres da zona rural do Senegal que registra sons e imagens do cotidiano dos habitantes das aldeias dessa região africana.

“Sombras Reveladas” (2025), de Sami van Ingen, examina como Frances Hubbard Flaherty foi a pessoa que possibilitou a realização de todos os principais filmes de seu marido, Robert J. Flaherty, e como suas três filhas, seu cunhado David e outras pessoas desempenharam papéis fundamentais para que esses icônicos filmes existissem.

Filme iraniano amplamente premiado, vencedor do prêmio Caméra d’Or no Festival de Cannes, concedida ao melhor primeiro longa-metragem, “Tempo de Embebedar Cavalos” (2000), do iraniano Bahman Ghobadi, narra a luta desesperada de uma família curda na fronteira entre o Irã e o Iraque. O título faz referência à prática real de misturar álcool na água dos cavalos para que eles aguentem o frio extremo e as cargas pesadas durante o contrabando.

PROGRAMAS ESPECIAIS

Cineasta que tem o longa “Escrevendo a Vida – Annie Ernaux pelos Olhos dos Estudantes” incluído no Panorama Internacional Contemporâneo, a cineasta Claire Simon leva-nos para uma escola primária pública nos arredores de Paris em “Aprender”. Exibido no Festival de Cannes e ainda inédito no Brasil, o filme revela o profundo impacto da dedicação dos professores aos seus alunos e testemunha seus triunfos e desafios diários enquanto inspiram mentes jovens com devoção inabalável.

Vencedor do Prêmio Corazón Feliz no Festival de Havana e eleito como melhor documentário no Festival de Gramado, “Lendo o Mundo”, de Catherine Murphy e Iris de Oliveira, se debruça sobre os primeiros anos de trabalho do educador e filósofo Paulo Freire (1921-1997), um dos mais influentes pensadores da educação até os dias de hoje. Ao reconstruir a atmosfera das aulas, combinando entrevistas atuais com antigos participantes e um riquíssimo acervo de imagens de arquivo, o filme testemunha aquela experiência educacional, que seria sumariamente interrompida logo após o golpe militar de 1964, quando Freire foi preso e partiu para o exílio, voltando ao país apenas em 1980.

Ainda inédito em festivais, “Tietê: Águas Verdadeiras”, de Rodrigo Campos, explora o curso do Rio Tietê, desde sua nascente em Salesópolis até Mogi das Cruzes, oferecendo uma visão holística que transcende o estigma da poluição. A obra revela suas muitas belezas do principal rio paulista, recuperando memórias e alertando para os riscos ambientais que se manifestam neste trecho de 61 km de sua extensão. 

“A Economia da Esperança” é um road movie que percorre diferentes regiões brasileiras e a Coréia do Sul. Idealizado por Guilherme Brammer e dirigido por Sylvio Rocha, o filme tenta descobrir se é possível construir negócios que regenerem o planeta e ainda sejam viáveis. 

A produção francesa “Longe dos Holofotes” registra o que o consumidor não vê: o cotidiano e o trabalho das pessoas que fabricam os tênis VEJA. Segundo o diretor do documentário, o franco-canadense Jérémie Battaglia, “É a primeira vez, em 20 anos, que documentamos de fato, através de um filme, o que acontece no Brasil. Não queríamos cair em uma forma de comunicação corporativa, formatada ou excessivamente polida. Então produzimos algo completamente inesperado, uma espécie de OVNI cultural.”

ECOFALANTE EDUCAÇÃO

O Ecofalante Educação é um projeto permanente que promove a integração entre cinema, educação e cidadania, levando o audiovisual a escolas e universidades de todo o Brasil por meio de um catálogo de filmes, curadorias temáticas, debates e atividades formativas. Com foco nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente em temas ligados ao meio ambiente, aos direitos humanos e à sustentabilidade, o projeto busca fortalecer o cinema como ferramenta pedagógica, estimular o pensamento crítico e o engajamento socioambiental, além de incentivar a formação de novas plateias e a valorização da diversidade. Para ampliar seu alcance, ele conta ainda com a plataforma gratuita Ecofalante Play, que oferece a educadoras e educadores acesso a mais de 300 filmes, materiais de apoio e acompanhamento da equipe Ecofalante para a realização de exibições em instituições de ensino.

Ecofalante Educação é viabilizado por meio do Ministério da Cultura e do Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais (PROMAC). Além disso, a fim de cumprir sua missão de fortalecer o acesso gratuito a atividades culturais e educativas voltadas à formação de estudantes, educadoras e educadores, o projeto conta mais uma vez com as parcerias da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME) e a Spcine, ampliando assim a programação para diferentes públicos da cidade de São Paulo, com destaque para as periferias da capital.

A ação do Programa Ecofalante Educação na 15ª Mostra Ecofalante de Cinema se organiza em torno de três eixos: a Sessão Infantil, a Sessão FIFE e o programa “Narrativas do Clima: Caminhos para o Lixo Zero”. Essa programação ocupa 29 salas do Circuito Spcine, além de unidades dos Centros Educacionais Unificados (CEUs) espalhadas pelas quatro regiões do município de São Paulo.

Na aventura “A Incrível Aventura das Sonhadoras Crianças contra Lixeira Furada e Capitão Sujeira”, de Beatriz Ohana, crianças entram em ação contra o crescente lixo que assola o bairro em que vivem, enfrentando o atrapalhado Lixeira Furada e seu comparsa, Capitão Sujeira.

Vencedor do prêmio de melhor direção da Mostra Maranhense no Festival Guarnicê de Cinema, “Cata”, de Lucas Sá, alerta para o fato de que 70% dos municípios brasileiros depositam seus resíduos sólidos em lixões. São cerca de 3 mil lixões no país e mais de um milhão de catadores de materiais recicláveis. A Política Nacional de Resíduos Sólidos prevê a obrigatoriedade do fim dos lixões.

A animação russa “Meu Avô Estranho”, dirigida por Dina Velikovskaya, acompanha uma garotinha que vive à beira-mar, na pobreza, com seu avô – um homem excêntrico e marginal. Em total segredo, este último constrói um robô a partir de materiais reciclados para sua neta, que não gosta da condição de vida deles.

Em “Os Pequenos Mundos, uma Aventura com Caixas”, a diretora Sandra Coelho conta a história de uma boneca que ganha vida e ajuda um pequeno caixa-cervo perdido em sua jornada para reencontrar seus pais. Nesta aventura, eles se deparam com diversas criaturas como a caixa-risonha, o caixa-pássaro, a caixa-balão, o planeta-caixa e o gigante-caixa.

“Tsuru”, produção baiana dirigida por Pedro Anias, é uma animação que conta a história de um pedaço de papel adormecido que, após ser despertado pelo bater de asas de um Tsuru (origami de ave japonesa), inicia uma desafiadora jornada em busca de transformação. A obra foi selecionada para o Festival de Animação de Annecy (França), considerado o mais importante evento internacional em seu gênero.

Na produção norueguesa “Um Sonho de Havaí”, de Thomas Smoor Isaksen, um nômade tenta sobreviver em um mundo coberto por resíduos plásticos, enquanto sonha com as praias brancas do Havaí. O curta foi vencedor dos prêmios de melhor animação no Festival de Florença (Itália), Festival de Cinema Escandinavo (Finlândia) e nos New York Movie Awards.

Realizado há duas décadas em Évreux, na França, o FIFE – Festival International du Film d’Éducation é um dos principais eventos internacionais voltado a promover o diálogo entre duas áreas tão complementares e historicamente próximas que são o Cinema e a Educação. Pelo segundo ano consecutivo, a organização do festival francês preparou uma curadoria especialmente para o público da Mostra Ecofalante de Cinema, com cinco curtas-metragens:

* “Aqui” (França, 2017), de Aurélia Hollart, um garoto vindo da Guiné descobre os subúrbios de Paris e sua nova escola. Mas seu coração ficou para trás e ele não consegue mais falar.

