{"id":15571,"date":"2023-11-03T17:00:51","date_gmt":"2023-11-03T20:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n2\/?p=15571"},"modified":"2023-11-10T21:45:42","modified_gmt":"2023-11-11T00:45:42","slug":"a-construcao-de-um-novo-ciclo-de-expansao-da-economia-brasileira-as-noticias-que-vem-do-acre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novosaopaulo.com.br\/n1\/a-construcao-de-um-novo-ciclo-de-expansao-da-economia-brasileira-as-noticias-que-vem-do-acre\/","title":{"rendered":"A constru\u00e7\u00e3o de um novo ciclo de expans\u00e3o da economia brasileira: as not\u00edcias que v\u00eam do Acre"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Paulo R. Haddad*<\/em><\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-5bg4p\"><strong>Crescimento sem ilus\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-c9tfp\">Desde 2014, a economia brasileira vem andando de lado. O crescimento do PIB per capita \u00e9 praticamente nulo. Houve anos de taxas negativas de crescimento e outros de taxas positivas de crescimento na d\u00e9cada em que a pandemia da Covid-19 provocou um decl\u00ednio nos n\u00edveis do emprego e da renda dos brasileiros para, em seguida, induzir o renivelamento das atividades econ\u00f4micas em 2021 e 2022. As taxas, quando apresentadas em gr\u00e1fico, se assemelham \u00e0 imagem de um eletrocardiograma com altos e baixos na sua evolu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o devem dar a ilus\u00e3o de que se iniciou um ciclo de expans\u00e3o sustentado.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-6nlst\">Mas, ao longo do s\u00e9culo atual, o crescimento econ\u00f4mico do Brasil foi inexpressivo: enquanto, nas duas primeiras d\u00e9cadas, a China cresceu no acumulado cerca de 345%, o Brasil cresceu apenas 26%, ficando entre os pa\u00edses de m\u00e9dio baixo crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-aht94\"><strong>O baixo ritmo de expans\u00e3o da economia, desde 1980, provocoualguns graves problemas socioecon\u00f4micos e socioambientais:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-datee\">a) o aumento do n\u00famero de fam\u00edlias vivendo em extrema pobreza social e a amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de brasileiros que vivem em estado de subnutri\u00e7\u00e3o e de fome diuturna; pode-se observar a din\u00e2mica dos patamares da pobreza: o empobrecimento das fam\u00edlias de classe m\u00e9dia baixae as fam\u00edlias das classes D e E se tornando miser\u00e1veis;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-bms8p\">b) por descontinuidade nas pol\u00edticas p\u00fablicas de desenvolvimento regional, cujomacro-objetivo era a constru\u00e7\u00e3o de um processo de revers\u00e3o da polariza\u00e7\u00e3o espacial, as economias estaduais mais pobres do Pa\u00eds ainda t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de vida bem inferiores \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida das economias estaduais mais ricas: os maranhenses e os alagoanos, por exemplo, apresentam indicadores econ\u00f4micos e sociais quase tr\u00eas vezes inferiores aos indicadores das \u00e1reas mais desenvolvidas; a insatisfa\u00e7\u00e3o com essas assimetrias e desigualdades se manifesta junto \u00e0s popula\u00e7\u00f5es locais em movimentos pol\u00edticos atrav\u00e9s de projetos para a cria\u00e7\u00e3o de novas Unidades da Federa\u00e7\u00e3o (18 novos Estados e tr\u00eas novos territ\u00f3rios);<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-9ef5r\">c) a disponibilidade de capitais intang\u00edveis (humano, intelectual, social, institucional, etc.), componente necess\u00e1rio (juntamente com o capital f\u00edsico) e suficiente para alavancar um processo de desenvolvimento sustent\u00e1vel, \u00e9 distribu\u00edda assimetricamente entre as 27 Unidades da Federa\u00e7\u00e3o e os 5568 munic\u00edpios brasileiros, impactando as suas potencialidades de desenvolvimento local; h\u00e1, atualmente, cerca de 1700 munic\u00edpios que sobrevivem em \u00e1reas economicamente deprimidas gra\u00e7as \u00e0s pol\u00edticas sociais compensat\u00f3rias do Governo Federal;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-2vj7a\">d) a busca fren\u00e9tica pelos ganhos de lucro e de riqueza levou um n\u00famero cada vez maior de indiv\u00edduos e de organiza\u00e7\u00f5es produtivas ao uso predat\u00f3rio dos ecossistemas, particularmente durante as d\u00e9cadas recentes nos Biomas do Pantanal e da Amaz\u00f4nia;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-8idrk\">e) a fragilidade das contas p\u00fablicas dos tr\u00eas n\u00edveis de governo tem deixado a qualidade e a quantidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais (sa\u00fade, seguran\u00e7a, infraestrutura, educa\u00e7\u00e3o, etc.) em prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de oferta, particularmente nas grandes metr\u00f3poles.