A sustentabilidade é caótica em Cuba. A informação vem das redes sociais que divulgaram durante o fim-de-semana reportagens mostrando as ruas da ilha atulhadas de lixo porque, sem combustível para movimentar os caminhões coletores, os rejeitos não foram levados ao destino. Noticiou-se também que a geração de eletricidade está restrita e logo a população estará enfrentando problemas sanitários. A escassez de transportes agrava o quadro de pré-colapso. Apesar de tudo, a população saiu às ruas e entoou “libertad-libertad”, conforme vídeo postado no Instagram.
O desabastecimento é decorrência do bloqueio internacional imposto pelos Estados Unidos desde 1959, quando a revolução de Fidel Castro derrubou o governo local e impôs seu regime. Até 1990, a ilha viveu sob os guarda-chuvas político, econômico e de segurança da União Soviética. Com o esfacelamento da então potência mundial de esquerda, passou a ser subsidiada pela emergente China e aliados. A derrubada do governo chavista da Venezuela é encarada como possível tiro de liquidação do castrismo. Ultimamente Cuba era abastecida pelo petróleo da Venezuela, que desde a prisão do ex-presidente Nicolás Maduro – hoje encarcerado em Nova York sob pesadas acusações criminais – é remetido a companhias petrolíferas norte-americanas e têm sua renda destinada à reconstrução Venezuelana. O governo de Washington já exortou o de Cuba a celebrarem um acordo antes que a ilha entrasse em colapso por falta de insumos básicos, mas, até agora, a resposta das autoridades cubanas – se é que existe – ainda não chegou ao conhecimento público.
A outrora ameaçadora Cuba, que se esforçou para exportar para impor sua revolução à América Latina e ao mundo perdeu todo seu vigor do qualquer instante pode ruir. Não dispõe mais aporte dos líderes de esquerda e sofre com a política do presidente Donald Trump, dos EUA, disposto a varrer a esquerda do continente latino-americano.
Observadores internacionais prevê em que, além de Cuba estão sob o risco de ruptura Nicarágua, Colômbia, México e outros países da região com governos pró esquerda e, de alguma forma, envolvidos com o narcotráfico, entre eles o Brasil.
O governo estadunidense aproveita a tendência eleitoral da América Latina onde vários países – Argentina, Bolívia, Chile El Salvador e outros – já trocaram governos de esquerda pelos de direita. Na Venezuela, as últimas eleições presidenciais foram denunciadas como resultado de fraude. Maduro anunciou vitória mas não apresentou as fichas de votação e isso pode ter de ser um dos problemas que sustentaram a sua deposição.
A política declarada pelo presidente Trump é eliminar a influência da esquerda nos governos latino-americanos e intervir para ajudar os países da área a controlar e eliminar o narcotráfico.
Lula e Trump deverão se encontrar ainda este Mês nos Estados Unidos para a discussão dos interesses dos dois países. De ótica política antagônica, ambos deverão tomar muito cuidado para em vez de acordos acabarem levando a conversa para o confronto. Espera-se que ambos compreendam o momento delicado em que as relações internacionais estão mergulhando e façam todo o possível para evitar confrontos. Vale lembrar que China e Rússia, os antigos garantidores de Cuba, já deram sinais de que não vão se envolver na questão que hoje envolve a ilha. Eles certamente continuam identificados com a ideologia cubana, mas têm negócios e interesses com os Estados Unidos e já compreenderam que o momento exige muito equilíbrio e cuidados especiais. Nós, brasileiros, vamos torcer para que Lula e Trump cheguem ao melhor acordo (nunca ao confronto) no encontro que terão. Cada país tem suas próprias características e estas de bem ser respeitadas dentro da melhor diplomacia internacional. Que Brasil e EUA façam a melhor negociação possível dos interesses bilaterais e deixem as questões internacionais para serem discutidas pelos diretos envolvidos. Que a ideologia não seja capaz de prejudicar aquilo que, bem tratado, pode resultar em vitoriosa negociação...
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).
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