* Na animação “Kuap” (Suíça, 2018), de Nils Hediger, um pequeno girino não se transforma em sapo, não desenvolve patas dianteiras e traseiras, para seu grande desgosto.

*  Eleito como melhor curta-metragem no Festival do Cinema Europeu, na Itália, “Matilda” (Itália, 2013), de Vito Palmieri, focaliza uma tímida criança com uma inteligência dinâmica e um espírito forte. Em sua sala de aula, no entanto, algo a está incomodando

* Filme brasileiro consagrado com o prêmio do público no Festival de Clermont-Ferrand (França), a mais importante vitrine internacional dedicada ao curta-metragem, “Meu Amigo Nietzsche” (2012), de Fáuston da Silva, narra o encontro improvável que inicia uma violenta revolução na mente de um garoto, de uma família e de uma sociedade.

* “Meu Avô Estranho” (2011), de Dina Velikovskaya, é uma animação russa na qual uma garotinha que vive à beira-mar, na pobreza, com seu avô – um homem excêntrico e marginal. Em total segredo, este último constrói um robô a partir de materiais reciclados para sua neta, que não gosta da condição de vida deles.

Por sua vez, o longa-metragem infantil “Sete Cores da Amazônia” tem como protagonista uma menina que vive nas inúmeras palafitas da periferia de Manaus. Acostumada com sua rotina de pobreza, ela vê seu mundo se expandir quando embarca em uma jornada de descoberta de suas raízes indígenas. A obra é uma realização do  estado do Amazonas e tem direção de Ana Lígia Pimentel.

A Mostra Ecofalante de Cinema é viabilizada por meio da Lei Rouanet e do ProAC – ICMS, Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas. Ela tem patrocínio do Itaú, White Martins e da Spcine e apoio da VEJA. A produção é da Doc & Outras Coisas e a coprodução é da Química Cultural. A realização é da Ecofalante, Governo do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura.

“Esta iniciativa é realizada com recursos do ProAC, o Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.

Neste projeto, foram adotadas medidas de democratização de acesso, tais como:
– A mostra acontece gratuitamente em sua totalidade. Os ingressos são distribuídos antes de cada sessão nas bilheterias das salas de exibição.

– Parte dos ingressos podem ser disponibilizados para os patrocinadores distribuírem aos seus funcionários, parte aos parceiros de divulgação para distribuírem ao público do seu veículo e parte das sessões serão realizadas fora do circuito comercial de cinemas em São Paulo em parceria com o Circuito Spcine (que engloba 20 espaços culturais) e com as Fábricas de Cultura.

– Os debates serão gratuitos. Os ingressos são distribuídos antes de cada sessão nas bilheterias das salas de exibição.

– Os debates serão gravados e disponibilizados no canal do Youtube da Mostra Ecofalante que pode ser acessado através do link: https://www.youtube.com/mostraecofalante.

O fortalecimento do acesso aos bens e serviços culturais, realizados com recursos públicos e por meio de políticas de incentivo, é um compromisso do Governo do Estado de São Paulo com o povo paulista.”

link para imagens de divulgação

https://drive.google.com/drive/folders/1WD76qFxxYQTVOtOzK4HrGcj0Igs1FEVD

serviço

15ª Mostra Ecofalante de Cinema

www.ecofalante.org.br

de 28 de maio a 10 de junho de 2026

entrada franca

locais

Reserva Cultural – avenida Paulista 900, Bela Vista – São Paulo

Sala Paulo Emílio / Centro Cultural São Paulo – rua Vergueiro 1000, Paraíso – São Paulo

e mais 28 espaços culturais do Circuito Spcine

Evento viabilizado por meio da Lei Rouanet e do ProAc ICMS, Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas

patrocínio: Itaú, Spcine e White Martins

apoio: VEJA

produção: Doc & Outras Coisas

coprodução: Química Cultural

realização: Ecofalante, Governo do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura.

redes sociais

www.instagram.com/mostraecofalante

www.facebook.com/mostraecofalante

www.twitter.com/mostraeco

www.youtube.com/mostraecofalante

atendimento à Imprensa 

ATTi Comunicação e Ideias

Eliz Ferreira e Valéria Blanco (11) 3729.1455 / 3729.1456 / 9 9105.0441

DADOS SOBRE OS FILMES

Homenagem Zita Carvalhosa

* “A Alma do Negócio” (Brasil-SP, 1996, 8 min) – José Roberto Torero

Um perfeito casal-propaganda leva uma vida feliz e tranquila até descobrir que seus maravilhosos produtos podem fazer muito mais do que prometem.

* “Carvão” (Brasil-SP, 2022, 107 min) – Carolina Markowicz

Em uma cidade do interior, uma família recebe uma proposta rentosa, mas também perigosa: hospedar um desconhecido em sua casa. Antes mesmo da chegada dele, no entanto, arranjos precisarão ser feitos, e a vida em família começa a mudar. Com Maeve Jinkings, César Bordón, Jean de Almeida Costa, Rômulo Braga e Camila Márdila.

* “Distraída para a Morte” (Brasil-SP, 2001, 14 min) – Jeferson De

Três adolescentes negros caminham na metrópole. O que pensam? Sem destino, “distraídos”, perambulam por vielas, ruas e grandes avenidas. Os dois meninos riem de suas próprias piadas racistas, enquanto a moça os observa calada. Três experiências, três formas distintas de perceber o mundo, unidas por uma brincadeira de vida ou morte.

* “Fé” (Brasil-SP, 1999, 91 min) – Ricardo Dias

A religião e a fé no Brasil. As grandes festas religiosas, os rituais mais marcantes das diferentes religinões, seitas e cultos, os pastores e os fiéis. O filme parte do princípio de que a religião não é o ópio do povo. Para grande parte da população brasileira, a fé tem importância decisiva e a sua presença é ainda maior do que aparenta. Conhecer o Brasil e os brasileiros exige que nos livremos de preconceitos para vivenciar profundamente a religião e a fé do nosso povo. 

* “O Cineasta da Selva” (Brasil-SP, 1997, 87 min) – Aurélio Michiles

A vida de Silvino Santos (1886-1970), português que se apaixonou pelo Rio Amazonas. Aos treze anos, Silvino cruza o Atlântico na passagem do século em busca daquela Amazônia fantástica imaginada pelos europeus. Em 1913, realizou seu primeiro documentário de longa-metragem. Ele viveria sua aventura contracenando com grandes personalidades, testemunhando acontecimentos marcantes, do fausto à queda do monopólio da borracha. Filmando essa Amazônia do início do século 20, ele se torna um mito da selva e um dos pioneiros do cinema no Brasil. Com José de Abreu.

* “Onde São Paulo Acaba” (Brasil-SP, 1994, 12 min) – Andrea Seligmann

Rap, drogas e violência. Um dia na periferia sul da cidade de São Paulo.

Panorama Internacional Contemporâneo

* “À Deriva: 76 Dias Perdido no Mar” (“76 Days Adrift”, EUA, 2024, 105 min) – Joe Wein

No meio da noite, a centenas de quilômetros da terra firme, o velejador Steven Callahan assistiu impotente enquanto seu barco afundava no oceano escuro e implacável. Misturando imagens raras em 8mm com reconstituições meticulosas usando o equipamento de sobrevivência original de Callahan, o filme coloca o público dentro de seus excruciantes 76 dias sozinho no mar.

* “A Vida Real” (“La Vraie Vie”, França, 2025, 120 min) – Ekiem Barbier e Guilhem Causse

O filme oferece uma experiência única a Victor Assié, um jovem ator que questiona o sentido de sua profissão: explorar uma simulação on-line da vida cotidiana como um avatar e conhecer seus usuários, interpretando a si mesmo. Através de suas peregrinações complicadas, mas hilárias, ele descobre um mundo novo, porém familiar. Série em cinco episódios.