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-ddtsa\">Todos esses e outros problemas estruturais t\u00eam melhores condi\u00e7\u00f5es de serem equacionados se houver uma acelera\u00e7\u00e3o do processo de desenvolvimento sustent\u00e1vel do Pa\u00eds no m\u00e9dio e no longo prazo, uma vez que provoca a forma\u00e7\u00e3o de um maior excedente econ\u00f4mico do qual uma parcela significativa pode ser utilizada para financiar as diferentes pol\u00edticas p\u00fablicas dos tr\u00eas n\u00edveis de governo. Essa acelera\u00e7\u00e3o dos desenvolvimento poder\u00e1 ser estruturada atrav\u00e9s de um modelo de crescimento econ\u00f4mico globalmente competitivo, com justa distribui\u00e7\u00e3o da renda e da riqueza nacional entre diferentes grupos sociais e regi\u00f5es e, finalmente, o uso e o n\u00e3ouso dos recursos ambientais atrav\u00e9s de pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o, de preserva\u00e7\u00e3o e de reabilita\u00e7\u00e3o dos ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-5ku35\"><strong>O CREP\u00daSCULO DA CRISE DE CRESCIMENTO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-fsqjh\">\u00c9 uma tarefa ingl\u00f3ria elaborar um cen\u00e1rio prospectivo de uma economia cuja evolu\u00e7\u00e3o passa por forte inflex\u00e3o causada por uma crise econ\u00f4mica, social e ambiental. Dois exemplos hist\u00f3ricos podem ser ilustrativos dessa imensa dificuldade que, frequentemente, leva os economistas a erros grosseiros em suas proje\u00e7\u00f5es e em seus aconselhamentos sobre o que e como fazer para a supera\u00e7\u00e3o da crise.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-3gi9d\">Em 1929,&nbsp;<em>Irving Fisher<\/em>, considerado como um dos maiores economistas norte-americanos, admitia que os pre\u00e7os das a\u00e7\u00f5es na Bolsa de Valores de Nova York \u201catingiram o que parecia ser permanentemente um&nbsp;<em>plateau<\/em>&nbsp;elevado\u201d. No dia 15 de outubro daquele ano, afirmava que \u201cesperava ver em alguns meses o mercado de a\u00e7\u00f5es na Bolsa de Valores bastante melhor do que est\u00e1 hoje\u201d. Duas semanas depois, na chamada \u201cQuinta\u2013Feira Negra\u201d, houve a quebra na Bolsa, os valores das a\u00e7\u00f5es despencaram, iniciando a dram\u00e1tica crise de 1929, a qual se estenderia por uma d\u00e9cada, atingindo todos os pa\u00edses do Mundo, embora com intensidade e impactos diferenciados.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-ht9n\">Em 2003,&nbsp;<em>Robert Lucas<\/em>, Pr\u00eamio Nobel de Economia em 1995, laudava em seu discurso na American Economic Association, as conquistas e o sucesso da an\u00e1lise macroecon\u00f4mica \u201cao transformar as depress\u00f5es econ\u00f4micas em problema do passado e resolvido efetivamente por muitas d\u00e9cadas\u201d. Em 2008, ocorreu novamente uma nova depress\u00e3o na economia mundial, sendo que, para alguns analistas, os impactos socioecon\u00f4micos foram mais profundos do que aqueles causados pela crise de 1929.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-d4ivp\"><strong>A quest\u00e3o fundamental \u00e9 que o capitalismo, com a integra\u00e7\u00e3o generalizada dos mercados financeiros no sistema, ap\u00f3s a II Grande Guerra, tornou-se um regime econ\u00f4mico marcado por uma sequ\u00eancia de instabilidades. E no processo de estabiliza\u00e7\u00e3o de uma economia inst\u00e1vel germina a semente de uma nova instabilidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-dh53\">Al\u00e9m do mais, cada crise tem caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas espec\u00edficas no contexto hist\u00f3rico em que ocorre, as quais inibem a ado\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es equivalentes \u00e0s das crises anteriores. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crise de 1929, as atuais crises se d\u00e3o em economias mais globalizadas, financeiramente mais especulativas, socialmente mais desiguais, mais propensas \u00e0s rebeli\u00f5es pol\u00edticas dos movimentos sociais, mais predat\u00f3rias dos ativos e servi\u00e7os ambientais. Infelizmente, a crise de hoje n\u00e3o produz anticorpos para uma nova crise amanh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-4u7sh\">Em um ambiente de instabilidades sequenciais, onde os sistemas desestabilizados desenvolvem uma posi\u00e7\u00e3o mais est\u00e1vel para se desestabilizar novamente, seria mais recomend\u00e1vel evitar proje\u00e7\u00f5es mecanicistas e estar atento aos infinitos detalhes que emergem diariamente dos diferentes