Depois daquela que pode ter sido a sua última bravata, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sumiu. Informa-se que foi levado a um bunker para evitar sua captura (ou abate) pelas forças de 4 mil homens que o presidente Donald Trump enviou ao vizinho país com instruções para combater o tráfico de drogas. O grande problema é que o governo dos Estados Unidos acusa o governante venezuelano de ser o chefe de um cartel que remete drogas do seu país e de nações vizinhas para a América do Norte e Europa. Daí a razão de ter oferecido prêmio de US$ 50 milhões a quem prestar informações que levem à sua prisão. A partir do estabelecimento da recompensa, mesmo tendo o esquema de segurança governamental, Maduro tornou-se vulnerável ao ataque das tropas americanas antidrogas e de possíveis interessados no prêmio pela captura.
A presença de Nicolás Maduro à frente do governo é precária, desde que ele próprio anunciou sua vitória nas últimas eleições, mas não permitiu a publicação dos boletins de urnas que comprovariam a votação recebida. Um dos que exigiam a comprovação dos votos foi o presidente Lula, que não reconheceu o novo mandato de Maduro, mas com ele continuou se relacionando. Assim que o presidente saiu de cena, o povo venezuelano foi às ruas, derrubou estátuas e queimou placas com o retrato do governante. O governo ainda não se pronunciou. O mundo espera por informações sobre o paradeiro e, principalmente, quanto à continuidade ou não do governo. Se o presidente cair, estará encerrado o regime chavista, iniciado em 1999 – que desequilibrou a economia do vizinho país e o levou à ruína em que hoje se encontra depois de ter sido, nos anos 50, a quarta principal economia do planeta.
O continente está preocupado com o futuro da Venezuela. Mas também tem de ficar atento à cruzada que os EUA iniciam contra o tráfico de drogas. As tropas que se encontram naquele país também poderão atuar nos demais, inclusive no Brasil. Os governos locais, desde que não estejam envolvidos com o crime, devem aceitar a colaboração dos americanos e aproveitar para resolver o problema do tráfico.
O Brasil, especialmente, precisa se mobilizar não só com a questão das drogas, mas com os outros problemas que hoje envolvem suas relações com o governo do presidente Donald Trump. Já passou do momento de – como já fizeram dezenas de países impactados – os presidentes se encontrarem para discutir as relações e encontrar o ponto de equilíbrio nas relações. As medidas que o nosso governo propõe para socorro aos exportadores brasileiros atropelados pelo tarifaço precisam ser entendidas como temporárias. O ideal é o encontro do interesse comum das duas pontas das negociações e garantir a salubridade dos negócios. Não podemos viver indefinidamente sob o regime de desoneração tributária como compensação à tarifa imposta pelos EUA.
Além do tarifaço – que podemos entender como indevido castigo – é preciso que os dois países resolvam com soberania e respeito aos seus ordenamentos jurídicos os problemas que os dividem, como à atuação do Supremo Tribunal Federal com empresas norte-americanas e brasileiros residentes naquele país e, também, com a questão do ex-presidente Jair Bolsonaro e a suposta tentativa de golpe de Estado, pela qual será julgado dentro de alguns dias. Presumimos que ambos os lados agiram de acordo com suas leis e com o objetivo de acertar. A diplomacia será capaz de compatibilizá-los.
Discordamos do “castigo” dos EUA sobre o Brasil e entendemos que o governo e as instituições brasileiras têm de agir para os necessários acordos que beneficiem os dois lados. Ambos devem baixar a bola, reconhecer possíveis impropriedades e, com isso, garantir a continuidade das boas relações iniciadas há dois séculos. Em tempo: que a ideologia não seja empecilho para tudo voltar aos devidos lugares. A paz e o entendimento constituem o melhor caminho aos dois lados da divergência…
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).
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