A celebração dos 77 anos de emancipação político-administrativa de Poá, sob a gestão do prefeito Saulo Souza, teve momentos de indiscutível brilho. O desfile cívico de 26 de março e a inauguração do novo Centro da Melhor Idade, coroados pelo show da “Boiadeira” Ana Castela no dia 28, trouxeram o fôlego de entretenimento que a população merece. É positivo ver a cidade viva, ocupando as ruas e deixando as telas de lado.
Contudo, onde a luz da festa brilhou, a organização tropeçou na cortesia e no protocolo.
O Silêncio do Cerimonial
O que se viu por parte da assessoria e do cerimonial — sob o comando de figuras como Tiago da Prefeitura e o locutor oficial Cristiano Pedro, vinculado à empresa MP Promoções (MDPM Promoções Artísticas) — foi um completo apagão de etiqueta democrática. Ignorar a presença da imprensa local em um evento público não é apenas uma falha de “logística”, é um erro estratégico e um desrespeito à história da cidade.
“Quem assume o microfone de um evento oficial assume também a responsabilidade de honrar o protocolo. E o protocolo é claro: a imprensa é o braço que registra o presente para que ele se torne história.”
O Contraste com a Vizinhança
Não é preciso ir longe para encontrar um exemplo de boas práticas. A vizinha Suzano parece entender que o jornalista não está ali a passeio. Lá, o profissional encontra:
Dignidade: Salas de imprensa estruturadas.
Suporte: Água, lanche e infraestrutura básica para quem passa horas em pé.
Acesso: Identificação clara e circulação permitida para o exercício da função.
A Realidade em Poá
Em solo poaense, o cenário foi o oposto. Sem crachás, sem acesso e sem suporte, os profissionais da notícia tiveram que se acotovelar entre o público para garantir o registro, muitas vezes enfrentando a grosseria de funcionários da empresa contratada, que parecem desconhecer o valor do trato com a mídia.
É lamentável que o setor de Comunicação da Prefeitura, ressalvando-se os funcionários de carreira que compreendem o dinamismo local, permita que empresas terceirizadas ditem um tom de hostilidade e amadorismo.
Fica a lição para o prefeito Saulo Souza: uma gestão que deseja ser lembrada pelo progresso não pode tratar com invisibilidade aqueles que escrevem a história do município. Festa é bom, mas o respeito à liberdade de trabalho e à imprensa é fundamental.


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