sistemas nacionais e multilaterais de informa\u00e7\u00f5es. Temos que compreender melhor os fractais dos novos mosaicos da economia mundial e da economia brasileira, para n\u00e3o dar dois passos para tr\u00e1s depois de ter dado um passo para frente, sob pena de perda de confiabilidade dos gestores das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-95pcp\">A atual situa\u00e7\u00e3o da economia brasileira n\u00e3o pode ser comparada a uma corrida de obst\u00e1culos em que um dos corredores, embora em ritmo lento, leva uma queda abrupta e desestruturante e, depois de algum tempo, retoma o seu percurso visando a atingir um bom desempenho. A diferen\u00e7a b\u00e1sica \u00e9 a de que, ap\u00f3s uma queda de grande impacto, uma economia tem que mudar o seu roteiro para atingir os mesmos objetivos. N\u00e3o h\u00e1 uma pol\u00edtica econ\u00f4mica de uma vez por todas, pois uma crise mais intensa afeta comportamentos, institui\u00e7\u00f5es e, at\u00e9 mesmo, as regras do jogo de uma sociedade. Cada pol\u00edtica econ\u00f4mica deve, pois, ser historicamente contextualizada.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-1bjvd\"><strong>Uma caracter\u00edstica psicossocial desses momentos \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o entre os brasileiros de que n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda que possa ser vislumbrada no horizonte.<\/strong>&nbsp;N\u00e3o \u00e9 o que ensina a nossa hist\u00f3ria, pois, desde a II Grande Guerra, conseguimos superar algumas dilacerantes crises financeiras e dessas experi\u00eancias ficaram algumas li\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-4quj3\">\u00c9 preciso renovar ideias pois, embora a economia seja \u00fanica, ela tem muitas receitas. N\u00e3o deve ser guiada por um voluntarismo inconsequente para resolver problemas socioecon\u00f4micos complexos e intrigantes. N\u00e3o se deve enxergar, em diferentes circunst\u00e2ncias enigm\u00e1ticas, apenas aquilo que se quer ver. E, como as ideias n\u00e3o podem ser separadas de seu contexto hist\u00f3rico e social, precisamos, em crises in\u00e9ditas, estar preparados para deixar de lado algumas ortodoxias dos manuais de Economia constru\u00eddas atrav\u00e9s do conhecimento fragmentado.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-1lr32\"><strong>A primeira regra do processo de planejamento para a supera\u00e7\u00e3o de uma crise econ\u00f4mica \u00e9 definir quais os problemas socioecon\u00f4micos e socioambientais que precisam ser resolvidos.<\/strong>&nbsp;A partir dessa delimita\u00e7\u00e3o v\u00e3o se delineando as pol\u00edticas, os programas e os projetos que s\u00e3o priorit\u00e1rios para o equacionamento dos problemas no m\u00e9dio e no longo prazo. Mas, para definir a trajet\u00f3ria hist\u00f3rica a ser constru\u00edda pelo processo de planejamento, as ideias s\u00e3o imprescind\u00edveis para dar subst\u00e2ncia, a fim de que metas e objetivos sejam conquistados. Elas s\u00e3o a base inicial para a concep\u00e7\u00e3o e a implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-d6f65\">Como diz o cientista pol\u00edtico&nbsp;<em>Mark Blyth<\/em>, as ideias, tomadas como parte de uma sequ\u00eancia geral de mudan\u00e7a institucional, reduzem incertezas, atuam como recursos para a constru\u00e7\u00e3o de coalis\u00f5es, empoderam protagonistas para contestar as institui\u00e7\u00f5es existentes, atuam como recursos na constru\u00e7\u00e3o de novas institui\u00e7\u00f5es e, finalmente, coordenam as expectativas dos agentes, reproduzindo, portanto, estabilidade institucional.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-9ctl0\">Mas, h\u00e1 boas e m\u00e1s ideias em todo processo de planejamento. Uma m\u00e1 ideia \u00e9 a de transformar uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para se atingir um objetivo em condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e suficiente. Como, por exemplo, a de considerar que concentrando-se os principais recursos pol\u00edticos e institucionais da gest\u00e3o p\u00fablica no equil\u00edbrio fiscal e financeiro, a retomada do crescimento econ\u00f4mico vir\u00e1 por acr\u00e9scimo pelas livres for\u00e7as de mercado. A origem dessa narrativa est\u00e1 no que pode se denominar a fragmenta\u00e7\u00e3o do conhecimento do pensamento econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-1ovgi\"><em>Alessandro Roncaglia<\/em>, professor de Economia da Universidade de Roma, caracteriza os \u00faltimos cinquenta anos como&nbsp;<strong>um per\u00edodo de fragmenta\u00e7\u00e3o da teoria econ\u00f4mica.