Jornal Novo São Paulo Online

A Notícia Precisa

A dureza climática e a infraestrutura deficiente

A inclemência climática tem se apresentado, a cada dia, mais perigosa sobre o território brasileiro e em diversos pontos do planeta. Lembro-me de meus mestres, diante dos bancos escolares, dizendo que o Brasil era um país abençoado, livre de vulcões, furacões, falhas tectônicas e outros fenômenos naturais capazes de expor a população a grandes riscos. Vivíamos, segundo eles, em um verdadeiro paraíso, o que alimentava a imagem idealizada do “País do Futuro”, cantado em prosa e verso nos hinos patrióticos e na esperança de muitos brasileiros.

Essa ideia de uma terra sem grandes problemas naturais deu aos responsáveis pelo desenvolvimento urbano, ao longo dos últimos séculos, a falsa impressão de que vivíamos em um território pacífico, capaz de suportar qualquer intervenção humana. Várzeas foram canalizadas para a implantação de avenidas nos centros urbanos; represas foram construídas para geração de energia elétrica e abastecimento hídrico; ruas e estradas passaram a ser impermeabilizadas com cimento e asfalto. As florestas foram substituídas pela agricultura e também serviram de fonte de madeira para a construção civil e outras atividades econômicas.

Com o tempo, vieram as consequências: aumento da temperatura, enchentes, alagamentos e outros problemas provocados tanto pela chuva quanto pelo calor excessivo. Os principais rios sofreram assoreamento em razão do desprendimento de terras das margens, especialmente após a retirada da cobertura vegetal. A partir daí, as inundações passaram a atingir cidades, moradias, instalações públicas e privadas, além da vida de homens e mulheres que ali residiam.

Há muito tempo, acumulamos mais problemas climáticos do que soluções estruturais efetivas. Recentemente, fomos impactados pela instabilidade de fenômenos como El Niño e La Niña, decorrentes das variações de vento e temperatura no Oceano Pacífico. Embora muitas obras tenham sido realizadas para conter as águas, nem sempre elas se mostram suficientes. Parte da população, por falta de alternativa ou planejamento público adequado, acabou ocupando encostas e áreas de risco, muitas vezes com consequências fatais.

Nos últimos anos, os serviços de monitoramento do tempo passaram a alertar que o território brasileiro, antes considerado pacífico, tornou-se mais vulnerável a eventos climáticos extremos. Obras inconclusas, ausência de manutenção, ocupação desordenada e infraestrutura deficiente ampliaram os riscos. Passamos a conviver com vendavais, tornados e outras movimentações perigosas dos ventos, que deixam rastros de destruição por onde passam.

Nos últimos dias, convivemos novamente com alertas de possíveis sinistros. A chuva forte avançou pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e também por regiões do Norte e do Nordeste. Mais uma vez, registraram-se inundações, desabastecimento de água e energia elétrica, deslizamentos, prejuízos materiais e danos a prédios comerciais e residenciais.

No fim de semana, vimos com destaque a queda da marquise de um posto de abastecimento sobre veículos, além do prejuízo sofrido por uma locadora de automóveis após o muro de seu pátio desabar sobre os carros. Além desses episódios, muitos outros danos foram contabilizados e ainda exigem investigação.

Em entrevista concedida ao programa Canal Livre, do Grupo Bandeirantes de Rádio e TV, o presidente do BNDES mencionou que Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, desenvolve o chamado “Projeto Esponja”. Trata-se de uma iniciativa voltada à retirada de pavimentação em pontos críticos da cidade, permitindo que a água da chuva infiltre no solo e reduza o risco de enchentes. Outra observação importante é que a Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, estaria carregada de areia em seu leito, o que contribuiria para as cheias em Porto Alegre. Portanto, não se trata apenas da falta de manutenção em registros e comportas do muro hidráulico, como muito se afirmou durante as grandes inundações que atingiram o estado gaúcho.

O BNDES possui boa situação financeira e sinaliza a possibilidade de investir em infraestrutura. Espera-se que a equipe da instituição mantenha esse compromisso e, principalmente, que tal disposição não seja abandonada com eventuais mudanças de governo, especialmente diante das eleições previstas para outubro próximo.

Penso que o atual quadro é resultado de soluções paliativas e incompletas adotadas no passado. A ocupação de encostas e de outras áreas perigosas, que já provocou tantas mortes, é parte dessa realidade. Grande parte das enchentes ocorre porque os serviços de canalização de córregos normalmente começam pelas regiões mais baixas e urbanizadas. Com o avanço do calçamento e da urbanização para áreas mais altas, o volume de água lançado nos rios aumenta, enquanto as estruturas antigas tornam-se insuficientes para garantir a vazão necessária.

Isso me faz lembrar de um engenheiro que presidiu o sistema de água da cidade onde eu residia. Certa vez, ele me disse que determinado local, onde se pretendia canalizar um rio, tendia a se tornar um futuro ponto de inundação. A obra foi executada mesmo assim, e as enchentes passaram a ser frequentes. Toda vez que passo por lá, lembro-me desse amigo, hoje falecido, e lamento que seus sucessores no cargo público não tenham tido a sensibilidade de ouvir a voz da experiência.

Tenho convicção de que muitos dos problemas enfrentados hoje decorrem da inexperiência dos executores, da falta de planejamento ou da economia mal aplicada em obras que não admitem improviso. Infraestrutura não pode ser tratada como gasto secundário, especialmente quando dela dependem vidas, moradias, atividades econômicas e a segurança da população.

Que o BNDES mantenha o bom cofre revelado por seu presidente e que os governantes dos próximos mandatos sejam suficientemente comprometidos para investir o necessário na solução dos problemas que, a cada dia, afetam com mais força a população brasileira.

nutenção nos registros e portão do muro hidráulico, como se disse quando o estado sulino sofreu suas grandes inundações e prejuízos incalculáveis à população.

     O  BNDES possui boa situação financeira, e acena com a possibilidade de investir na infraestrutura. Espera-se que a equipe daquela instituição estatal pense a mesma coisa e, principalmente, que não mude de idéia quando mudar o governo (teremos eleições em outubro próximo).







     Penso que o atual quadro que vivemos é resultado de soluções paliativas e incompletas adotadas no passado. A ocupação de encostas e de outras áreas perigosas do território, que já provocou tantas mortes, é o resultado disso. A maior parte das enchentes ocorre porque os serviços de canalização de córregos normalmente começa pela região baixa e mais urbanizada, que fica desatualizada quando o calçamento e urbanização do do solo chega às regiões altas e joga no rio quantidade de líquido que os canos ali colocado no passado são insuficientes para garantir a vazão. Isso me faz lembrar de um engenheiro que presidiu o sistema de água da cidade onde eu residia e disse-me que um local onde se pretendia canalizar o rio, tendia a ser um futuro ponto de inundação. A obra foi adiante e as cheias passaram a ser freqüentes. Toda vez que passo por lá lembro-me do amigo – hoje falecido – e lamento que seus sucessores no cargo público não tiveram a sensibilidade para ouvir a voz da experiência. Tenho a certeza de que a maioria dos problemas com que deparamos ao longo do caminho são decorrentes da inexperiência dos executores ou, pelo menos, da economia que fazem em obras que não admitem esse tipo de administração.







     Que o BNDES continue com o bom cofre revelado pelo seu presidente  e os governantes dos próximos mandatos sejam suficientemente comprometidos a empregar o necessário na solução dos problemas que, cada dia mais, prejudicam a população.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).