* “Artista dos Rejeitos” (“Maintenance Artist”, EUA, 2025, 95 min) – Toby Perl Freilich

O filme mergulha na vida e obra de Mierle Laderman Ukeles, a “artista em residência” do Departamento de Saneamento Básico de Nova York desde 1977. Pioneira no ecofeminismo e na arte de prática social, Ukeles trouxe o trabalho invisível da limpeza, do cuidado e da maternidade para o espaço público, tornando-o o foco de sua prática artística.

* “Bangladesh Submersa” (“Black Water”, Espanha, 2025, 85 min) – Lucía Benito

No sul de Bangladesh, Lokhi e sua família se preparam para escapar do clima extremo e fugir para Dhaka – a cidade que cresce mais rapidamente no mundo.

* “Desmascarando Elon Musk” (“Elon Musk Unveiled – The Tesla Experiment”, Alemanha, 2025, 90 min) – Andreas Pichler

Em 2014, Elon Musk revelou seus planos para um carro autônomo. O que os consumidores não sabiam é que a função “autopiloto” da Tesla estava longe de estar pronta, e os novos proprietários estavam sendo usados para melhorar o software por meio do fornecimento de seus dados. O filme mostra como a Tesla tem repetidamente reduzido a segurança em favor de experimentos e tecnologias inovadoras, e traça a ascensão meteórica de Musk e sua guinada em direção a Donald Trump.

* “Escrevendo a Vida – Annie Ernaux pelos Olhos dos Estudantes” (“Écrire la Vie – Annie Ernaux Racontée par des Lycéennes et des Lycéens”, França, 2025, 90 min) – Claire Simon

Figura central do feminismo contemporâneo e vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, Annie Ernaux personifica a emancipação individual e coletiva, entre o íntimo e o universal. Pelas palavras de alunos e professores, o documentário apresenta um retrato original da autora. Como sua obra é ensinada nas escolas? Como ela é recebida, estudada e compreendida? De que maneira a juventude de hoje, seja na França ou em qualquer outro lugar, se apropria de seus escritos?

* “Inverno Implacável” (“Iron Winter”, Austrália, 2025, 89 min) – Kasimir Burgess

No remoto Vale de Tsakhir, na Mongólia, Batbold enfrenta o maior desafio de sua jovem vida: proteger mil cavalos durante o inverno mais rigoroso já registrado. Após essa jornada, e com o futuro de sua comunidade em jogo, Batbold precisa escolher entre preservar os valores que definem sua cultura ou abandoná-los pela sedução de uma vida aparentemente mais atraente na cidade.

* “Jerusalém, a Lei da Pedra” (“Rule of Stone”, Canadá/Israel, 2024, 84 min) – Danae Elon

O filme expõe o poder — estético, ideológico e estratégico – da arquitetura na criação da Jerusalém moderna. Em 1967, Israel conquistou Jerusalém Oriental e declarou Jerusalém a capital unida e indivisível do Estado de Israel. A partir de então, buscou repartir a cidade – materialmente indivisível e esteticamente disruptiva. O filme nos leva a uma jornada para entender como o design participou da invisível guerra de anexação.

* “Nossa Terra” (“Nuestra Tierra”, Argentina/EUA/México/França/Países Baixos/Dinamarca, 2025, 122 min) – Lucrecia Martel

Em outubro de 2009, Javier Chocobar, membro da comunidade indígena Chuchagasta, na província de Tucumán, noroeste da Argentina, tentou defender a si mesmo e a seu povo de uma expulsão forçada de suas terras por um proprietário local e dois ex-policiais. Como resultado, ele foi baleado e morto. O filme retrata o julgamento dos três homens, a vida de Chocobar e de seus companheiros Chuchagasta, e o legado colonialista do roubo de terras e propriedades em toda a América Latina.

* “O Grande Lago Salgado” (“The Lake”, EUA, 2026, 88 min) – Abby Ellis

Documentário que acompanha dois cientistas e um articulador político que lutam para salvar o Grande Lago Salgado, nos Estados Unidos. Eles sabem o que está por vir: ar envenenado, um ecossistema em colapso e uma comunidade à beira do abismo. Enquanto enfrentam a burocracia, a apatia e a urgência de uma crise que está em formação há décadas, algo sinistro paira nos arredores: a poeira letal que sobe, um lembrete do que será perdido se eles falharem.

* “O Urso Inconveniente” (“Nuisance Bear”, EUA/Reino Unido, 2026, 90 min) – Gabriela Osio Vanden e Jack Weisman

Um urso-polar é forçado a navegar por um mundo humano de turistas, agentes de proteção ambiental e caçadores, à medida que sua migração ancestral colide com a vida moderna. Quando um predador sagrado passa a ser rotulado como um incômodo, torna-se incerto quem realmente pertence a essa paisagem compartilhada.

* “O Sal de Katwe” (“Katwe”, Uganda/Suécia, 2025, 97 min) – Nima Shirali

Na cidade de Katwe (Uganda), que abriga um lago salgado, a fábrica permanece deserta há 40 anos, enquanto os políticos prometem libertar a comunidade da pobreza. A corrupção permeia a vida cotidiana e a chantagem política coexiste com uma religiosidade profunda. Tendo como pano de fundo uma história impregnada de exploração colonial, um mosaico de personagens nos oferece uma visão sobre as dificuldades históricas dos trabalhadores do sal.

* “O Silêncio da Terra” (“El Silencio de la Tierra”, Espanha/França/Bélgica, 2025, 77 min) – Frank Gutiérrez

Berta Cáceres, Paulo Paulino Guajajara e Aldo Zamora deram suas vidas para defender a Terra. Esses ativistas ambientais foram brutalmente assassinados na América Latina porque se opuseram a grandes corporações multinacionais e seus interesses. Quem está por trás desses crimes e por que eles desfrutam de impunidade? Quais os objetivos desses assassinatos? E quais as consequências disso para o planeta e o futuro da humanidade?

* “Os Gêmeos de Gaza” (“Gaza’s Twins, Come Back to Me”, Palestina/Catar/Países Baixos, 2025, 96 min) – Mohammed Sawwaf

Um mês após o início do conflito, Rania dá à luz trigêmeos em um hospital sob cerco no norte de Gaza. Em meio ao caos, um dos recém-nascidos morre e os gêmeos sobreviventes são evacuados para o sul, separados de sua mãe, que permanece presa no norte. Ao longo de 16 meses, o filme acompanha a mãe e os gêmeos. Rania enfrenta o deslocamento, a fome e a dolorosa espera pelo reencontro, separada de seus bebês por postos de controle militares e pela guerra.

* “Os Leões do Rio Tigre” (“Løvene ved Elven Tigris”, Noruega/Países Baixos, 2025, 91 min) – Zaradasht Ahmed

Em Mossul, uma cidade devastada durante a batalha pela libertação do Estado Islâmico, a luta para curar e preservar sua identidade, cultura e arte ainda não terminou. Três homens se recusam a deixar que Mossul permaneça em ruínas. Uma cidade com 8.000 anos de história luta para recuperar sua alma através daqueles que se recusam a deixá-la cair no esquecimento.

* “Partition” (“Taqsim”, Líbano/Palestina/Canadá, 2025, 61 min) – Diana Allan

O filme mescla imagens de arquivo da Palestina sob ocupação britânica com áudios de refugiados palestinos no Líbano. Filmes mudos preservados em coleções imperiais guardam histórias que mal foram contadas. Ao recuperar a presença palestina através de relatos, vozes e canções, desvendando passados coloniais através de paisagens sonoras de um presente precário, o documentário propõe uma meditação sobre o que os corpos lembram e os impérios esquecem.

* “Querido Amanhã” (“Ensom i Tokyo”, Dinamarca/Suécia/Japão, 2025, 82 min) – Kaspar Astrup Schröder

A solidão é uma epidemia crescente em todo o mundo, mas no Japão ela se tornou particularmente grave, na medida em que as pressões da vida moderna isolam cada vez mais os indivíduos de suas comunidades. O filme explora essa crise através das lentes do A Place for You, uma linha direta de saúde mental na qual voluntários dedicados oferecem suporte crítico a milhares de pessoas necessitadas todos os dias.