&nbsp;<\/strong>As pesquisas econ\u00f4micas se ramificaram em diferentes dire\u00e7\u00f5es e os seus pr\u00f3prios fundamentos sofreram ampla diversifica\u00e7\u00e3o. Para ele, essa era de fragmenta\u00e7\u00e3o levou a uma intensa divis\u00e3o de trabalho entre grupos de economistas substancialmente aut\u00f4nomos, que muitas vezes ignoram ou, de qualquer modo, n\u00e3o levam em conta como est\u00e3o evoluindo as outras \u00e1reas do conhecimento cient\u00edfico, gerando a forma\u00e7\u00e3o de especialistas em temas espec\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-8r12s\">&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-dmpi0\"><em>Ortega y Gasset,<\/em>&nbsp;considerado por muitos o maior fil\u00f3sofo espanhol do s\u00e9culo 20, definia o especialista como algu\u00e9m que sabe cada vez mais de cada vez menos, algu\u00e9m que se ocupa profissionalmente de um ramo particular de uma ci\u00eancia. Muitos especialistas n\u00e3o se preocupam com a diversidade das diferentes abordagens sobre os mesmos problemas, sobre a pr\u00f3pria diversidade desses problemas ou como a Economia tem muito que aprender com as outras Ci\u00eancias Sociais.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-45dnh\">A especializa\u00e7\u00e3o em determinada Escola de Pensamento Econ\u00f4mico pode levar a que alguns economistas, tomando decis\u00f5es de pol\u00edtica econ\u00f4mica de curto prazo, em uma sociedade multifacetada e complexa, venham a fazer afirmativas equivocadas do ponto de vista te\u00f3rico e ing\u00eanuas do ponto de vista hist\u00f3rico sobre relevantes quest\u00f5es dos processos de desenvolvimento sustent\u00e1vel da sociedade. Nesse contexto, a Economia tem sido acusada de ser simplista e insular, ao desconhecer o progresso das demais Ci\u00eancias Sociais, e de estar constantemente pronta para racionalizar os interesses utilit\u00e1rios dos grupos dominantes no sistema pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-8qqc0\">A tend\u00eancia atual na forma\u00e7\u00e3o dos economistas que se apegam a determinada escola de pensamento \u00e9 a do que se denomina de vis\u00e3o acumulativa, segundo a qual a an\u00e1lise econ\u00f4mica apresenta uma ascens\u00e3o progressiva para n\u00edveis cada vez maiores de compreens\u00e3o da realidade econ\u00f4mica. O ponto de chegada dos economistas hoje &#8211; a teoria econ\u00f4mica contempor\u00e2nea &#8211; incorporaria todas as contribui\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias do conhecimento econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-8ivl0\">\u00c9 o caso atual do&nbsp;<strong>modelo de equil\u00edbrio fiscal expansionista<\/strong>, predominante junto \u00e0s pol\u00edticas de utiliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria de diversos pa\u00edses no p\u00f3s-crise de 2008. A sua proposta se resume em: reorganize as finan\u00e7as do governo eliminando d\u00e9ficits prim\u00e1rios e previdenci\u00e1rios atrav\u00e9s de algumas reformas pol\u00edtico-institucionais pr\u00f3-mercado, da\u00ed o crescimento econ\u00f4mico e a gera\u00e7\u00e3o de renda e emprego vir\u00e3o por acr\u00e9scimo, induzidos pelo clima de confian\u00e7a e de expectativas favor\u00e1veis entre os diferentes protagonistas econ\u00f4micos que produzem, que consomem, que investem. O futuro da economia estaria, assim, escrito nas reformas do presente.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-7g7cu\">Tudo isso \u00e9, contudo, uma hip\u00f3tese que pode n\u00e3o acontecer. A experi\u00eancia hist\u00f3rica do Brasil e de diversos pa\u00edses do Mundo mostra que&nbsp;<strong>o processo de crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o \u00e9 um subproduto cronol\u00f3gico da estabilidade monet\u00e1ria.<\/strong>&nbsp;Estrat\u00e9gias espec\u00edficas de crescimento s\u00e3o indispens\u00e1veis, entendendo-se por uma estrat\u00e9gia de crescimento pol\u00edticas econ\u00f4micas e arranjos institucionais mais subjacentes para desencadear um ciclo de expans\u00e3o da economia, sustentando o seu dinamismo e dotando-a com resili\u00eancia a choques internos e externos ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-2dsq9\"><strong>UM NOVO CICLO DE EXPANS\u00c3O: A DESTRUI\u00c7\u00c3O CRIATIVA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-6sjh8\"><strong>Um ciclo de expans\u00e3o<\/strong>&nbsp;se caracteriza, em geral, por um per\u00edodo relativamente longo e cont\u00ednuo (em torno de uma d\u00e9cada) de crescimento sustentado, com elevadas e generalizadas taxas de expans\u00e3o global e setorial superiores a 7% ao ano. \u00c9 implementado por um conjunto de reformas econ\u00f4micas e pol\u00edtico-institucionais, que viabilizam a elimina\u00e7\u00e3o dos pontos de estrangulamento e de outros \u00f3bices \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o das