Informações do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anisio Teixeira e Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, referentes a 2025, revelam que quatro em cada 10 médicos brasileiros formados em faculdades privadas saíram do curso sem capacidade mínima para exercer a profissão.
Dos 24 mil formandos de cursos privados, 38,8% não atingiram a nota mínima (60 de 100 pontos). Entre os universitários públicos, o desempenho foi bem melhor: das 49 instituições que tiraram nota máxima, 40% são federais ou estaduais.
Relevância: O dado preocupa porque hoje mais de 70% das vagas de medicina são ocupadas por formados em instituições privadas – as faculdades com pior desempenho médio. Isso pode ser reflexo de um problema estrutural; o mercado parece ter percebido que havia bem mais interessados no curso de medicina do que o número de vagas disponíveis, causando um boom de cursos na área. O ponto é que muitos deles surgiram com infraestrutura precária, poucos hospitais de ensino e professores insuficientes.
O Brasil mais que triplicou o número de escolas médicas em 20 anos, saltando de 143 em 2004 para 448 em 2024.
O governo anunciou que cursos mal avaliados no Enamed sofrerão sanções. Em paralelo, tramita no Congresso Nacional a criação do Profimed, exame obrigatório para recém-formados – a chamada popularmente de “OAB da Medicina”, assim conhecida pela sua semelhança de método e objetivo ao exame a que são submetidos os novos advogados.
A constatação da deficiência na formação dos profissionais causa profundos danos à reputação da classe. Principalmente porque boa parte desse pessoal vai trabalhar nas unidades públicas de Saúde onde existem muitos dogmas – especialmente aquele dito por grande número de pacientes de que “o médico nem olhou para a minha cara”. É comum constatar a insatisfação do público alvo e, não raras vezes, o atendimento negligente. Dias atrás ocorreu em Bauru (SP) uma deficiência que afastou do serviço a médica do SAMU e hoje alimenta apurações de diferentes órgãos de controle do atendimento médico. Chamada à rodovia para socorrer uma mulher atropelada, a doutora atestou sua morte e ausentou-se, ficando a vítima aos cuidados da equipe da concessionária da estrada, que permaneceu à espera da chegada do carro funerário. permaneceu aguardando a chegada do carro funerário. Ao verificar que a vítima se movimentava, o médico da equipe rodoviária aplicou-lhe primeiros socorros e requisitou a volta da ambulância para conduzi-la ao hospital. A mulher ainda permanece internada mas acaba de ser dispensada da UTI. Seu estado ainda inspira cuidados mas é melhor do que quando foi erroneamente dada como morta.
São muitos os incidentes envolvendo médicos e outros profissionais de saúde supostramente mal foramdos e treinados inadequadamente. Espera-se que os órgãos de Educação e Saúde, que por ação ou inação ensejaram a má formação e treinamento dos doutores e doutoras, se apressem na busca de soluções e que os profissionais imperitos sejam submetidos a reciclagem ou retirados dos postos onde sua incompetência pode causar danos à saúde e à própria vida dos pacientes.
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).
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