* “Rompendo Rochas” (“Cutting Through Rocks”, EUA, 2025, 95 min) – Sara Khaki e Mohammadreza Eyni

Sara Shahverdi – ex-parteira, divorciada e motociclista – é a primeira mulher eleita para o conselho local de seu conservador povoado no noroeste do Irã. Corajosa e direta, ela pressiona por reformas ousadas e desafia abertamente as normas patriarcais. No entanto, quando seus esforços geram reações adversas e acusações sobre suas motivações, Sara deve confrontar não apenas seus críticos, mas também seu próprio senso de identidade.

* “Runa Simi” (Peru, 2025, 85 min) – Augusto Zegarra

Um dublador peruano embarca em uma missão audaciosa para convencer a The Walt Disney Company a dublar o filme “O Rei Leão” (1994) para o quíchua, na esperança de salvar sua língua nativa – mas descobre, ao lado de seu filho de oito anos, que essa jornada se tornará uma odisseia profundamente pessoal sobre paternidade e ativismo.

* “Sem Dó Nem Piedade” (“No Mercy”, Alemanha, 2025, 105 min) – Isa Willinger

“A verdade é que as mulheres fazem os filmes mais cruéis”, disse certa vez a cineasta Kira Muratova à jovem Isa Willinger, no início de sua carreira. Neste documentário, Willinger vai ao encontro de algumas das grandes diretoras mulheres e não binárias para descobrir o que elas têm a dizer sobre personagens violentos, a representação do estupro, trauma, questões de poder e o chamado female gaze. Com participações de Céline Sciamma, Virginie Despentes, Nina Menkes, Catherine Breillat, Apolline Traoré e Joey Soloway.

* “Soldados da Luz” (“Soldaten des Lichts”, Alemanha, 2025, 108 min) – Julian Vogel e Johannes Büttner

O filme explora o crescente cenário de influenciadores, coaches e curandeiros autoproclamados que espalham narrativas conspiratórias e mantêm laços estreitos com o movimento Reichsbürger e outras forças antidemocráticas. O longa-metragem acompanha Mr. Raw criando conteúdo, desenvolvendo estratégias de marketing, realizando reuniões de vendas e maximizando suas fontes de receita, e um de seus seguidores, Timo. Mr. Raw afirma que os delírios psicóticos de Timo são causados por possessões demoníacas, que ele alega poder curar por meio de jejum e suplementos alimentares.

* “Suriname, a Lei do Rio e a do Dinheiro” (“Monikondee”, Países Baixos, 2025, 103 min) – Lonnie van Brummelen, Siebren de Haan e Tolin Alexander

Por séculos, os quilombolas na floresta tropical do Suriname mantiveram a sociedade capitalista à distância. Nos últimos anos, no entanto, interesses econômicos avançaram sobre suas terras. O documentário acompanha Boogie, um barqueiro que navega pelo rio fronteiriço entre o Suriname e a Guiana Francesa, entregando mantimentos essenciais a comunidades remotas de quilombolas e indígenas. Através das vozes das comunidades, o filme traça um retrato da resiliência, à medida que as mudanças climáticas e a extração de recursos remodelam a terra, a água e a cultura.

* “Você Me Ama” (“Do You Love Me”, França/Líbano/Alemanha, 2025, 75 min) – Lana Daher

O filme expõe o poder – estético, ideológico e estratégico – da arquitetura na criação da Jerusalém moderna. Em 1967, Israel conquistou Jerusalém Oriental e declarou Jerusalém a capital unida e indivisível do Estado de Israel. A partir de então, buscou repartir a cidade – materialmente indivisível e esteticamente disruptiva. O filme nos leva a uma jornada para entender como o design participou da invisível guerra de anexação.

* “Yalla Parkour” (Suécia, 2024, 89 min) – Areeb Zuaiter

Em sua busca incessante por uma memória que reforce seu sentimento de pertencimento, a diretora Areeb Zuaiter cruza o caminho de Ahmed, um atleta de parkour, em Gaza, dando início a uma jornada em que aspirações conflitantes se cruzam. Nostalgia encontra ambição, e o peso de um passado confinado encontra um futuro imprevisível na dura realidade da vida em Gaza.

Territórios e Memória

longas-metragens

* “A Fabulosa Máquina do Tempo” (Brasil-RJ, 2026, 72 min) – Eliza Capai

Numa pequena cidade do sertão do Piauí, as meninas brincam entre o passado miserável de suas mães e seus sonhos fantásticos de futuro. Ali, onde o homem ainda é o gigante da mulher, elas se aventuram na travessia da infância para o adolescer.

* “Amazônia Oktoberfesta” (Brasil-PE, 2025, 78 min) – Sérgio Oliveira e Felipe Drehmer

Amazônia Oktoberfesta é um documentário sobre um projeto de desenvolvimento do país, iniciado em plena ditadura militar nos anos 1970, que incentivou o “desbravamento” do norte do Brasil por colonos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Elegendo uma festa de inspiração germânica realizada em Sinop (MT), onde um personagem anônimo, fictício e suspeito deambula por matas e plantações, o filme faz um recorte livre de uma imigração que causou e causa mudanças culturais, ambientais e políticas em uma região outrora habitada por diversos povos originários.

* “Arquivo Vivo” (Brasil-PE, 2026, 137 min) – Vincent Carelli

Em 40 anos atuando junto a comunidades indígenas, o Vídeo nas Aldeias reuniu um acervo histórico para a memória dos povos indígenas no Brasil. O filme revela a devolução destes arquivos para as novas gerações das primeiras comunidades visitadas. O retorno das imagens-espírito aos povos Nambikwara Mamaindê (MT), Gavião Parkatejê (PA), Enawenê-Nawê (MT), Isolados de Corumbiara (RO) e Xikrin do Caeteté (PA).

* “Até Onde a Vista Alcança” (Brasil-SP, 2025, 80 min) – Alice Villela e Hidalgo Romero

Três gerações de indígenas Kariri-Xocó se unem em uma expedição de reconhecimento do território memorial desse povo, roubado ao longo dos dolorosos séculos de colonização. Sua língua, seus conhecimentos e até mesmo seus rituais sagrados foram ocultados como estratégia de sobrevivência. Agora, munidos de câmeras, drones, cachimbos, cocares e maracas, eles percorrem os marcos geográficos de seu território em um road movie que é a preparação para novas retomadas.

* “Benvindos” (Brasil-ES, 2025, 83 min) – Luana Cabral

Os Benvindos são herdeiros de um território e de um projeto de vida compartilhada iniciado no final do século 19 pelo ancestral Benvindo Pereira dos Anjos, fundador do Quilombo do Retiro. A luta em defesa do território e pela preservação da memória é levada adiante pela Associação dos Herdeiros, que deverá eleger uma nova diretoria para dar continuidade a este trabalho. O encontro com a diretora, descendente distante de um antigo fazendeiro da região, revela situações de conflito entre o quilombo e os proprietários de terra locais a partir da lembrança de um passado não tão distante, que ainda reverbera sobre as relações políticas, econômicas e sociais no Brasil contemporâneo.

* “Futuro Futuro” (Brasil-RS, 2025, 86 min) – Davi Pretto

Em um futuro próximo, onde os avanços em inteligência artificial coexistem com o surgimento de uma nova síndrome neurológica, um homem sem memória de 40 anos chamado K é acolhido por um clickworker solitário de 60 anos na parte empobrecida de uma chuvosa cidade brasileira. Após usar um viciante dispositivo IA em um curso para pessoas com a estranha síndrome, K embarca em uma jornada trágica e absurda para tentar encontrar o seu lugar no mundo.

* “Minha Terra Estrangeira” (Brasil-RO, 2025, 99 min) – Coletivo Lakapoy, Louise Botkay e João Moreira Salles

Para muitos brasileiros, as eleições de 2022 representaram a escolha entre democracia e autoritarismo. Para os povos indígenas da Amazônia, porém, significaram mais do que isso. A floresta, lar de todos eles, estava sob ataque do governo, de modo que a reeleição do incumbente punha em questão a própria possibilidade de haver futuro.  O filme acompanha dois personagens, pai e filha, durante os 40 dias que antecederam o sufrágio. O pai, Almir Suruí, líder indígena candidato a deputado federal por Rondônia, um dos estados mais pró-Bolsonaro do país; a filha, Txai Suruí, jovem ativista ambiental que dedica sua vida à luta pela floresta.