potencialidades de desenvolvimento econ\u00f4mico e social. Em fun\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas do sistema pol\u00edtico prevalecentes, das inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas em processo, do grau de integra\u00e7\u00e3o internacional da economia e da consist\u00eancia do equil\u00edbrio macroecon\u00f4mico, cada ciclo pode impactar diferentemente o perfil da distribui\u00e7\u00e3o pessoal e espacial da riqueza e da renda nacional, assim como os indicadores de sustentabilidade ambiental. O que p\u00f4de ser observado nos dois ciclos de expans\u00e3o da economia brasileira no p\u00f3s-II Grande Guerra: o Plano de Metas de JK, nos anos de 1950, e o \u201cmilagre econ\u00f4mico\u201d, dos anos 1970, quando os n\u00edveis de renda e de emprego cresciam geometricamente e os campos de oportunidade para os jovens realizarem os seus projetos de vida eram cada vez maiores.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-fvb1t\"><strong>O capitalismo \u00e9 um regime econ\u00f4mico que progride atrav\u00e9s dos ciclos de inova\u00e7\u00f5es.<\/strong>&nbsp;Em 1910, o pensador austr\u00edaco&nbsp;<em>Joseph Schumpeter<\/em>&nbsp;definiu cinco casos de inova\u00e7\u00f5es: introdu\u00e7\u00e3o de um novo bem ou de uma nova qualidade de um bem, introdu\u00e7\u00e3o de um novo m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o, abertura de um novo mercado, conquista de uma nova fonte de mat\u00e9rias-primas ou de bens semimanufaturados, estabelecimento de uma nova organiza\u00e7\u00e3o de qualquer ind\u00fastria. O tipo de mudan\u00e7a a que se refere Schumpeter \u00e9 a que emerge endogenamente, de dentro do sistema, que desloca de tal modo o seu ponto de equil\u00edbrio que o novo n\u00e3o pode ser alcan\u00e7ado a partir do antigo, mediante passos infinitesimais: \u201cAdicione sucessivamente quantas dilig\u00eancias quiser, com isso nunca ter\u00e1 uma estrada de ferro\u201d. \u00c9 o que denominou de&nbsp;<strong>processo de destrui\u00e7\u00e3o criativa;<\/strong>&nbsp;novas inova\u00e7\u00f5es tornam obsoletas inova\u00e7\u00f5es anteriores; o crescimento atrav\u00e9s da destrui\u00e7\u00e3o criativa estabelece um est\u00e1gio de permanente conflito entre o novo e o velho.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-cbpu2\">No Brasil, enquanto o Governo Federal n\u00e3o estrutura e implementa uma pol\u00edtica visando a instrumentalizar incentivos efetivos \u00e0 atualiza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica das ind\u00fastrias brasileiras, o progresso tecnol\u00f3gico vai avan\u00e7ando no campo. A evolu\u00e7\u00e3o das inova\u00e7\u00f5es industriais tem uma hist\u00f3ria econ\u00f4mica bem-sucedida no Brasil.Iniciou-se com o processo de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, aprofundou-se com o Plano de Metas do Presidente JK, se restaurou a partir dos anos de 1990, com o processo de globaliza\u00e7\u00e3o da economia brasileira. Atualmente, a ind\u00fastria brasileira se encontra financeiramente fragilizada, ap\u00f3s o pior quinqu\u00eanio de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica desde 1929, em um processo de&nbsp;<em>aggiornamento<\/em>&nbsp;interrompido sem perder, contudo, o seu dinamismo empreendedor.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-ennm9\">Por outro lado, a partir dos anos de 1970, o Brasil vivenciou, sob a lideran\u00e7a do Professor e Ministro&nbsp;<em>Alysson Paolinelli<\/em>, uma revolu\u00e7\u00e3o na agropecu\u00e1ria a qual, a partir do conhecimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico incubado nas universidades e nos centros de pesquisa p\u00fablicas e privadas, desencadeou um processo progressivo e cont\u00ednuo de inova\u00e7\u00f5es schumpeterianas no campo. Essa lideran\u00e7a do Ministro foi reconhecida internacionalmente, a ponto de seu nome ter sido lembrado como candidato ao Pr\u00eamio Nobel da Paz.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-bb9q\">O evento mais destacado dessa \u201crevolu\u00e7\u00e3o verde\u201d foi a grande mudan\u00e7a dos cerrados brasileiros, de um recurso f\u00edsico sem valor econ\u00f4mico em fator econ\u00f4mico de alt\u00edssima produtividade e competitivo globalmente, que tem sido capaz de mobilizar poderosas cadeias de valor e sustentar economicamente os n\u00edveis de renda e de emprego, assim como a balan\u00e7a comercial do Pa\u00eds, at\u00e9 mesmo em anos de profunda recess\u00e3o. E o Sistema EMBRAPA de pesquisas agropecu\u00e1rias que engloba in\u00fameras institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas de pesquisas cient\u00edficas, mant\u00e9m acesa a flama das inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-3rjot\">Com esse avan\u00e7o da agropecu\u00e1ria, tende a ficar na poeira da hist\u00f3ria a agricultura tradicional, que desmata e queima predatoriamente o meio ambiente, que pratica rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o pr\u00e9-capitalistas, que n\u00e3o resiste aos testes fitossanit\u00e1rios dos sistemas da defesa agropecu\u00e1ria. Mas que ainda mant\u00e9m uma representatividade politicamente desproporcional no Congresso Nacional e nos \u00f3rg\u00e3os de classe.