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A Notícia Precisa

A “guerra” no preparo das eleições

   O ano começa agitado e, até, ameaçador. Além de diferentes conflitos bélicos em diferentes pontos do planeta, temos aqui no quintal da América do Sul, os ataques dos Estados Unidos à Venezuela, que insistem em depor o presidente Nicolás Maduro e cujos desdobramentos ainda poderão avançar sobre território brasileiro, principalmente se o presidente Lula insistir em fazer algo em defesa do seu colega e aliado venezuelano. Mas, não precisamos de desavenças internacionais para manter o Brasil de cabeça quente. As divergências entre os Três Poderes – Legislativo, Executivo e Judiciário - são suficientes para preocupar a todos nós e, principalmente, lançar incerteza sobre nosso futuro político.

                  A fervura política vem desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff (2016) e a prisão do então ex-presidente Lula (2018) e a radicalização que  envolveu Jair Bolsonaro a partir de sua eleição.  Esquerdistas, além de defender seu líder, partiram para o ataque à direita e chegou ao ponto em que hoje nos encontramos. Bolsonaro e membros do seu governo encarcerados para cumprir elevadas penas, acusados de tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023. A palavra golpe vem povoando a crônica política brasileira  desde o afastamento de Dilma, cujo processo seguiu rito normal, mas foi apelidado de “golpe” por seus seguidores, que assim também classificaram a prisão de Lula.

                  Hoje temos Lula no governo adotando medidas populistas na tentativa de viabilizar-se e eleger-se para o quarto mandato presidencial nas eleições de outubro próximo. Bolsonaro, impedido de participar da corrida, abdicou em favor do filho, senador Flávio Bolsonaro. Os institutos de pesquisas sobre preferência e possibilidade eleitoral divergem, uns atribuindo possibilidade de vitória a Lula e outros ao Bolsonaro da nova geração. O Congresso Nacional  se agita com a possibilidade de tramitação do projeto de anistia aos envolvidos em 8 de janeiro (que o governo faz tudo para impedir o andamento) e outras medidas que, adotadas,  poderão oxigenar a política nacional.  A CPMI do roubo no INSS agita os congressistas e pode suspender o recesso de virada do ano. No Supremo Tribunal Federal os humores também são ácidos, envolvendo vários ministros e levando outros a preparar a liquidação do Banco e aposentadoria precoce. Também é combustível para a grande fogueira política desse começo de 2026, a liquidação do Banco Master – acusado de rombo milionário no sistema financeiro e as relações do seu controlador com autoridades dos Três Poderes.

                  Independente da vontade dos cidadãos, vivemos um Brasil de política agitada. Figurões denunciados (alguns condenados) por crimes que teriam cometido, segundo as denúncias de seus adversários. É nesse clima que estamos entrando no período em que começarão a vencer os prazos do calendário eleitoral que conduzirá a Nação a eleger (ou ainda reeleger pela última vez) o presidente da República, os governadores dos Estados e do Distrito Federal, senadores e deputados federais e estaduais. Bom seria que cada um dos milhares de candidatos a esses postos tivesse a tranquilidade de fazer sua campanha e apresentar ao povo suas propostas de trabalho, sem a necessidade de empregar seu tempo na defesa de acusações sofridas no embate da polarização.

                  Esperamos, sinceramente, que as brigas cessem e os pretendentes a posto eletivo possam levar sua mensagem ao eleitor. Se os Três Poderes tiverem condição de diminuir o incêndio institucional que toma conta do País, será bom para todos. E as ‘dívidas' que o candidato têm no cartório, poderiam ser cobradas depois das eleições.



                  Já passamos Natal e Ano Novo. Agora, a próxima festa popular brasileira será o Carnaval que, neste ano, ocorrerá de 14 a 17 de fevereiro. Que se cumpra o dito popular de que o ano só começa depois do Carnaval e, a partir de então, cessem as contendas, os candidatos possam transmitir suas mensagens e o eleitor seja bem informado e esteja capacitado para escolher os melhores. Se ocorrer, o comportamento poderá ser qualificado, até, como patriótico...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).