* “Mounir” (Brasil-SP, 2025, 80 min) – Juliana Borges

Para Mounir, contar histórias é uma estratégia de sobrevivência. Carismático e enigmático, o imigrante centro-africano convence uma jovem cineasta brasileira a documentar a sua vida. Ao longo de dez anos e três continentes, sua narrativa embaralha as fronteiras entre realidade e ficção. Quanto mais nos envolvemos na trama de Mounir, mais dúvidas temos sobre quem de fato ele é.

* “Movimento Perpétuo” (Brasil-AL, 2025, 70 min) – Leandro Alves

Seu Edvaldo busca nos sinais do universo respostas sobre sua própria vida.

* “Na Passagem do Trópico” (Brasil-SP, 2025, 87 min) – Francisco Miguez

Um topógrafo mapeia áreas de risco de deslizamento na cidade de Ubatuba, em uma região de encosta na mata atlântica. Onde um topógrafo é chamado, há problemas de terra. Crente de que pode regularizar a situação, ele se depara com um território de ocupação humana caótica e repleta de conflitos. A história da cidade cruza seus passos, e através de seu teodolito, vê imagens do passado.

* Nimuendajú” (Brasil-MG/Peru, 2025, 85 min) – Tania Anaya

O filme conta a história de Curt Unckel, cientista social que viveu com povos indígenas por 40 anos. Batizado em 1906 pelos Guarani como Nimuendajú, ele dedicou sua vida ao estudo e compreensão de diferentes culturas, testemunhando a perseguição e expulsão dos indígenas de suas terras.

* “O Jardim de Maria” (Brasil-SP, 2025, 72 min) – Jade Rainho

Na periferia de São Paulo, Maria e sua família replantam uma Terra Indígena, transformando um antigo esgoto em sua aldeia. Enquanto lutam pela demarcação do território, a espiritualidade na natureza e a cultura Guarani fortalecem os guardiões dos últimos resquícios de Mata Atlântica, na maior cidade da América Latina.

curtas-metragens

* “A Cachoeira” (Brasil-BA, 2025, 20 min) – Rayssa Coelho e Filipe Gama

A Cachoeira de Paulo Afonso, uma força da natureza no meio do sertão brasileiro, tem sua voz silenciada pelas demandas do progresso.

* “A Nave Que Nunca Pousa” (Brasil-PB, 2025, 15 min) – Ellen Morais

Uma nave paira sobre uma comunidade quilombola no sertão da Paraíba. Os moradores locais precisam lidar com as consequências desse acontecimento. Uma ficção científica documental nas terras de Aruanda.

* “A Pele do Ouro” (Brasil-RO, 2025, 15 min) – Marcela Ulhoa e Yare Perdomo

Por meio das memórias registradas em diários íntimos, escritos no coração da floresta amazônica, Patri revela a condição da mulher no garimpo, onde, assim como a terra, tudo é revirado e explorado.

* “A Tragédia da Lobo-guará” (Brasil-RJ, 2025, 19 min) – Kimberly Palermo / UFF

Após perder tudo o que tinha, uma sentimental Lobo-guará vaga pelo Brasil em busca de um novo lar.

* “Baixada: Nas Águas de Cubatão” (Brasil-SP, 2025, 17 min) – Renato de Castro / FAAP

Cubatão, Vila dos Pescadores. Nos seus dias cíclicos, a pescadora Zilda busca uma forma de se desconectar com a hostilidade que sua comunidade tem passado com a violência aplicada por diferentes órgãos da cidade. Entre mudar sua vida para outro lugar e se manter resiliente onde foi criada, mais questionamentos surgirão quanto ao seu futuro no mundo e na pescaria.

* “Caldeirão” (Brasil-PI, 2025, 20 min) – Oliveira Júnior, Milena Rocha e Weslley Oliveira

Em um pequeno povoado, nas margens do Açude Caldeirão (Piripiri, PI), uma equipe de cinema para no emaranhado do tempo. Imagens de arquivo dos anos 1970 e registros de 2017 a 2024. O território marca uma paisagem-corpo, um arquivo vivo do interior do Brasil, que guarda mitos, memórias e saudade.

* “Floresta Cicatriz” (Brasil-RJ, 2025, 20 min) – Lian Gaia

Registro da Aldeia Marakanã, território pluriétnico localizado ao lado do Estádio do Maracanã, no coração do Rio de Janeiro, e símbolo da retomada indígena. Através dos sonhos e da trajetória de uma jovem indígena em busca de reconexão com sua identidade, o curta entrelaça memória, resistência e ancestralidade.  Alternando testemunhos com performances que evocam corpo, terra e coletivo, o filme revela as cicatrizes e a força de um movimento que há décadas resiste e refloresce na cidade.

* “Fronteriza” (Brasil-SP, 2025, 21 min) – Nay Mendl e Rosa Caldeira

Lucca, um jovem trans da periferia de São Paulo, viaja até o limite entre Brasil, Paraguai e Argentina em busca do pai que nunca conheceu. Lá conhece Diego, um paraguaio, que o apresenta os segredos da fronteira.

* “Grão” (Brasil-RS, 2026, 24 min) – Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa

Em um porto no extremo sul do Brasil, Leandro vive informalmente recolhendo a soja que foi extraviada durante o transporte. Mas a crise que acomete o país põe em risco seu sustento. Sem perspectivas, ele vaga com seu carro com o som no máximo. Noite adentro, ele parte em busca de companhia, mas nada sai como esperado.

* “Kakxop Pahok: As Crianças Cegas” (Brasil-MG, 2025, 17 min) – Cassiano Maxakali e Charles Bicalho

Um dia todos os homens da aldeia saíram para caçar. Dias, semanas e meses se passaram… E eles não retornaram. As mulheres da aldeia então trocaram seus filhos entre si, para não ficarem sem maridos, e passaram a viver uma nova vida. Porém, um dia os homens voltaram da caçada. E se depararam com um estado de coisas muito diferente daquele que haviam deixado. Falado no idioma Maxakali e ilustrado pelos moradores da Aldeia Escola Floresta no município de Teófilo Otoni (MG), o filme se baseia em história tradicional do povo Maxakali (Tikmû´ûn) e forma a “Trilogia Hãmnõgnõy” de animações indígenas com “Konãgxeka: O Dilúvio Maxakali” (2016) e “Mãtãnãg, a Encantada” (2019).

* “Lomba do Pinheiro” (Brasil-RS, 2025, 19 min) – Iuri Minfroy

Na aldeia kaingang Fag Nhin, Nelson divide seu tempo entre as aulas na escola e os treinos do time de futebol feminino. Sybelly quer contar a história de sua aldeia com uma câmera. A apreensão aumenta com os crescentes casos de avistamentos da sombria figura de um lobisomem que rondaria a comunidade.

* “Maira Porongyta – O Aviso do Céu” (Brasil-RJ-MT, 2025, 20 min) – Kujãesage Kaiabi

Itaarió, criador do mundo, é o mais poderoso entre os Mait, os deuses do povo Kaiabi. Ele convoca os outros Mait para uma reunião no céu, onde transmite um aviso inquietante.

* “O Mapa em que Estão Meus Pés” (Brasil-AL, 2025, 14 min) – Luciano Pedro Jr

Sebastião decide plantar seu coração no lugar em que ele nasceu.

* “O Ponto do Mel” (Brasil-PB, 2025, 22 min) – Mirian Oliveira e Pedro Lessa

O filme acompanha o ciclo de vida e transformação da cana-de-açúcar desde a colheita, processo de moagem e fervura, que culmina na obtenção dos pontos de mel. O filme se interessa pelo caráter histórico e os modos de vida comunitária em um território rural do alto sertão paraibano. É um registro dos conhecimentos dos trabalhadores do Engenho do Silva por meio de experimentações sonoras e pontuações cômicas.