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-4kc4k\">A ela se contrap\u00f5e a moderna agropecu\u00e1ria do agroneg\u00f3cio e da agricultura familiar que produz com menor intensidade de terra, que consome menos \u00e1gua por tonelagem de produ\u00e7\u00e3o irrigada, que recicla os res\u00edduos e dejetos das atividades produtivas, al\u00e9m de conservar, preservar e reabilitar os ativos ambientais como capital natural. Principalmente que tem a capacidade de produzir, sem desmatar, alimentos sustent\u00e1veis, saud\u00e1veis e resistentes \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas atrav\u00e9s das estrat\u00e9gias empresariais da redu\u00e7\u00e3o de custos, da diferencia\u00e7\u00e3o de produtos e da diversifica\u00e7\u00e3o de atividades.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-9utlt\">Ainda h\u00e1 muito a ser feito para qualificar e consolidar a revolu\u00e7\u00e3o verde nas \u00e1reas tropicais brasileiras, eliminando muitas de suas mazelas socioecon\u00f4micas e socioambientais. Contudo, os mais expressivos progressos cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos dos diferentes sistemas produtivos est\u00e3o, atualmente, nas fronteiras da agropecu\u00e1ria nacional. Da\u00ed se asseverar que, no atual contexto de nossa hist\u00f3ria econ\u00f4mica, o capitalismo mora no campo. Pesquisadores afirmam que \u201cse adot\u00e1ssemos apenas 50% das inova\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas dispon\u00edveis e j\u00e1 testadas, seria poss\u00edvel dobrar a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria sem desmatar\u201d. Como destacou Alysson Paolinelli, quando presidia o&nbsp;<strong>Instituto F\u00f3rum do Futuro:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-d654o\"><em>\u201cA partir da Segunda Revolu\u00e7\u00e3o da Agropecu\u00e1ria Brasileira, o Pa\u00eds passou a ser respeitado como um global player na oferta mundial de alimentos e est\u00e1 sintonizado com a atual fase da nova revolu\u00e7\u00e3o industrial que, algumas vezes, tem sido denominada de capitalismo natural.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-4vhri\"><em>Conseguimos dar o Segundo Salto para o futuro com a entrada do Brasil no sistema produtivo mundial. Agora, \u00e9 imprescind\u00edvel encarar de frente os reptos e as chances hist\u00f3ricas que a vis\u00e3o de Estado exige, para nos levar ao Terceiro Salto. Isso em um momento em que o Mundo aumenta fortemente a demanda por energias renov\u00e1veis e limpas, por mais alimentos e por agentes produtores e sistemas que ofere\u00e7am seguran\u00e7a.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-8pf7s\">Como a demanda mundial de alimentos continua em pleno crescimento, particularmente no Sudeste Asi\u00e1tico onde (China, Vietnam, Coreia do Sul, Jap\u00e3o, etc.) ocorre uma expans\u00e3o do mercado interno e programas de seguran\u00e7a alimentar e, ao mesmo tempo, como a implanta\u00e7\u00e3o do&nbsp;<strong>III Salto Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico da Agropecu\u00e1ria Brasileira<\/strong>&nbsp;favorece a expans\u00e3o geom\u00e9trica da produ\u00e7\u00e3o de alimentos, resta analisar a log\u00edstica de transporte e comunica\u00e7\u00e3o para a acessibilidade aos mercados consumidores do eixo de desenvolvimento regional da Amaz\u00f4nia Ocidental\/Noroeste Brasileiro (Mato Grosso \/Rond\u00f4nia \/ Acre) \/ MATOPIBA.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-36ktn\">Em atividades de consultoria a servi\u00e7o do SEBRAE-ACRE, tive a oportunidade de manter conversa\u00e7\u00f5es com as lideran\u00e7as locais e de percorrer uma \u00e1rea do Estado do Acre (quase 1000 Km) indo at\u00e9 a Tr\u00edplice Fronteira (Brasil \u2013 Peru \u2013 Bol\u00edvia) no munic\u00edpio de Assis Brasil, para avaliar o escoamento da produ\u00e7\u00e3o expandida da Amaz\u00f4nia Ocidental e do Noroeste Brasileiro pelos portos do Peru, uma proposta j\u00e1 formulada pelo engenheiro e talentoso estrategista da geopol\u00edtica brasileira, Eliezer Batista quando assumiu a Secretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos do Governo Federal..