{"id":29423,"date":"2026-05-18T20:40:13","date_gmt":"2026-05-18T23:40:13","guid":{"rendered":"https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/?p=29423"},"modified":"2026-05-18T20:40:13","modified_gmt":"2026-05-18T23:40:13","slug":"a-dureza-climatica-e-a-infraestrutura-deficiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/a-dureza-climatica-e-a-infraestrutura-deficiente\/","title":{"rendered":"A dureza clim\u00e1tica e a infraestrutura deficiente"},"content":{"rendered":"\n<p>A inclem\u00eancia clim\u00e1tica tem se apresentado, a cada dia, mais perigosa sobre o territ\u00f3rio brasileiro e em diversos pontos do planeta. Lembro-me de meus mestres, diante dos bancos escolares, dizendo que o Brasil era um pa\u00eds aben\u00e7oado, livre de vulc\u00f5es, furac\u00f5es, falhas tect\u00f4nicas e outros fen\u00f4menos naturais capazes de expor a popula\u00e7\u00e3o a grandes riscos. Viv\u00edamos, segundo eles, em um verdadeiro para\u00edso, o que alimentava a imagem idealizada do \u201cPa\u00eds do Futuro\u201d, cantado em prosa e verso nos hinos patri\u00f3ticos e na esperan\u00e7a de muitos brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa ideia de uma terra sem grandes problemas naturais deu aos respons\u00e1veis pelo desenvolvimento urbano, ao longo dos \u00faltimos s\u00e9culos, a falsa impress\u00e3o de que viv\u00edamos em um territ\u00f3rio pac\u00edfico, capaz de suportar qualquer interven\u00e7\u00e3o humana. V\u00e1rzeas foram canalizadas para a implanta\u00e7\u00e3o de avenidas nos centros urbanos; represas foram constru\u00eddas para gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica e abastecimento h\u00eddrico; ruas e estradas passaram a ser impermeabilizadas com cimento e asfalto. As florestas foram substitu\u00eddas pela agricultura e tamb\u00e9m serviram de fonte de madeira para a constru\u00e7\u00e3o civil e outras atividades econ\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o tempo, vieram as consequ\u00eancias: aumento da temperatura, enchentes, alagamentos e outros problemas provocados tanto pela chuva quanto pelo calor excessivo. Os principais rios sofreram assoreamento em raz\u00e3o do desprendimento de terras das margens, especialmente ap\u00f3s a retirada da cobertura vegetal. A partir da\u00ed, as inunda\u00e7\u00f5es passaram a atingir cidades, moradias, instala\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas, al\u00e9m da vida de homens e mulheres que ali residiam.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muito tempo, acumulamos mais problemas clim\u00e1ticos do que solu\u00e7\u00f5es estruturais efetivas. Recentemente, fomos impactados pela instabilidade de fen\u00f4menos como El Ni\u00f1o e La Ni\u00f1a, decorrentes das varia\u00e7\u00f5es de vento e temperatura no Oceano Pac\u00edfico. Embora muitas obras tenham sido realizadas para conter as \u00e1guas, nem sempre elas se mostram suficientes. Parte da popula\u00e7\u00e3o, por falta de alternativa ou planejamento p\u00fablico adequado, acabou ocupando encostas e \u00e1reas de risco, muitas vezes com consequ\u00eancias fatais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, os servi\u00e7os de monitoramento do tempo passaram a alertar que o territ\u00f3rio brasileiro, antes considerado pac\u00edfico, tornou-se mais vulner\u00e1vel a eventos clim\u00e1ticos extremos. Obras inconclusas, aus\u00eancia de manuten\u00e7\u00e3o, ocupa\u00e7\u00e3o desordenada e infraestrutura deficiente ampliaram os riscos. Passamos a conviver com vendavais, tornados e outras movimenta\u00e7\u00f5es perigosas dos ventos, que deixam rastros de destrui\u00e7\u00e3o por onde passam.