Dizem que o Brasil é um País exausto. E sem pender para qualquer das tendências que se digladiam por impor suas teses e interesses à sociedade brasileira, somos obrigado a concordar. Cada dia nos encontramos mais distantes daquela nação pacífica que, décadas atrás nos foi ensinada como ideal para o bem-estar. Portanto somos obrigados a reconhecer que o grande pacto nacional nunca foi presente e nem ao menos visto ao desvendar a próxima curva da longa estrada da vida nacional. Olhando pelo retrovisor da história, o que nos resta como fragmentos nada mais é do que fugazes momentos de paz e tranqüilidade, muitas vezes conseguidos à custa do autoritarismo e logo desmascarados.
A República Velha (1889-1930) conviveu com o autoritarismo dos militares de então, quarteladas e o interesse de paulistas e mineiros, que a batizou Café com Leite em alusão aos principais produtos dos Estados dominantes à época. Depois a Era Vargas (1930-45), iniciada num golpe de Estado, governo provisório e terminada como ditadura com arroubos de desenvolvimento luta ideológica insana, perseguição a adversário parte deles feita presos políticos. As duas Guerras Mundiais (1914-18 e 1939-45) foram coadjuvantes globais e contribuíram fortemente para nossas aventuras e desventuras. O período democrático 1946-64 foi aquela colcha de retalhos que muitos de nós ainda lembramos ou recuperamos facilmente, e terminou na deposição do presidente João Goulart, acusado de tentar implantar o comunismo no País. O regime militar de 1964-85, de direita, sofreu grandes divergências intestinas, conviveu com a luta armada e devolveu o País aos adversários, muitos deles exilados em elegantes ou paupérrimos endereços ao redor do mundo. A Nova República (1985 ao presente), instalou-se com aquilo que hoje podemos identificar como “fome e sede democráticas” e, ao longo das ultimas quatro décadas, fez todo o possível – e até o impossível – para se parecer democrática e não guardar nenhumas feição política herdada dos militares.
O País restabeleceu as eleições em todos os níveis, reabilitou os políticos proscritos, permitiu que outros decolassem e passou a viver a que se pensou uma autêntica democracia. Mas, apesar de todo o instrumental disponível, cedeu espaço para o despertar e fermentação das divergências. Vivenciamos dois impeachments presidenciais, desavenças, uma profusão de partidos (mais de 30 registrados e outros 70 com pedido de registro) e a falta de acordo ou pacto nacional mínimo, que levou à polarização. Os ódios afloraram e cresceram até que os políticos começaram guerra fratricida. Uns querem matar (ainda que política ou socialmente) os outros e todos deixam a Nação à deriva. De tanto ser chamado a intervir, o Poder Judiciário passou a atuar sobre as atribuições do Legislativo e do Executivo e hoje temos o perigoso quadro, onde o Estado Brasileiro sofre retaliações internacionais. O povo está apreensivo justamente por não saber o que pensar sobre o dia de amanhã. A maior parte do que ouve é previsão de coisas ruins. Poucos conseguem formular o melhor comportamento para uma situação destas.
Precisamos, a qualquer preço, recuperar o ideal de paz, concórdia , desenvolvimento e bem-estar geral. A polarização política nos moldes que nos é imposta – onde os que deveriam nos liderar ocupam-se na tarefa de destruir o adversário – não serve ao País, aos políticos e nem a qualquer um de nós, os cidadãos. Não queremos a revolução, o golpe de Estado, a guerra e a derrocada das lideranças sociais, políticas ou institucionais. Queremos paz e um ambiente positivo onde cada brasileiro possa viver, produzir e contribuir para a manutenção da sociedade.
Governo, Parlamento, Poderes Institucionais e a Sociedade precisam, com toda celeridade, buscar o ponto de equilíbrio. Sem ele, o futuro será incerto. São exageradas as expectativas da Terceira Guerra Mundial como resultante do atual quadro internacional – onde os EUA pressionam o mundo – porque, diferente dos anteriores, tal conflito com base nuclear dizimaria grande número de indivíduos e nações. Mas todas as nações – inclusive o Brasil – devem evitar o confronto com parceiros comerciais, como os EUA. Lembrem-se que, por razões óbvias , o grande vence o pequeno. Exceção apenas ao bíblico episódio de Davi e Golias
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo).
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