<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-a46rc\">As not\u00edcias que v\u00eam do Acre, que espera ser a nova fronteira din\u00e2mica da agropecu\u00e1ria brasileira, s\u00e3o promissoras para a retomada do crescimento econ\u00f4mico sustentado do Pa\u00eds:<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-3mecb\">a) o Porto de Chankay, localizado a cerca de 80 km de Lima, cuja constru\u00e7\u00e3o iniciada em 2011, est\u00e1 prevista para ser conclu\u00edda no ano que vem, ser\u00e1 o megaporto programado para o interc\u00e2mbio comercial entre a Am\u00e9rica do Sul e a \u00c1sia (investimento de US 1,3 bilh\u00f5es);<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-dhv1q\">b) \u00e9 grande o inconformismo dos Acreanos com os seus indicadores econ\u00f4micos e sociais (em 2020; 10,2% de sua popula\u00e7\u00e3o viviam em pobreza absoluta, e o PIB per capita do Acre representava apenas 37,26% do PIB per capita do Estado de S\u00e3o Paulo) face \u00e0s imensas potencialidades de desenvolvimento do Estado e de suas regi\u00f5es;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-4p6cl\">c) as experi\u00eancias bem-sucedidas de desenvolvimento do Estado de Rond\u00f4nia (em 2019, a renda per capita de Rond\u00f4nia era maior do que a renda per capita dos nove Estados do Nordeste e do que os sete Estados da Regi\u00e3o Norte)t\u00eam se espraiado por alguns dos 22 munic\u00edpios do Acre;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-3hugh\">d) al\u00e9m da expans\u00e3o econ\u00f4mica territorial do Acre, o munic\u00edpio de Assis Brasil pode se tornar um grande Hub comercial visando \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de produtos de prote\u00edna animal e de prote\u00edna vegetal do Eixo Amaz\u00f4nia Ocidental\/MATOPIBA para pa\u00edses da \u00c1sia; os investimentos complementares da infraestrutura log\u00edstica interna e externa podem ser feitos atrav\u00e9s de financiamento externo (China, JICA, Banco Mundial, BRICS, etc.) que t\u00eam interesse num projeto cujos resultados financeiros t\u00eam um<em>&nbsp;payback<\/em>&nbsp;de 5 a 6 anos medido pelo valor diferencial das reservas cambiais a serem geradas na balan\u00e7a comercial;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-dihp9\">e)&nbsp;<strong>a Terceira Revolu\u00e7\u00e3o da Agropecu\u00e1ria Brasileira,&nbsp;<\/strong>base para o novo ciclo de expans\u00e3o da economia brasileira, deve se constituir, no processo de planejamento de longo prazo do Pa\u00eds, em um projeto que ir\u00e1 contribuir para ampliar a oferta de alimentos em benef\u00edcio da Humanidade; para abastecer os programas de combate \u00e0 fome no Brasil; para ativar uma poderosa cadeia produtiva, com os efeitos de espraiamento intersetorial e inter-regional para frente e para tr\u00e1s, assim como os efeitos de expans\u00e3o da renda, do emprego e da base tribut\u00e1vel, para a gera\u00e7\u00e3o de super\u00e1vits no balan\u00e7o de pagamentos. Se bem-sucedida, essa Revolu\u00e7\u00e3o poder\u00e1 consolidar o Brasil como o maior produtor mundial de alimentos;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-ail7k\">f) sempre que poss\u00edvel, deve-se adotar&nbsp;<strong>o modelo de competitividade da empresa-\u00e2ncora<\/strong>&nbsp;atrav\u00e9s do qual uma grande empresa (corpora\u00e7\u00e3o privada, cooperativa, etc.) se articula com um grande n\u00famero de micro e pequenas empresas no seu entorno espacial (aglomeradas ou n\u00e3o) garantindo-lhes assist\u00eancia t\u00e9cnica, pr\u00e9-compra de sua produ\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de mercado, etc., preservando a estrutura produtiva prevalecente nas localidades regionais;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-3p85a\"><strong>g)&nbsp;<\/strong>o processo de crescimento do Acre como Hub na comercializa\u00e7\u00e3o at\u00e9 o Porto de Chancay e como produtor de prote\u00edna animal e de prote\u00edna vegetal em todas as suas regi\u00f5es (Alto Acre, Baixo Acre, Purus, Juru\u00e1 e Tarauac\u00e1-Envira), deve se processar segundo&nbsp;<strong>modelo de desenvolvimento end\u00f3geno dentro do estilo de planejamento participativo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-7bmid\"><em>h)&nbsp;<\/em>\u00e9 fundamental que a constru\u00e7\u00e3o do novo ciclo de expans\u00e3o ocorra dentro de&nbsp;<strong>um processo de decis\u00f5es articuladas e consistentes entre plano e mercado,<\/strong>&nbsp;a partir da inadequa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do estilo de liberalismo ortodoxo, o qual tem sido denominado de \u201cEconomia Zumbi\u201d porque suas ideias econ\u00f4micas n\u00e3o morrem, apesar de suas inconsist\u00eancias l\u00f3gicas e de seus maci\u00e7os fracassos emp\u00edricos, pois, ainda que refutadas