* “Ontem Lembrei de Minha Mãe” (Brasil-PR, 2025, 23 min) – Leandro Afonso

Um episódio da infância retorna à memória de um homem sem-terra.

* “Ponto Cego” (Brasil-CE, 2025, 21 min) – Luciana Vieira e Marcel Beltrán

Marta é engenheira responsável pelas câmeras de segurança do porto de Fortaleza, um ambiente onde mulheres silenciadas convivem com o anonimato e o desprezo. Mas Marta está pronta para romper o silêncio.

* “Praia dos Milagres” (Brasil-PE, 2026, 11 min) – Rita Carelli e Laura Mansur

Um dia na praia dos Milagres, Olinda, Pernambuco, Brasil.

* “Replikka” (Brasil-MT-PR/EUA/Reino Unido, 2025, 16 min) – Piratá Waurá e Heloisa Passos

O filme nos convida a refletir sobre a sabedoria ancestral dos povos Indígenas no Brasil e a urgência em respeitar e proteger seus territórios, cultura e memórias.   No filme, tecnologia e sabedoria indígena nos levam a embarcar numa jornada espiritual e meditativa sobre memória, identidade, perda e renascimento. A resiliência do povo Wauja do Xingu, diante da destruição de sua história, é prova de que a força da ancestralidade atemporal jamais pode ser apagada.

* “Uma Menina, Um Rio” (Brasil-SP, 2025, 8 min) – Renata Martins Alvarez

Seguindo o fluxo de um rio, uma menina inicia sua jornada de descobertas. A cada passo, o curso do rio reflete sua própria transformação: da infância à adolescência, da juventude à maturidade. Ao final do percurso, entrega-se ao oceano, ciente de que o mar é o destino de todas as coisas.

Concurso Curta Ecofalante

* “Além do Marco: Direitos Indígenas em Jogo” (Brasil-SP, 2024, 17 min) – Cássia Fernandes / FIAM-FAAM

O filme acompanha a luta incansável do povo Guarani pela defesa de seu território no Jaraguá, o menor pedaço de terra indígena demarcada no Brasil. Cercados por especulações imobiliárias e alvo constante de repressão policial e política, os Guaranis resistem em meio à pressão da tese do marco temporal, que mais uma vez volta à mesa de discussão judicial. O documentário revela como essa batalha territorial se desenrola em São Paulo, uma metrópole erguida sobre terras indígenas, onde o passado e o presente colidem de forma dramática. Ao dar voz aos Guaranis e expor a realidade de uma aldeia urbana sufocada pelo concreto da cidade, o filme traz à tona a resiliência de um povo que luta para manter vivo seu direito ancestral e territorial.

* “Alucine Olinda” (Brasil-PE, 2026, 20 min) – Igor Luiz Ribeiro / Uniaeso

Em meio à brisa das águas do mar e às ladeiras de uma cidade histórica, um prédio emblemático sucumbe em suas próprias ruínas. Inaugurado ainda na primeira década do século 20, o Cine Olinda, que fica localizado na entrada da cidade, já passou por metamorfoses. Hoje, esse cinema é cenário para um verdadeiro filme de horror, com uma estrutura decadente, que reflete diretamente o atual estado da cidade.

* “Ambivalência” (Brasil-RJ, 2025, 11 min) – Natacha Maria Oliveira / EBAC

Enquanto aguarda ser chamada para sua consulta em uma sala de espera, Lia, uma paciente psiquiátrica, quer ir embora e desistir de seu tratamento. Mas Maria, sua acompanhante, está disposta a fazer com que ela continue.

* “Av. São João, 588” (Brasil-SP, 2024, 17 min) – Bruna Resende e Matheus Barbosa / Senac

“Nenhuma mulher sem casa.” A frase que guia a luta de Antônia Nascimento ecoa pelos corredores de um edifício que, antes abandonado, hoje se tornou um símbolo de resistência. Coordenadora da Frente de Luta por Moradia (FLM) e ativista há mais de 25 anos, Antônia lidera a transformação de prédios ociosos, sem função social, em lares. O filme narra, sob sua perspectiva, a luta das mulheres pelo direito a uma moradia digna em São Paulo, revelando os desafios, a força e a esperança de quem, com coragem e união, transforma concreto em lar e pertencimento.

* “Chica Machado – Rainha de Goyaz” (Brasil-GO, 2025, 19 min) – Renata Rosa Franco / UFG

O filme traz as memórias e as narrativas produzidas sobre Chica Machado, mulher negra que chegou escravizada em Goiás por volta de 1750, no último período de exploração do ouro. Protagonizou vários feitos que são lembrados há quase 300 anos na oralidade da população do norte do Estado, especialmente no povoado de Cocal, distrito de Niquelândia.

* “Da Aldeia à Universidade” (Brasil-TO, 2025, 16 min) – Leandro de Alcântara e Túlio de Melo / UFT

O filme fala das experiências e conflitos culturais dos indígenas Srowasde Xerente e Krtadi Xerente ao saírem da aldeia em busca de formação universitária.

* “Desfem” (Brasil-SP, 2025, 15 min) – Manoella Fernandes e Polyana Santos / Oficinas Querô

O filme questiona a feminilidade a partir do olhar de duas mulheres Desfem, que compartilham suas vivências e estigmas enfrentados em sociedade pelo modo de se vestirem.

* “Diálogo Bulbul” (Brasil-RJ, 2025, 8 min) – Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos / Oficina Lanterna Mágica

A partir de arquivos, por meio da força coletiva de invenção e resistência, evocando a potência criativa do povo preto, o filme convoca memórias sonoras e visuais para construir um remix insurgente.

* “Filme-Copacabana” (Brasil-RJ, 2025, 12 min) – Sofia Leão / UFRJ

Uma jovem abre uma cadeira de praia em uma calçada movimentada de Copacabana e, como se estivesse diante de uma tela de cinema, assiste o que está a sua frente: uma sinfonia urbana tropical.

* “Mares de Sabedoria” (Brasil-PE, 2025, 13 min) – Alunos do Clube Mares de Sabedoria / UFPE

Em Porto de Galinhas (PE), estudantes oriundos de famílias da pesca artesanal participam de um processo de realização audiovisual no qual passam a narrar suas tradições familiares. A partir do cotidiano, do território e dos saberes ligados às águas, o documentário acompanha como esses conhecimentos são transmitidos de geração em geração e reflete sobre a importância de sua valorização e inserção no contexto escolar.

* “Mestrinhos” (Brasil-SE, 2025, 14 min) – Lwidge de Oliveira / UFS

Os guardiães dos Saberes e Fazeres e das Artes e Cultura Popular na Universidade Federal de Sergipe são carinhosamente chamados de nossos queridos “Mestrinhos”. O saber ancestral, as práticas tradicionais e as atividades artísticas dos Mestres da Cultura sergipanos são formalmente reconhecidos no meio acadêmico por intermédio do Mérito Universitário Especial. O filme conta um pouco dessa história ao longo dos anos, trazendo os Mestrinhos para centralidade.

o saber popular e tradicional, homenageando trajetórias atravessadas pela memória e ancestralidade.

* “Mukondo, da Vida Após a Morte, Maria de Silú” (Brasil-BA, 2025, 19 min) – Fernanda Souza / UFBA

O filme revela a importância dos rituais fúnebres no Candomblé e a forma como essa tradição compreende a morte como continuidade da vida. Inspirado na memória de Maria de Silú, Mameto do Nzazi Kavuungo, o filme mostra como a morte representa uma ideia de renascimento para as comunidades praticantes das religiões afro-brasileiras.

