Os caminhoneiros prometem começar na quarta-feira (04/12) greve nacional por tempo indeterminado , pela libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra recolhido à sede da Polícia Federal, em Brasília, para começo do cumprimento da pena de 27 anos de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que o acusa de ter liderado tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023. A expectativa é que o movimento provoque o colapso no abastecimento de alimentos, medicamentos, combustíveis e outros gêneros de primeira necessidade, cuja frota nacional do transporte rodoviário responde com 65% da movimentação das zonas produtoras aos centros consumidores.
Nos últimos dias, em meio a protestos setoriais, lideranças da classe exortaram a população a estocar mercadorias para fazer frente ao desabastecimento que deverá se estabelecer com a paralisação.
Várias greves de caminhoneiros já ocorreram no Brasil, com destaque para as de 1999, 2013, 2015 e 2018. Não há um número exato para todas as paralisações, pois, além dos movimentos nacionais, houve diversas manifestações regionais ao longo dos anos.
As greves mais notáveis foram: 1999, que teve como pauta o ´protesto contra o reajuste nos valores dos pedágios em São Paulo, além de outras questões relacionadas ao setor de transporte rodoviário. A de 2013, movimento regional, sobre o preço do diesel e outras insatisfações da categoria. A de 2015, reivindicando o preço do diesel, a criação de uma tabela de fretes mínimos, e o valor do pedágio. O movimento durou vários dias e impactou o abastecimento em várias regiões.
A greve de 2018 é considerada a maior e mais impactante. Durou 11 dias e paralisou o País. O principal motivo foi o aumento do preço do diesel, gerando falta de combustíveis, alimentos e outros produtos. O governo precisou intervir, e a situação teve grande visibilidade política.
A exemplo de todos os movimentos de ordem política que vem ocorrendo na atualidade, a greve dos caminhoneiros não é uma unanimidade. Existem segmentos que pregam a sua realização e até a radicalização pelos resultados e outros que chegam a contestar o movimento e criticar as lideranças que o defendem. A principal das razões está na motivação. Ao contrário de paralisações anteriores – contra a alta nos preços do diesel e do pedágio e pelo estabelecimento de tabela mínima de preços para os fretes, a motivação atual é política, podendo estender o movimento indefinidamente ou levá-lo à extinção se for encontrada a solução para os problemas que determinaram sua eclosão. Se o Congresso Nacional tiver força política para votar o projeto da anistia aos envolvidos em 8 de janeiro de 2023, Bolsonaro e seus auxiliares estarão libertos e o mesmo se dará aos manifestantes presos dias 8 e 9 de janeiro, logo após o quebra-quebra ocorrido no Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal. A anistia terá forças suficientes para liberar todos os punidos e suspender a greve do transporte. Com ela, a vida do País tende a retornar à normalidade.
Acaltelem-se os caminhoneiros e seus empregadores e/ou parceiros para, ao defender os réus e assemelhados de 8 de janeiro, não correrem o risco de incorrer no mesmo crime que os levou à prisão. Manifestem-se e reivindique, mas cuidem-se para não sair da legalidade ou darem margem para que os denunciem como o tendo feito. Tentem dissolver os presos do suposto golpe, mas façam todo o possível para não ficarem no lugar deles...
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).
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