A eletricidade, que promove o desenvolvimento brasileiro desde praticamente todo o Mundo desde o Século 19 – chegou a Campos (RJ) em 1883 – é o grande fator de progresso. Tanto que é através dela que se movimentam as cidades, empresas, parte dos transportes e a iluminação pública, além de milhares de eletrodomésticos.
Mas, nos últimos anos, temos enfrentado dificuldades de abastecimento decorrentes dos fenômenos climáticos exacerbados. Os ventos, tradicionalmente de pequena monta, têm chegado até os 200 quilômetros por hora e formado ciclones e outros fenômenos que danificam as redes distribuidoras. Árvores caem sobre os fios e o consumidor fica às escuras por longos períodos, com desconforto e prejuízos. São Paulo, Rio de Janeiro e outras regiões densamente habitadas e desenvolvidas têm enfrentado o problema que hoje leva até a movimentos pela suspensão dos contratos com as atuais empresas distribuidoras.
Em 22 de dezembro último, foi publicada a Lei nº 15299/2025. Ela permite aos munícipes contratar profissionais habilitados para a poda da árvore se houver risco de acidente e o órgão ambiental, quando acionado, não responder o pedido em até 45 dias.
A porta de entrada para a solução do problema é o acionamento da Prefeitura ou seu órgão ambiental que, na verdade, é o responsável pela arborização das vias e logradouros públicos.
A manutenção de árvores em passeio público, jardins e assemelhados é um problema antigo. A falta de conhecimento técnico levou, décadas atrás, prefeituras e seus órgãos a plantar seringueiras em calçadas dos centro das cidades, num processo que não deu certo porque as raízes dessa espécie “procuram” umidade e, em ambiente urbano, é comum que forcem a rede de esgoto e provoquem seu entupimento. As cidades que recorreram à espécie tiveram de substituí-las.
Outro problema de grande porte ocorreu nos anos 60 do século passado. Árvores de jardins e vias públicas foram alcançadas por uma praga que a população da época chamou “lacerdinha” e tiveram de ser cortadas radicalmente. Frequentemente ocorrem problemas com a arborização das cidades. O maior é o emprego de espécies inadequadas para aquele tipo de ambiente.
A árvore em via pública traz conforto térmico à população, especialmente aos pedestres. Mas quando é de espécie que cresce muito traz uma série de problemas. O maior deles é a convivência com os fios da rede elétrica que, em boa parte dos locais, estão localizados na mesma calçada das árvores. Aí há a necessidade de poda frequente e outros cuidados que nem sempre são adotados no tempo certo e levam aos acidentes de abastecimento.
Temos mais de 5 mil municípios no Brasil. Grande número deles – principalmente os grandes e médios – convivem com o problema da incompatibilidade das árvores com a rede elétrica. Prefeitos, ambientalistas e companhias distribuidoras têm o dever de buscar solução para a interrupção de abastecimento. A recente lei que regula o setor pode ser a solução, desde que cada um cumpra a sua parte. A eletricidade é fundamental e não pode faltar sob risco de trazer uma série de inconvenientes.
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).
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