* “Nioladi: Como Resiste a Língua Kadiwéu?” (Brasil-MS, 2025, 13 min) – Ana Beatriz Leal / UFMS

Como resiste uma língua ancestral ao tempo, às rupturas históricas e às pressões externas? Na Reserva Indígena Kadiwéu, em Mato Grosso do Sul, permanece viva a única língua polissintética falada no Brasil, marcada por diferenciações na fala de homens e mulheres. O Kadiwéu carrega em sua estrutura a história, a identidade e a visão de mundo de seu povo. A partir da escuta de professores, estudantes, lideranças e anciãos, o documentário acompanha o cotidiano de ensino e uso da língua na escola, na família e na memória coletiva. Mais do que um meio de comunicação, a língua Kadiwéu se revela como instrumento de resistência cultural e evidencia o papel das novas gerações na preservação desse patrimônio imaterial.

* “O Que as Formigas me Contaram” (Brasil-GO, 2026, 8 min) – Marcus Vinicius Diniz / UEG

Entre o micro e o macro, a coreografia é a mesma. O filme traça um paralelo visual entre a organização social das formigas e o cotidiano dos operários da construção civil, revelando a força coletiva e a invisibilidade de quem carrega o peso do mundo nas costas.

* “Rio Mãe (纱之河)” (Brasil-SP, 2025, 11 min) – Cristina Neves / USP

Em Xinjiang, no Noroeste da China, um rio subterrâneo leva vida em meio ao deserto para o povo uigur. Construção milenar cuja as águas fluem das profundezas da terra até os verdes campos de uvas, o Karez é conhecido pelos que dele usufruem como Rio Mãe.

* “Saber Brincar” (Brasil-CE, 2024, 15 min) – Leticia Diniz / UFC

Um filme sobre o encanto de ser criança no coração do Cariri. O documentário, mergulha nas cores, nos ritos e nas tradições das crianças, que com suas brincadeiras mantêm vivas as raízes que florescem nos grupos de cultura popular, celebrando a infância, o lúdico e a tradição que molda o futuro.

* “Ser Cria” (Brasil-RJ, 2025, 9 min) – Marco Aurélio Correa / UERJ

Entre a zoeira e o papo reto a Tropa inteligente lança mais uma braba audiovisual, agora passando a visão sobre o que é ser cria. A turma 1205 de 2023 da EM Maria de Cerqueira (Manguinhos, Rio de Janeiro) solta o verbo, larga o riso e mete dancinha para nos contar o que faz uma criança ser cria.

* “Trago Seu Amor de Volta” (Brasil-SP, 2026, 18 min) – Raíssa Anjos / USP

Raimunda e Cora procuram por um destinatário desconhecido: o antigo amor da falecida mãe de Raimunda, para quem ela escreveu cartas que nunca foram enviadas. Melhores amigas, as duas projetam luto, solidão, amor e frustrações nas palavras das cartas perdidas; Raimunda sente pela mãe, enquanto Cora sente pelo pai.

* “Um Gosto Assim” (Brasil-DF, 2026, 20 min) – Helena Versiani / UnB

Meses após a morte de seu pai e entre noitadas com diferentes mulheres, Laura se dedica a organizar as coisas que ele deixou. Inácio era um homem reservado, colecionador de livros e cacarecos digitais. Num blog mantido em segredo, ela descobre que Inácio teve uma relação com outro homem no fim da vida. Ela busca então se reconciliar com a figura do pai.

* “Um Pé de Caju” (Brasil-MA, 2025, 22 min) – Pablo Monteiro e Cadu Marques / UFMA

Passado e presente tecem memórias de tradição. Entre histórias vividas e histórias contadas, Cajueiro, comunidade quilombola do município de Alcântara (MA), desapropriada de seu primeiro território em 1980 – devido a expansão do Centro de Lançamento de Alcântara – se reterritorializa cotidianamente através da transmissão do conhecimento educacional quilombola.

PANORAMA HISTÓRICO

THE FLAHERTY WAY: O SEMINÁRIO FLAHERTY E OS CAMINHOS DO CONTRA-CINEMA

* “Harlan County: Tragédia Americana” (“Harlan County U.S.A.”, EUA, 1976, 103 min) – Barbara Kopple

Um registro comovente da luta de treze meses entre uma comunidade que luta para sobreviver e uma corporação dedicada aos resultados financeiros.

* “Nanook, o Esquimó” (“Nanook of the North”, EUA, 1922, 79 min) – Robert J. Flaherty

Precursor do documentário como gênero cinematográfico, o diretor Robert J. Flaherty acompanha ao longo de um ano a vida de Nanook e sua família, inuítes que vivem no Círculo Ártico.

* “Para Sempre Condenadas” (“Damned If You Don’t”, EUA, 1987, 42 min) – Su Friedrich

O filme acompanha uma jovem freira que luta contra o desejo sexual por uma mulher do mundo exterior e, eventualmente, sucumbe a ele. A obra utiliza uma combinação de narração em off, cinematografia em preto e branco marcante e reconstituições para criar um estudo hipnótico e onírico sobre a repressão e a resistência a ela.

* “Remontagem” (“Reassemblage: From the Firelight to the Screen”, EUA, 1983, 40 min) – Trinh T. Minh-ha

O filme documenta a vida de mulheres em uma zona rural do Senegal.

* “Sombras Reveladas” (“Cast of Shadows”, Finlândia, 2025, 121 min) – Sami van Ingen

Usando materiais invisíveis do arquivo de sua família, Sami van Ingen apresenta um ensaio sobre as mulheres ao redor de seu avô, o cineasta Robert J. Flaherty, e os papéis cruciais que elas desempenharam na produção de seu trabalho.

* “Tempo de Embebedar Cavalos” (“Zamani Baray-e Masti-e Asbha”, Irã, 2000, 78 min) – Bahman Ghobadi

Após a morte do pai, uma família de cinco crianças é forçada a sobreviver sozinha numa aldeia curda na fronteira iraniana. Tudo piora quando Ayoub, o novo chefe de família de apenas 12 anos, descobre que seu irmão deficiente, Madi, precisa de uma operação urgente para sobreviver.

A história de três irmãos órfãos de um contrabandista na fronteira do Irã com o Iraque.

PROGAMAS ESPECIAIS

* “Aprender” (“Apprendre”, França, 2024, 105 min) – Claire Simon

Na escola primária pública Makarenko, nos arredores de Paris, as crianças querem aprender e ser acolhidas, enquanto os professores sabem que não apenas ensinam, mas também educam. Com carinho, persistência e empenho, as crianças são preparadas para se tornarem não apenas cidadãos responsáveis, mas também seres humanos.

* “Lendo o Mundo” (Brasil-RN/EUA, 2025, 71 min) – Catherine Murphy e Iris de Oliveira

No início dos anos 1960, Paulo Freire (1921-1997) liderou um projeto experimental no nordeste do Brasil, permitindo que centenas de adultos lessem, escrevessem e votassem. A agitação política levou ao exílio de Freire, durante o qual ele se tornou um ícone global, promovendo a democracia por meio da educação.

* “Tietê: Águas Verdadeiras” (Brasil-SP, 2026, 95 min) – Rodrigo Campos

O filme explora o curso do Rio Tietê, desde sua nascente em Salesópolis até Mogi das Cruzes, oferecendo uma visão holística que transcende o estigma da poluição. A narrativa se estrutura em torno de quatro eixos: Mapeamento Ambiental, que expõe problemas críticos como o lançamento de efluentes e a perda da vegetação ripária; Mapeamento da Memória e da Cultura, que resgata o senso de afeto e pertencimento da população; Educação Ambiental, com o objetivo de conscientizar as futuras gerações; e Proposta de Soluções, que discute iniciativas para a recuperação hídrica e a sustentabilidade. O fio condutor da obra é um passeio lúdico em um pequeno barco, conduzido pelo cantor, compositor e pesquisador Victor Kinjo, que atua na área de estudos fluviais em todo o mundo.

