A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã provoca a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história, afetando cerca de 10% da oferta mundial dessa importante commodity energética. O bloqueio do Estreito de Ormuz elevou o preço do barril do Brent para perto de US$ 100, impulsionando a inflação global e forçando a liberação recorde de reservas estratégicas.
Principais impactos
Choque de oferta – A paralisação da produção no Oriente Médio pode levar meses para que os níveis normais sejam restabelecidos, devido aos danos em instalações energéticas e à redução do fluxo global de abastecimento.
Preços em alta – O petróleo Brent superou os US$ 119 em março, e a instabilidade reacendeu temores de uma crise energética semelhante à dos anos 1970.
Impactos no Brasil e no mundo – Há elevação direta nos custos dos combustíveis, como gasolina e diesel, além do encarecimento de produtos industrializados, com risco de recessão em economias mais dependentes. A Agência Internacional de Energia (AIE) liberou 400 milhões de barris de reservas estratégicas para tentar conter a alta dos preços. Entretanto, a escalada do conflito já danificou mais de 40 instalações de energia no Oriente Médio, comprometendo a logística do setor. A previsão é de agravamento da escassez, com reflexos no fornecimento de querosene de aviação e diesel, especialmente na Ásia e, posteriormente, na Europa. Especialistas alertam para um cenário de estagflação, em que o alto custo dos combustíveis desacelera a economia e amplia o desemprego. Para o Brasil, esse quadro reforça a importância da segurança energética e da exploração de novas áreas, como a Margem Equatorial.
A guerra no Oriente Médio desperta o temor de uma nova crise do petróleo, semelhante à ocorrida há meio século. Os combustíveis jamais foram baratos no Brasil. Foi por isso que o governo Vargas decidiu criar a Petrobras, em 1954, e a empresa se transformou na maior estatal brasileira. Apesar de todos os avanços alcançados, o país ainda não é autossuficiente em petróleo. Por questões técnicas relacionadas ao tipo de óleo produzido e refinado, somos obrigados a importar cerca de 25% do diesel consumido para movimentar nossa frota de transportes. A gasolina também exige uma logística complexa para que não haja desabastecimento, mesmo com a contribuição do etanol e da eletricidade, que já representam alternativas relevantes para a mobilidade.
Os Estados Unidos previam que a guerra entre aquele país, Israel e Irã não duraria mais do que três ou quatro semanas. No entanto, apesar de já ter matado cerca de 5 mil pessoas, o conflito não dá sinais de solução próxima. Além dos envolvidos diretamente, soma-se ao cenário a influência e o apoio de governos de esquerda ao Irã. O presidente Trump, nos Estados Unidos, promete fortes retaliações. Isso pode afetar o mundo inteiro, que depende da circulação de mercadorias no comércio internacional e que, com combustíveis cada vez mais caros, tende a enfrentar aumento generalizado de preços e até escassez de determinados produtos.
As autoridades econômicas brasileiras já adotaram medidas para evitar uma explosão de preços, mas as providências ainda parecem insuficientes. Não se pode ignorar que a maior parte do transporte em nosso país é realizada por caminhões movidos a diesel. O diesel também é insumo fundamental para máquinas e equipamentos agrícolas, enquanto a gasolina segue amplamente utilizada por nossos automóveis. O país precisa de medidas eficazes e de uma política austera para o setor.
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