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos dias, convivemos novamente com alertas de poss\u00edveis sinistros. A chuva forte avan\u00e7ou pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e tamb\u00e9m por regi\u00f5es do Norte e do Nordeste. Mais uma vez, registraram-se inunda\u00e7\u00f5es, desabastecimento de \u00e1gua e energia el\u00e9trica, deslizamentos, preju\u00edzos materiais e danos a pr\u00e9dios comerciais e residenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim de semana, vimos com destaque a queda da marquise de um posto de abastecimento sobre ve\u00edculos, al\u00e9m do preju\u00edzo sofrido por uma locadora de autom\u00f3veis ap\u00f3s o muro de seu p\u00e1tio desabar sobre os carros. Al\u00e9m desses epis\u00f3dios, muitos outros danos foram contabilizados e ainda exigem investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista concedida ao programa Canal Livre, do Grupo Bandeirantes de R\u00e1dio e TV, o presidente do BNDES mencionou que Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, desenvolve o chamado \u201cProjeto Esponja\u201d. Trata-se de uma iniciativa voltada \u00e0 retirada de pavimenta\u00e7\u00e3o em pontos cr\u00edticos da cidade, permitindo que a \u00e1gua da chuva infiltre no solo e reduza o risco de enchentes. Outra observa\u00e7\u00e3o importante \u00e9 que a Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, estaria carregada de areia em seu leito, o que contribuiria para as cheias em Porto Alegre. Portanto, n\u00e3o se trata apenas da falta de manuten\u00e7\u00e3o em registros e comportas do muro hidr\u00e1ulico, como muito se afirmou durante as grandes inunda\u00e7\u00f5es que atingiram o estado ga\u00facho.<\/p>\n\n\n\n<p>O BNDES possui boa situa\u00e7\u00e3o financeira e sinaliza a possibilidade de investir em infraestrutura. Espera-se que a equipe da institui\u00e7\u00e3o mantenha esse compromisso e, principalmente, que tal disposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja abandonada com eventuais mudan\u00e7as de governo, especialmente diante das elei\u00e7\u00f5es previstas para outubro pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>Penso que o atual quadro \u00e9 resultado de solu\u00e7\u00f5es paliativas e incompletas adotadas no passado. A ocupa\u00e7\u00e3o de encostas e de outras \u00e1reas perigosas, que j\u00e1 provocou tantas mortes, \u00e9 parte dessa realidade. Grande parte das enchentes ocorre porque os servi\u00e7os de canaliza\u00e7\u00e3o de c\u00f3rregos normalmente come\u00e7am pelas regi\u00f5es mais baixas e urbanizadas. Com o avan\u00e7o do cal\u00e7amento e da urbaniza\u00e7\u00e3o para \u00e1reas mais altas, o volume de \u00e1gua lan\u00e7ado nos rios aumenta, enquanto as estruturas antigas tornam-se insuficientes para garantir a vaz\u00e3o necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso me faz lembrar de um engenheiro que presidiu o sistema de \u00e1gua da cidade onde eu residia. Certa vez, ele me disse que determinado local, onde se pretendia canalizar um rio, tendia a se tornar um futuro ponto de inunda\u00e7\u00e3o. A obra foi executada mesmo assim, e as enchentes passaram a ser frequentes. Toda vez que passo por l\u00e1, lembro-me desse amigo, hoje falecido, e lamento que seus sucessores no cargo p\u00fablico n\u00e3o tenham tido a sensibilidade de ouvir a voz da experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho convic\u00e7\u00e3o de que muitos dos problemas enfrentados hoje decorrem da inexperi\u00eancia dos executores, da falta de planejamento ou da economia mal aplicada em obras que n\u00e3o admitem improviso. Infraestrutura n\u00e3o pode ser tratada como gasto secund\u00e1rio, especialmente quando dela dependem vidas, moradias, atividades econ\u00f4micas e a seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Que o BNDES mantenha o bom cofre revelado por seu presidente e que os governantes dos pr\u00f3ximos mandatos sejam suficientemente comprometidos para investir o necess\u00e1rio na solu\u00e7\u00e3o dos problemas que, a cada dia, afetam com mais for\u00e7a a popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>nuten\u00e7\u00e3o nos registros e port\u00e3o do muro hidr\u00e1ulico, como se disse quando o estado sulino sofreu suas grandes inunda\u00e7\u00f5es e preju\u00edzos incalcul\u00e1veis \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-code\"><code>     O  BNDES possui boa situa\u00e7\u00e3o financeira, e acena com a possibilidade de investir na infraestrutura. Espera-se que a equipe daquela institui\u00e7\u00e3o estatal pense a mesma coisa e, principalmente, que n\u00e3o mude de id\u00e9ia quando mudar o governo (teremos elei\u00e7\u00f5es em outubro pr\u00f3ximo).