5G, a nova fronteira do desenvolvimento

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Não bastassem as reformas estruturais que o país carece para eliminar o atraso e manter sustentabilidade e competitividade no mundo globalizado, ainda existe, no campo tecnológico, a inaceitável reação do antigo contra o moderno. Noticia-se que as operadoras de celular e internet – hoje com padrões 3G e 4G – vêem com preocupação a entrada da internet de quinta geração (5G), que o cronograma prevê a disponibilidade ao assinante brasileiro em 2022. Com velocidade largamente maior que as de 3 e 4G, que hoje abrangem 98% do sistema nacional, a 5G deverá tornar desnecessária a utilização de cabos entre os provedores e os assinantes, pois sua distribuição se fará por torres de celular. Também tornará dispensáveis as operadoras de TV por assinatura, já que tudo poderá estar na rede, diretamente do produtor para o consumidor. Mesmo com o 4G, de menor velocidade, já existem disputas judiciais entre operadoras e produtoras que almejam eliminar a presença do intermediário.

                A questão da televisão, ainda, é a menor. Pela sua eficiência – a grosso modo 100 vezes mais rápida que a 4G – a internet 5G abrirá acesso à chamada internet das coisas. Através dela funcionarão automóveis sem motorista, câmeras de segurança, fechaduras eletrônicas, casas inteligentes, indústrias e estabelecimentos de saúde com operação remota, inclusive para procedimentos de alta complexidade. Será uma revolução tão ou maior que a chegada da própria internet, que reduziu o mundo à sonhada aldeia global em que o tráfego de informações e imagens, antes dependente de transporte postal, passou a ocorrer na velocidade da luz.

                A meta do governo é leiloar as concessões do 5G no primeiro trimestre do próximo ano. É importante que esse cronograma seja mantido, apesar das apreensões dos operadores do sistema atual. É a inexorável evolução tecnológica que, com sua chegada, elimina processos  antigos em favor de novos mais eficientes e econômicos. Assim já ocorreu com o cinema, a fotografia, o aparelho de fax, as máquinas de escrever e calcular, a gráfica tradicional, e centenas de outras coisas outrora fundamentais. Muitas delas foram segmentadas e o formato tradicional hoje tornou-se peça de museu. É o novo assumindo o lugar do antigo, com vantagens trazidas pela tecnologia.

               Esperamos a mão forte e especializada do ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes – nosso astronauta e cientista vinculado à NASA – garantindo a fluidez do processo e a disponibilização da tecnologia 5G aos brasileiros. Que se procure resolver as aflições dos atuais operadores e, sempre que possível, inseri-los nos novos processos, mas nunca aceite ou permita que possam, por interesses corporativos, atrasar o acesso às novas plataformas. Delas dependem a competitividade nacional, a renda, a produção e o bem-estar da população.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

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