* “A Economia da Esperança” (Brasil-SP, 2026, 92 min) – Sylvio Rocha (direção) e Guilherme Brammer idealização)

Em uma jornada que começa na Coreia do Sul e percorre o Brasil – da Amazônia ao cerrado, das comunidades ribeirinhas aos laboratórios de biotecnologia –, dois empreendedores de impacto partem em busca de uma resposta: é possível construir negócios que regenerem o planeta e ainda sejam viáveis? No caminho, encontram cientistas, agricultores, lideranças indígenas e fundadores que já estão construindo essa resposta, cada um à sua maneira. Pessoas que não esperam o mundo melhorar — que esperançam, como diria a filósofa Terezinha Rios. Um road movie sobre o Brasil que o Brasil ainda não conhece.

* “Longe dos Holofotes” (“Far From the Spotlight”, França, 2025, 33 min) – Jérémie Battaglia

No filme, o diretor franco-canadense Jérémie Battaglia conhece as pessoas que fabricam no Brasil os tênis da VEJA, marca francesa de tênis sustentáveis, reconhecida pelo uso de materiais ecológicos, como borracha da Amazônia e algodão orgânico, focada no comércio justo. São personagens do documentário Irisnete, que coleta seringueiras na Amazônia; Osvaldo, que colhe algodão orgânico; Richard, que trabalha em uma fábrica de tênis brasileira; e Luênia, que separa garrafas plásticas para reciclagem.

ECOFALANTE EDUCAÇÃO

* “A Incrível Aventura das Sonhadoras Crianças contra Lixeira Furada e Capitão Sujeira” (Brasil-RJ, 2019, 15 min) – Beatriz Ohana

Quando o lixo só cresce e os adultos não dão conta do problema, João Pedro, Sophia e as crianças do QG dos Sonhadores entram em ação para derrotar o atrapalhado Lixeira Furada e seu comparsa, Capitão Sujeira, os inimigos do bairro. Uma aventura repleta de imaginação e fantasia, que apresenta o olhar das crianças sobre o lugar em que vivem.

* “Cata” (Brasil-MA, 2025, 25 min) – Lucas Sá

No Brasil, 70% dos municípios depositam seus resíduos sólidos em lixões. Há cerca de 3 mil lixões no país e mais de um milhão de catadores de materiais recicláveis. A Política Nacional de Resíduos Sólidos prevê a obrigatoriedade do fim dos lixões.

* “Meu Avô Estranho” (“Moy Strannyy Dedushk”, Rússia, 2011, 8 min) – Dina Velikovskaya

Animação. Uma garotinha que vive à beira-mar, na pobreza, com seu avô – um homem excêntrico e marginal. Em total segredo, este último constrói um robô a partir de materiais reciclados para sua neta, que não gosta da condição de vida deles.

* “Os Pequenos Mundos, uma Aventura com Caixas” (Brasil-SC, 2024, 9 min) – Sandra Coelho

O filme conta a história de uma boneca que ganha vida e ajuda um pequeno caixa-cervo perdido em sua jornada para reencontrar seus pais. Nesta aventura, eles se deparam com diversas criaturas como a caixa-risonha, o caixa-pássaro, a caixa-balão, o planeta-caixa e o gigante-caixa. A dramaturgia aponta para a importância do cuidado e da fantasia no tempo da infância. A proposta é ancorada no conceito dos brinquedos não estruturados – como elementos de constituição estético da narrativa.

* “Tsuru” (Brasil-BA, 2024, 6 min) – Pedro Anias

Animação. O filme conta a história de um pedaço de papel adormecido que, após ser despertado pelo bater de asas de um Tsuru (origami de ave japonesa), inicia uma desafiadora jornada em busca de transformação.

* “Um Sonho de Havaí” (“Drømmen om Hawaii”, Noruega, 2022, 15 min) – Thomas Smoor Isaksen

Animação. Um nômade tenta sobreviver em um mundo coberto por resíduos plásticos, enquanto sonha com as praias brancas do Havaí. Sua longa jornada o levará a um lugar sem plástico?

FIFE – Festival International du Film d’Éducation

* “Aqui” (“Ici”, França, 2017, 15 min) – Aurélia Hollart

Axel deixou a Guiné. Na tenra idade de oito anos, ele descobre os subúrbios de Paris e sua nova escola. Mas seu coração ficou para trás e Axel não consegue mais falar.

* “Kuap” (Suíça, 2018, 7 min) – Nils Hediger

Animação. Um pequeno girino não se transforma em sapo como os outros girinos. Ele não desenvolve patas dianteiras nem traseiras, para seu grande desgosto.

* “Matilda” (Itália, 2013, 10 min) – Vito Palmieri

Apesar de ser tímida, Matilde é uma criança com uma inteligência dinâmica e um espírito forte. Em sua sala de aula, no entanto, algo a está incomodando. Combinando as sugestões recebidas de sua professora, o interesse pelas ferramentas de uma mãe cabeleireira e sua paixão pelo tênis, Matilde procura uma solução drástica e original para encontrar a serenidade.

* “Meu Amigo Nietzsche” (Brasil-DF, 2012, 15 min) – Fáuston da Silva

Um encontro improvável inicia uma violenta revolução na mente de um garoto, de uma família e de uma sociedade.

* “Meu Avô Estranho” (“Moy Strannyy Dedushk”, Rússia, 2011, 8 min) – Dina Velikovskaya

Animação. Uma garotinha que vive à beira-mar, na pobreza, com seu avô – um homem excêntrico e marginal. Em total segredo, este último constrói um robô a partir de materiais reciclados para sua neta, que não gosta da condição de vida deles.

longa-metragem infantil

“Sete Cores da Amazônia” (Brasil-AM, 2022, 78 min) – Ana Lígia Pimentel

Sarah é mais uma menina que vive nas inúmeras palafitas da periferia de Manaus. Acostumada com sua rotina de pobreza, Sarah vê seu mundo se expandir enormemente quando conhece sua avó, Ceucy, e embarca em uma jornada de descoberta de suas raízes indígenas.

  • evento acontece de 28/05 a 10/06, com entrada franca
  • são exibidos 104 filmes, representando 27 países
  • presentes produções vencedoras do Oscar, premiados nos festivais de Cannes, Sundance, Locarno, Montreal, Guadalajara e Tribeca e selecionados para Berlim e Roterdã
  • Leonardo DiCaprio e Ang Lee são produtores executivos de dois dos títulos programados: “O Grande Lago Salgado” e “À Deriva: 76 Dias Perdido no Mar”
  • “Arquivo Vivo”, novo longa de Vincent Carelli, tem première mundial e participa da mostra competitiva de longas brasileiros
  • primeiro documentário da argentina Lucrecia Martel, o premiado “Nossa Terra”, é atração inédita em São Paulo
  • série de debates discutem emergência climáticas, conflitos no Oriente Médio, colonialismo, Educação, ativismo feminista, saúde mental e democracia
  • Homenagem a Zita Carvalhosa reúne direções de Jeferson De, Carolina Markowicz, Aurélio Michiles e José Roberto Torero
  • 51 selecionados brasileiros estão nas mostras competitivas Territórios e Memória e Concurso Curta Ecofalante
  • Panorama Histórico traz o vencedor do Oscar “Harlan County: Tragédia Americana” (1976) e o clássico documentário “Nanook, o Esquimó” (1922), de Robert J. Flaherty, em versão restaurada
  • Programas Especiais promovem estreias de filmes

*Programa Ecofalante Educação leva filmes educativos, longa e curtas infantis, para o circuito
de CEUs e escolas da rede pública

  • Sami van Ingen, bisneto do cineasta Robert J. Flaherty e de Francis Hubbard Flaherty, ministra masterclass sobre o processo de pesquisa do filme “Sombras Reveladas”
  • Oficinas para o público jovem serão ministradas nos CEUs
  • Sessões acontecem no Reserva Cultural, Centro Cultural São Paulo e em 28 espaços do Circuito Spcine
  • plataformas parceiras Itaú Cultural Play e Spcine Play disponibilizam parte da programação após o festival
  • patrocinado pelo Itaú, Spcine e White Martins, com apoio Veja, festival é uma realização da OSC Ecofalante, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas, Ministério da Cultura e Governo Federal