\n\n\n\n\n\n\n\n     Penso que o atual quadro que vivemos \u00e9 resultado de solu\u00e7\u00f5es paliativas e incompletas adotadas no passado. A ocupa\u00e7\u00e3o de encostas e de outras \u00e1reas perigosas do territ\u00f3rio, que j\u00e1 provocou tantas mortes, \u00e9 o resultado disso. A maior parte das enchentes ocorre porque os servi\u00e7os de canaliza\u00e7\u00e3o de c\u00f3rregos normalmente come\u00e7a pela regi\u00e3o baixa e mais urbanizada, que fica desatualizada quando o cal\u00e7amento e urbaniza\u00e7\u00e3o do do solo chega \u00e0s regi\u00f5es altas e joga no rio quantidade de l\u00edquido que os canos ali colocado no passado s\u00e3o insuficientes para garantir a vaz\u00e3o. Isso me faz lembrar de um engenheiro que presidiu o sistema de \u00e1gua da cidade onde eu residia e disse-me que um local onde se pretendia canalizar o rio, tendia a ser um futuro ponto de inunda\u00e7\u00e3o. A obra foi adiante e as cheias passaram a ser freq\u00fcentes. Toda vez que passo por l\u00e1 lembro-me do amigo \u2013 hoje falecido \u2013 e lamento que seus sucessores no cargo p\u00fablico n\u00e3o tiveram a sensibilidade para ouvir a voz da experi\u00eancia. Tenho a certeza de que a maioria dos problemas com que deparamos ao longo do caminho s\u00e3o decorrentes da inexperi\u00eancia dos executores ou, pelo menos, da economia que fazem em obras que n\u00e3o admitem esse tipo de administra\u00e7\u00e3o.\n\n\n\n\n\n\n\n     Que o BNDES continue com o bom cofre revelado pelo seu presidente  e os governantes dos pr\u00f3ximos mandatos sejam suficientemente comprometidos a empregar o necess\u00e1rio na solu\u00e7\u00e3o dos problemas que, cada dia mais, prejudicam a popula\u00e7\u00e3o.<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p>Tenente Dirceu Cardoso Gon\u00e7alves &#8211; dirigente da ASPOMIL (Associa\u00e7\u00e3o de Assist. Social dos Policiais Militares de S\u00e3o Paulo).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A inclem\u00eancia clim\u00e1tica tem se apresentado, a cada dia, mais perigosa sobre o territ\u00f3rio brasileiro&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23327,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Tenente-Dirceu-Cardoso-Goncalves.jpg",600,564,false],"thumbnail":["https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Tenente-Dirceu-Cardoso-Goncalves-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Tenente-Dirceu-Cardoso-Goncalves-300x282.jpg",300,282,true],"medium_large":["https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Tenente-Dirceu-Cardoso-Goncalves.jpg",600,564,false],"large":["https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Tenente-Dirceu-Cardoso-Goncalves.jpg",600,564,false],"1536x1536":["https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Tenente-Dirceu-Cardoso-Goncalves.jpg",600,564,false],"2048x2048":["https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Tenente-Dirceu-Cardoso-Goncalves.jpg",600,564,false],"newsever-slider-full":["https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Tenente-Dirceu-Cardoso-Goncalves.jpg",600,564,false],"newsever-featured":["https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Tenente-Dirceu-Cardoso-Goncalves.jpg",600,564,false],"newsever-medium":["https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Tenente-Dirceu-Cardoso-Goncalves-600x475.jpg",600,475,true]},"author_info":{"display_name":"Reda\u00e7\u00e3o","author_link":"https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/author\/g5poa\/"},"category_info":"<a href=\"https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/category\/cidades\/\" rel=\"category tag\">Cidades<\/a>","tag_info":"Cidades","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29423"}],"collection":[{"href":"https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29423"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29423\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29424,"href":"https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29423\/revisions\/29424"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23327"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29423"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}