repetidamente, continuam voltando. Como dizia Keynes: \u201c<em>O estado da expectativa a longo prazo, que serve de base para as nossas decis\u00f5es, n\u00e3o depende, portanto, exclusivamente do progn\u00f3stico mais prov\u00e1vel que possamos formular. Depende, tamb\u00e9m, da confian\u00e7a com a qual fazemos este progn\u00f3stico \u2013 \u00e0 medida que ponderamos a probabilidade de o nosso melhor progn\u00f3stico revelar-se inteiramente falso\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-feuii\">Enfim, o novo ciclo de expans\u00e3o da economia brasileira poder\u00e1 ser fundamentado no Terceiro Salto da Agropecu\u00e1ria Brasileira, que tamb\u00e9m se estruturou sob a lideran\u00e7a de Alysson Paolinelli,se baseia nas cinco inova\u00e7\u00f5es schumpeterianas: a introdu\u00e7\u00e3o de um novo bem (alimentos saud\u00e1veis, sustent\u00e1veis e resistentes \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas) ou de uma nova qualidade de um bem (estrat\u00e9gias empresariais de diferencia\u00e7\u00e3o de produtos); a introdu\u00e7\u00e3o de um novo m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o (agricultura de precis\u00e3o, agropecu\u00e1ria de baixo carbono, etc.); abertura de um novo mercado (Sudeste Asi\u00e1tico, com a redu\u00e7\u00e3o dos custos de acessibilidade); estabelecimento de uma nova fonte de mat\u00e9rias-primas ou de bens semimanufaturados (adensamento das cadeias produtivas de produtos pass\u00edveis de elevada replicabilidade); estabelecimento de uma nova organiza\u00e7\u00e3o de qualquer ind\u00fastria (o modelo organizacional de&nbsp;<em>clusters<\/em>&nbsp;produtivos, com empresa-\u00e2ncora, que permite a integra\u00e7\u00e3o dos interesses da grande empresa com a pequena produ\u00e7\u00e3o familiar).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-fjdit\">Desde 2014, o Governo Federal tem optado por uma pol\u00edtica de austeridade fiscal na expectativa de que o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas dos tr\u00eas n\u00edveis de governo criem um ambiente macroecon\u00f4mico favor\u00e1vel \u00e0 retomada dos n\u00edveis de investimento e de consumo numa demanda reprimida pelas incertezas, pelas taxas de juros exorbitantes, pela prefer\u00eancia pela liquidez. S\u00e3o a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas necess\u00e1rias mas n\u00e3o suficientes para desencadear as taxas de crescimento econ\u00f4mico indispens\u00e1veis para financiar as pol\u00edticas p\u00fablicas bem arquitetadas e melhor implementadas, para restabelecer um padr\u00e3o adequado e civilizado de bem-estar social sustent\u00e1vel para o povo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-7inbp\">O papel do Estado deveria ser o de indutor dos projetos de investimentos, abrindo linhas especiais de financiamentos adequados, desregulamentando as atividades setoriais em uma perspectiva de desenvolvimento sustent\u00e1vel e adotando um sistema inteligente de incentivos fiscais e financeiros. Todos esses projetos teriam que estar submetidos a uma Rede de Preced\u00eancia: sequenciamento, intensidade e cad\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-5gs9n\">Agora, se faltar determina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para enfrentar os limites da pol\u00edtica macroecon\u00f4mica de curto prazo, se optar\u00e1 por preconceitos ideol\u00f3gicos plaus\u00edveis o que poder\u00e1 levar a atual administra\u00e7\u00e3o do Governo Federal a fazer mais do mesmo e pior. \u00c9 bom lembrar que, pode demorar, mas o novo sempre vem.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"x_ydp44a45c18yiv0437630877viewer-d461j\">Planejar \u00e9 preciso. O governo n\u00e3o pode se limitar \u00e0 simples gest\u00e3o do equil\u00edbrio fiscal, enquanto produtores e consumidores ficam \u00e0 espera da redu\u00e7\u00e3o das incertezas para tomar as suas decis\u00f5es sobre a constru\u00e7\u00e3o do futuro. Como diz Mahatma Gandhi: \u201cA diferen\u00e7a entre o que estamos fazendo e o que somos capazes de fazer poderia resolver os problemas do Mundo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*<\/em><strong><em>Paulo Haddad<\/em><\/strong><em>&nbsp;\u00e9 Membro do conselho consultivo no Instituto F\u00f3rum do Futuro. Economista, com especializa\u00e7\u00e3o em Planejamento Econ\u00f4mico no Instituto de Estudos Sociais de Haia \u2013 Holanda, Professor Em\u00e9rito da Universidade Federal de Minas Gerais, ex-Ministro da Fazenda e do Planejamento. Presidente da PHORUM Consultoria e Pesquisas em Economia e Diretor da AERI \u2013 An\u00e1lise Econ\u00f4mica Regional e Internacional.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo R. 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