Finalmente aconteceu o esperado diálogo entre os presidentes Donald Trump e Lula da Silva. Conversaram na segunda-feira, por 30 minutos, através de videochamada e saíram produzindo declarações positivas e, inclusive, sinalizando o desejo de encontro pessoal (que é o ideal) para novas tratativas. O americano falou de seu desejo de visitar o Brasil e classificou Lula como um bom homem. Lula aproveitou para pedir a revogação do tarifaço imposto por Washington, que já começa a causar danos à economia brasileira. Trump designou o secretário de Estado, Marco Rubio, como interlocutor do governo norte-americano com o Brasil, representado nesse diálogo pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
A composição da mesa de negociação causa diferentes expectativas ao meio político brasileiro. A primeira delas é que Marco Rubio é um direitista inveterado e fez carreira política combatendo as esquerdas nos EUA; a outra é que foi ele, pessoalmente, quem providenciou a suspensão dos vistos de entrada ao país a ministros do Supremo Tribunal Federal e outras autoridades brasileiras, e também faz parte da equipe que aplica a Lei Magnitsky (ou morte econômica) aos que seu governo considera fraudadores dos direitos humanos e violadores das leis daquele país. Do lado brasileiro, não podemos esquecer de que Alckmin foi quem até agora fez a conversação com a equipe de Trump e Vieira cultiva boas relações com Rubio. Haddad, titular da Fazenda, é a maior autoridade na economia nacional interessada em resolver o tarifaço e outras pendências.
Lula também teria pedido a Trump pelos ministros e outras autoridades sancionadas mas nem necessitaria, pois é chefe do Executivo e os outros são do Judiciário e do Legislativo, os outros Poderes da República, e têm capacidade para eles próprios buscarem negociação.
Estados Unidos e Brasil cultivam bom relacionamento há mais de 200 anos – desde o início das duas nações no formato republicano que hoje existe. Temos a certeza de que tanto brasileiros quanto norte-americanos fazem votos para que as negociações das diferenças ultimamente identificadas tenham a mais absoluta transparência e acesso. Isso garantirá o bom relacionamento das duas nações nos diferentes setores e o bem-estar dos seus habitantes, acostumados e até dependentes do comércio, da segurança e de outros itens que impulsionam a economia e o bem-estar.
Pensamos que ao colocar Marco Rubio como seu representante na mesa de negociação, o presidente americano o fez com a certeza de que o secretário saberá reconhecer as necessidades dos dois povos, da mesma forma que será um legalista nas questões do respeito à Constituição e ao ordenamento jurídico. Os dois lados da contenda têm de atuar com bom senso para evitar as denunciadas anomalias que levaram os EUA a estabelecer sanções ao Brasil e autoridades brasileiras. Também terão de cultivar um certo jogo de cintura para mitigar as diferenças políticas e ideológicas dos dois governos. Em princípio, cada governante tem o direito de se relacionar com governos que lhes pareçam mais favoráveis ou até vantajosos. Como um dos grandes fornecedores de mercadorias aos EUA, o Brasil não deve ser refratário àquele país pois, dessa forma, correrá o risco de perder o cliente. Mas nada impede que se relacione com os de outras correntes ideológicas, desde que essa relação não traga tensões e dificuldades.
Há anos, vivemos no Brasil o desconforto da polarização político-ideológica. Nossos políticos têm vivido uma guerra permanente que muitas vezes desanda para a agressão desmedida. Deveriam, mesmo pensando e agindo diferente, serem respeitosos uns com os outros e deixar a contenda exclusivamente para o período eleitoral, onde todos estão indo ao eleitor pedir seu voto. Em vez de tentar destruir o adversário, o bom político é aquele que se coloca na condição de poder governar e cumprir as tarefas melhor do que o oponente. No dia que reconquistarmos esse estado de espírito e respeito mútuo, certamente viveremos melhor.
Outra coisa: Todos os integrantes dos Três Poderes têm o dever de cumprir suas tarefas constitucionais e, em respeito à própria Constituição, não se meter na zona de atribuição dos dois outros Poderes. Constituição Federal, artigo 2º - Os Poderes da União “devem ser independentes e harmônicos entre si para garantir o funcionamento do Estado”. Cumpra-se...
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).
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